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12 agosto 2009

“O que um Engenheiro Civil pode fazer e o que um Técnico Médio de Construção não pode”???

Esta pergunta deixada no “mural de recados” pelo amigo Ussene é pertinente e, dependendo do ângulo em que a quisermos analisar, alguém poderá classificá-la tanto como “excelente” a “absurda”!! “Cada cabeça, uma sentença”!! Não é como diz o outro?? Mas, vamos lá por partes!!

Antes de mais e, pela “pulsação” que tenho notado, eu gostaria de assegurar “to whom it may concern” que este blog não é contra Técnicos Médios ou “Engenheiros Técnicos” como alguns gostam de se intitular! Este é um segmento profissional importante, para o desenvolvimento deste sector (Construção), em que o país ainda tem muito caminho a percorrer!!

Este aparente “conflito” entre “técnicos médios” e “técnicos superiores”, não se restringe apenas à Construção! Dos meus amigos médicos, juristas, agrónomos, etc, tenho ouvido quase que constantemente, farpas com tons à ostracização, dirigidas aos técnicos médios daqueles sectores! As vezes dá a sensação de haver uma espécie de “tentativa de usurpação de competências”, de parte a parte, daí surgirem perguntas do tipo que o amigo Ussene aqui fez! Vamos lá então, ao cerne da questão!!

Depois da formação, o indivíduo com o diploma na mão, seja “técnico médio” ou “técnico superior”, sabe (ou deveria saber) que “competências” constavam do seu plano curricular e que percentagem delas as terá adquirido na íntegra! Numa postagem antiga aqui neste blog, falei da elaboração de projectos cá em Moçambique e mencionei que, quem controla esse mercado são os "técnicos médios de construção civil". Eu nunca fui aluno de uma escola ou Instituto Industrial, daí não puder falar em nome dessa classe profissional! Tudo o que falo é com base nas minhas constatações no terreno e no tipo de trabalhos que vejo realizados por esses profissionais!

A pergunta que faria a todos os “Técnicos Médios” que eventualmente passem por aqui é: “Será que o Técnico Médio de construção civil está capacitado a elaborar projectos arquitectónicos e estruturais de edifícios? De que tipo de obras? Com que dimensão? O que lhe assegura possuir essas capacidades e competências"??

Falando de mim e olhando para o meu tempo de faculdade, lembro-me de ter tido várias cadeiras de desenho, desde “Geometria descritiva”, “Desenho Técnico”, “Desenho de Construção civil”, “Projecto de Edificios” (nas suas várias componentes), etc, mas será que isso me dá competências de aparecer aqui a dizer que “posso elaborar plantas arquitectónicas”?? Certamente que não!! Independentemente do domínio de programas de desenho assistido por computador como o “Autocad”, “Arquicad”, etc, e do gosto particular de desenhar e conceber coisas, elaborar plantas de edifícios não é a minha praia!! Pelo menos, é assim como penso!! Como disse anteriormente e repito: “Dar a Cesar, o que é de Cesar”!!

Falo aqui concretamente dos “arquitectos”: Essa classe profissional estuda 6 a 7 anos, coisas relacionadas com a elaboração de projectos arquitectónicos! Fazer uma planta não é desenhar essas “caixas de fósforo” que agressivamente nos ferem a vista em todos os cantos das nossas cidades e subúrbios associados! Elementos muito importantes como a estética, integração arquitectónica dos edifícios, iluminação natural, funcionalidade do edifício, hoje cada vez mais importante: a questão ambiental e racionalidade no consumo energético dos edifícios, os custos de manutenção no ciclo da vida da obra, etc, são aspectos que é preciso ter formação apropriada para os poder inserir convenientemente nos projectos!! Os arquitectos são formados para tal e é preciso que cada projectista tenha a decência de não querer esticar a sua perna, mais do que o seu comprimento o permite!!

Se falo de “técnicos médios” e “engenheiros civis” armados em “projectistas”, falo também de “arquitectos” que, sob influência da ganância e do lucro exacerbado querem se armar em “engenheiros estruturais” que é para ficarem com todo o bolo do projecto! Já vi muitos arquitectos acorrendo algumas vezes a mim, para ter noções de utilização de programas de cálculo estrutural como o “Cype” que era para serem eles próprios a calcular as obras que concebiam!!! “Perigoso!! Muito Perigoso!!”

É este tipo de ganância que produz esses profissionais “sabe-tudo” que, ao fim e ao cabo, nada sabem!!

Tal como os médicos, é importante que todo o “projectista” tenha em mente que acima do lucro fácil, a sua actividade envolve “vidas humanas” e “investimentos” de vária ordem, sempre muito elevados!! Existe uma responsabilidade acrescida, para com esta sociedade que nos propomos servir!! É preciso perceber isso com clareza!! É preciso saber que aquilo que concebemos deve servir os seus propósitos, no maior intervalo de tempo possível!! Não é por acaso que outrora, na inauguração de pontes e outras infraestruturas imponentes, o projectista tinha que estar lá embaixo, para que, no caso em que a obra ruisse, ele fosse dos primeiros a sofrer as suas consequências……!!

Mas é verdade que temos que ser pragmáticos e realistas! Em Moçambique, ainda não há técnicos superiores suficientes para cobrir o mercado! Esse mercado continuará a ser controlado por “técnicos médios” por largos anos, independentemente de tudo o que se quiser falar ou regulamentar!! Não se pode dizer que “você pode fazer isto” ou “você não pode fazer isto”, mormente, quando a demanda existente não pode ser satisfeita, de acordo com as condições e limitações existentes no terreno!! O maquinista dos CFM que quer construir sua moradia com as quinhentas que arduamente poupa, continuará a não ter dinheiro para contratar os serviços de um “arquitecto” ou “engenheiro”!! Ele irá inevitavelmente recorrer a um “técnico médio”!!

Daí que, o desafio que se impõe a esta classe profissional é a: “Responsabilidade”!! É preciso que cada “técnico médio” saiba das suas competências e as suas limitações!! É preciso que, em vez de recorrer a um “arquitecto” ou “engenheiro”, apenas para lhe solicitar a assinatura do “Termo de Responsabilidade” do projecto que elaborara (porque senão não passa no Município), que o consulte e se aconselhe enquanto vai elaborando tal projecto!! Que não haja receio ou medo de aprender e melhorar os seus conhecimentos!! É assim que as competências desta classe que, se diga, tem tido sérios problemas na sua formação, irão aumentando e o país que se tem servido dos seus préstimos, poderá sair a ganhar!!!

Cada um, na parte mais superficial da sua consciência e, conforme o diploma que tem, sabe até onde pode esticar a sua perna!! No entanto, o potencial intrínseco de aprendizagem e autodidactismo que nós seres humanos possuimos e muitas vezes está adormecido, é algo que não pode ser limitado por qualquer lei ou norma!! É algo que as pessoas devem ser incentivadas a cultivar (A este propósito de autodidactismo, leia a história de Hamilton Naki)!! But always remember: “RESPONSABILITY”!!!

E, conforme dizia, há Municipios que nem sequer um “engenheiro” ou “arquitecto” têm!! Mas há outros que estão a enrobustecer a sua máquina de recursos humanos! Há outros ainda que já estão a implementar regras rígidas sobre a elaboração e aprovação de projectos! Há Municípios que não aceitam um projecto que não tenha o punho da assinatura de um arquitecto ou de um engenheiro!!!

Essas práticas, a longo prazo é que vão ditar o que um pode ou não pode fazer, a partir daquilo que se entendem ser as competências adquiridas aquando da formação!! “O trigo se irá separando do joio”!! Porque, acima de tudo e, independentemente da “fome” que cada um tem ou traz, o que se quer é o crescimento harmonioso das nossas cidades e a construção de infraestruturas duradoiras, porque só assim é que estaremos efectivamente contribuindo para o desenvolvimento económico da nossa nação!! Este é um sector deveras importante, pela impulsão em cadeia e dinamização que despoleta noutras áreas como materiais, transportes, comércio, florestas, hotelaria, prostituição (porquê não?), etc.

Penso que, em termos gerais, é o que gostaria de partilhar com o amigo Ussene e os demais!!

Abraço e espero ouvir vossas sensibilidades!!!

12 setembro 2008

Tomando um “copito” com o Ministro das Obras Públicas e Habitação!!


“Muitas obras dos antigos tornaram-se fragmentos. Muitas obras dos modernos já nascem como tal!”
Friedrich Schlegel

Mano Zacas, é daqueles “own man”, dirigentes pouco vulgares, com quem ter uma conversa e tomar um “copito” só pode resultar numa experiência impar!
Uma das comidas que “entra bem” e suavemente, é uma xima (utsua) com um caril de carangueijo! De certeza que vai adorar, e, como Excia é um “bom copo”, vamos tomar da nossa “cachaça”, a “primeirinha” (alguém sabe qual é o seu teor de álcool?)!

O Ministério das Obras Públicas e Habitação (MOPH) é daqueles em que, salvo algumas vezes, em que se pretende misturar alguma “politiquice”, tem mostrado uma estratégia compreensiva de acção, em termos de priorização de infraestruturas para ir catapultando gradualmente o desenvolvimento desta nação! Vemos isso, no sector de estradas e pontes, construção e expansão das redes de abastecimento de água aos centros urbanos e zonas rurais, entre outros!

Mano Zacas é daquelas personalidades que desarma aquela aura pesada que caracteriza o ambiente envolvente de figuras públicas e, facilmente granjeia simpatias da sua audiência! Nós, que aqui no “Desenvolver Moçambique” primamos pelo “senso comum”, não iríamos certamente ser uma excepção na observação deste aspecto! Gostamos do Mano Zacas e lhe desejamos sucesso na administração do seu pelouro e que continue por muito mais tempo a dar os seus préstimos a este país!
Pessoalmente, julgo estarem sendo tomadas decisões “acertadas” pelo MOPH nestes sectores, mas considero estar a ser “discreta” e diria até “mediana”, a governação do Mano Zacas! Gostaria, portanto, de realçar três (3) pontos que julgo serem fulcrais para essa avaliação “moderada” que lhe atribuímos!

Primeiro: Barragem de Massingir
Nos países onde há “accountability” e os governantes sentem o “peso” que recai sobre si, quando assumem um cargo público, e tal como o “paiol” para o então Ministro da Defesa, esta seria uma ocasião adequada e, de forma voluntária, para Excia apresentar a sua demissão! Não é, de forma alguma, aceitável que uma infraestrutura como esta, de capital importância para o país, e que acabe de absorver acima de 125 milhões de dólares para a sua reabilitação, sofra danos que venham a requerir outros tantos 40 milhões, tudo, por razões que, nada mais e nada menos, roçam à negligência! Com a nossa cultura de imputar culpas a agentes externos ou mãos invisíveis, não me admiraria que desta vez (e tal como o “calor” da outra vez), a responsabilidade recaisse sobre a “água”! Sim, ela é que forçou a rotura das “descargas de fundo” (ai ‘tão não?)!

Excia! É inaceitável que, um empreendimento destes, seja tratado após os investimentos todos efectuados, como se de uma “capoeira” ou “pocilga” se tratasse! Se se dispenderam valores da ordem de 125 milhões de dólares, nós pacatos cidadãos, perguntamos porquê não foram incluídas as componentes de “equipamentos” de modo a permitir a operacionalização normal da infraestrutura, uma vez terminada a sua reparação? Porquê não ter sido encontrada uma solução sustentável para o problema do fornecimento de energia eléctrica à barragem? Tem-se milhões de metros cúbicos de água armazenada e acha-se “porreiro” que não haja sequer electricidade para accionar o sistema de comportas nos casos de emergência em que é indispensável a sua manobra para controlar os níveis na albufeira?? Uma retro-escavadora ou uma pá-carregadora que, mesmo que fosse em segunda mão (algumas até podem ser adquiridas a menos de 100 mil USD) para fazer a limpeza do canal e outras tarefas básicas? Mas para mim e, para além da expressa negligência não só do Consultor e da Fiscalização, mas também da Ara-Sul, DNA e todo o MOPH em geral, no concernente a inspecção dos componentes de “descargas de fundo”, durante o processo de reabilitação, eu acho “gravíssimo”, que não se tenham criado condições para a correcta operacionalização e monitoria desse “monstro” que é uma barragem daquelas dimensões! Excia acha mesmo que o “srs. Ngovenes” (leia-se, todo o pessoal pouco qualificado, sem manuais de instrução e que esteve até então, encarregue pela infraestrutura) estavam a altura de tomar conta daquele empreendimento? Já que Cahora Bassa “é nossa”, porquê não se pensou com a devida antecedência, a criação duma estrutura de operacionalização da infraestrutura, bebendo da experiência dessa “obra irmã”? Deixa-se um empreendimento daqueles “às moscas” e achavam que ele por si só, iria tomar conta do seu destino? Ademais, e estando prevista essa “Assistência Técnica” no contrato com o Consultor, porque razão é que, mesmo passado um ano depois de concluidas as obras, nada foi feito pelo MOPH para alterar esse cenário “perigoso” e de extrema vulnerabilidade que estava a ser dado à operacionalização da barragem?? Aqui, Excia e a sua equipa ministerial, têm que dar a mão à palmatória e virem a público, explicar como tamanha asneira pode ter ocorrido e eventualmente outras ainda estejam a acontecer com a administração dos nossos recursos capitais!

Segundo: Estrada Namacurra – Rio Ligonha
Eu sou daqueles que acha que Excia foi nomeado ao posto pela forma aguerrida e corajosa, como “desbaratou” o até então, “maior empreiteiro da Beira” que, apesar desse título, nada mais estava fazendo, senão prejudicar ao Estado em somas avultadas de dinheiro e oferecendo um produto de qualidade inaceitável! Porém, devo confessar que fiquei “perplexo”, pela atitude “inerte” que tem caracterizado as suas intervenções (desde o início) em relação à “tragédia” que tem sido a obra do troço “Namacurra-Alto Molócue”! Não só, a sua posição incontestável de “tough man”, como a postura de todo o nosso Governo ficaram seriamente abaladas e a soberania da nossa nação saiu enfraquecida! Andamos a gritar todos os dias “independência total e completa”, mas se alguém tinha dúvidas, este “caso” é a prova irrefutável de que, quem manda aqui são os “donos dos dinheiros”! E “levamos” duas vezes! “Levamos” com os juros desses créditos e “levamos” com a maneira “desajeitada” e os “mismanagements” a que somos impostos na utilização desses dinheiros! Isto aqui é uma autêntica “lose lose situation”! Excia, “contrato é contrato”! E, em qualquer parte do mundo, eles contêm uma cláusula chamada “Prazos”, que não anda sem a sua irmã gêmea “Multas”! Se não cumpre com o previamente acordado, “chupa”! Já vão quase 2 (dois) anos para lá do periodo inicialmente indicado para o término dessa obra e, estamos aqui nesse “deixa-andarismo” absolutamente inaceitável! E, nós pacatos cidadãos perguntamos: “Estará o empreiteiro a pagar as devidas multas”?? Alguém, por acaso, já fez a análise dos custos (leia-se, benefícios) advindos duma infraestrutura capital como aquela, num periodo de dois anos?? E quem nos vai ressarcir por essas perdas que a nossa economia está a sofrer como consequência desse empreiteiro desorganizado?? (Pelo menos já estão para terminar a ponte para Lugela! E nem me perguntem depois de quanto tempo para lá do prazo inicial….)!
E que autoridade terá Excia para repreender um empreiteiro nacional que venha a cometer as mesmas falcatruas?? Estou a pensar em abrir uma empresa de construção e, caso aconteça alguma “eventualidade”, Excia pode ter a certeza que não lhe deixarei “piar o bico” (passe a expressão)!! E é o que todo o empreiteiro e as suas respectivas associações deveriam reivindicar perante esta evidência clara de “dois pesos, duas medidas”!!

É bom que para os próximos concursos para obras de alta envergadura, as instituições públicas comecem a ter consigo um “cadastro” da performance dos principais empreiteiros do país, e “pesar” devidamente essa informação no processo de avaliação! Se se prestasse atenção não apenas às “luvas” e a quem “(nos) paga melhor” (corrupção “legalizada” que acompanha estes processos), ter-se-ia visto facilmente que esse empreiteiro já vinha evidenciado problemas sérios e falta de gás para terminar várias outras obras públicas, num passado muito recente!


Terceiro: Fundo de Fomento a Habitação

Este é daqueles assuntos que deveria estar na primeira linha desta postagem! E, acabei “descobrindo” que afinal, o Ministério do Mano Zacas é de Obras Públicas e de “Habitação”! E estive aqui a matutar, o que exactamente tem sido feito nestes 33 anos de independência no que concerne a esta temática? Confesso que, para além da venda do património da ex-APIE, não consegui vislumbrar nada (o leitor talvez me pudesse dar uma ajudinha)!!!

O nosso pais é pobre (não é esse “anestesiante” que se gosta de vender em toda a esquina?) e absolutamente, ninguém está aqui a curto e médio prazos, a espera que o Governo comece a construir habitações ou bairros para as populações carenciadas, como os (famosos) “Projects” nos Estados Unidos! Acho que todo o cidadão “com juizo” no lugar, nem deve sequer pensar nisso! Mas o Governo, tem as suas “responsabilidades” e podia ir fazendo algo para terminar por completo esta situação de que um individuo tenha que ter na mochila, um milhão de meticais “cash” (um bilião da antiga familia), para adquirir um apartamento! Isso, meus caros senhores e especialmente Mano Zacas, precisa terminar urgentemente! Este país não pode continuar a promover essa cultura de “far west”! Não pode e isso é inaceitável!! Este povo está a trabalhar e tudo o que precisa, é de mecanismos formais que tornem a sua vida “facilitada”! Não podemos continuar alienados por um sistema bancário unicamente orientado para o lucro exacerbado e, mesmo apresentando aumentos anuais (lucros) da ordem de 300%, continuam a oferecer taxas de crédito astronómicas e exigindo tectos salariais e outras condições desfasadas da realidade do “average Joe” moçambicano! O Governo não pode continuar a assobiar para o lado!
Eu devo bater palmas a si, Excia, pela escolha que fez para a presidência do Fundo de Fomento para a Habitação! A dra. Psicóloga é de uma beleza estonteante! Excia é mesmo do olho…!!
Mas cadê o “trabalho”?? Tem o mesmo aspecto?? É também "beleza"? (como dizem os brasileiros). O que exactamente tem estado a ser feito, para mudar este cenário lamentável de coisas??
“Off record”, pelo menos o que tenho ouvido é que a juventude que foi recrutada para esse organismo (a maior parte dela, Arquitectos), mesmo os que foram enviados para dirigir as delegações provinciais, não passam de uns “estafetas” telecomandados a partir de Maputo! Não há campo para dar aso ao seu espirito criativo e irem encontrando e contribuindo com formas que se adaptem melhor ao contexto particular de cada provincia, nesta problemática da habitação! Diz-se mesmo que, a “boss” está a pôr tudo ao avesso! E estive a perguntar-me: Para um país que não tem “Politica de Habitação” e, de forma espreguiçada começa a gatinhar nesse sentido, o que uma “Psicóloga” que não faz, não deixa fazer e nem sequer se dá ao tempo de ouvir as contribuições que essa juventude abalizada na matéria tem para oferecer, exactamente fará para tirar esse sector “crucial” do marasmo em que se encontra??
A palavra de ordem ao povo moçambicano nos últimos tempos tem sido “aumentar a sua auto-estima”! Que auto-estima se pode esperar que um individuo que trabalha toda a sua vida, de forma empenhada e honesta, venha a ter, se ele nem sequer tem meios para obter uma habitação decente!! Habitação é um meio essencial e básico, como o ar que respiramos!!
Já que os nossos “big bosses” passam os fins de semana lá do outro lado da fronteira, será que não ficam envergonhados quando vêem aqueles bairros bem organizados, com casas-“tipo” simples, mas decentes e aconchegantes que pululam pelas redondezas de Johanesburgo ou Nelspruit?? Eu pelo menos fico!!

E, em relação à ideia algures avançada sobre um “Banco de Fomento Habitacional”, que julgo dever estar neste momento jogada ao abandono, convido Excia a ler “o copito” que tive com a PCA dos Correiros de Moçambique!

Já que hoje é “dia do homem”, e o Mano Zacas também tem “expertise” em “boemia” e é um reconhecido “patrono da night” (titulos partilhados com o nosso grande Ungulani Ba ka Khosa), nada mais me resta senão lhe desejar uma óptima Sexta-feira!


“É preciso que um autor receba com igual modéstia os elogios e as críticas que se fazem às suas obras”
Jean de La Bruyère

09 junho 2008

"Quero construir....Arranja-me lá um Projecto" - Quem são os Donos de Obra?

O “boom” no sector de construção civil em Moçambique, teve o seu inicio nos anos imediatamente a seguir aos Acordos Gerais de Paz, logo no inicio da década de 90.
Muito antes de se ter começado a falar das novas “áreas urbanizadas” ou de “expansão” das cidades, como “Belo Horizonte” (Maputo), “Muhala-Expansão” (Nampula), só para citar algumas, a construção já tinha renascido em áreas “previlegiadas” das capitais provinciais, incluindo até, zonas protegidas (proibidas). E nao é um “peão” qualquer que consegue transpor tantas “barreiras”, comprar um talhão (não nos iludamos com as cantigas da “Lei de Terras”; neste pais terreno compra-se e muito caro) em zonas “restritas” e construir os “palacetes” que temos vindo a observar, aqui nas encostas da Marginal, Bairro Triunfo, Sommerschild II, “Barreiras”, só para dar alguns exemplos aqui da capital. Um pedaço de terra de 20x40m2 nestes locais não custa menos de 50.000USD. Outro aspecto que precisa notar, é a dificuldade acrescida imposta pela topografia desses terrenos (taludes ingremes na marginal) ou suas caracteristicas geotécnicas (mangais da Costa do Sol), o que requer o envolvimento de técnicos qualificados e, consequentemente, custos elevados pelo projecto e pela solução arquitectónica e estrutural considerada. Estima-se que o valor médio da construção dessas obras ronde os 350.000USD e muitos dos seus proprietários, que vão desde “business men” (de todas as raças e bem conectados ao “sistema”), “top-executives” de empresas privadas e estatais até a famosa “nomenklatura”, (libertadores da nação e porque não, os seus legitimos “donos”!), recorrem geralmente a empresas de consultoria para a elaboração do projecto e posterior adjudicação da obra a empreiteiros para a sua execução. E como este pessoal “vai a todas”, eles também estão lá nos “Belos Horizontes”, “Malhampsenes”, “Estoril”, “Chuabo Dembes”, “Muhala-Expansão”, “WimbeII”, etc.
No entanto, não é esta fracção previlegiada que constitui o “motor” deste ressurgir da construção habitacional em Moçambique. Não menosprezando o tremendo “fosso” que os separa dos “barrigas grandes”, a classe que poderiamos considerar como a “dos que têm salário de licenciado” (cerca de 500USD/mês) é que é o vector principal deste processo. Embora o pais tenha ainda menos de 5% da sua população com ensino superior, esta “classe” tem uma base consideravelmente alargada, se tomarmos em conta que, mesmo os cobradores de “chapa” não aceitam um salário inferior a 5000 Mtn (200USD). O sector bancário que começa, mesmo que de forma espreguiçada, a prover serviços de crédito a habitação, tem os seus olhos virados para esta “classe” e se um dia, o “Fundo” da nossa linda psicóloga (já agora, não deveria ser alguém formado na área?) ousar criar uma politica coerente de habitação neste pais, é nestes seus verdadeiros “desenrascas” que se deve concentrar!
Esta classe tem de tudo: desde o cobrador de chapa, o proprietário da barraca, o vendedor informal, os “Sós doutores”, as famosas socialites, celebrities e por ai fora! Um autêntico TNT (tri-nitro-tolueno) social que, muitas das vezes, está apenas preocupado em ostentar o que não se tem ou não se é! A história da socialite contada aqui é apenas “um cheirinho” da pólvora que anda por ai escondida em embalagens de chocolate! Todo o mundo preocupado em “aparecer”: com o carro que o vizinho não tem (nem interessa se é roubado ou não), roupas “de marca”, fragrâncias francesas, quando “por dentro” não passamos da pior escumalha que se pode encontrar, vigaristas, mal alimentados (para compensação, uma “cabeça” logo de manhã na barraca da esquina nos dá cá um jeitinho!) e precisa ver a “capoeira” onde moramos! Todo o esforço empreendido é mesmo dedicado apenas para “aparências”! Valores como honestidade, trabalho árduo, honrar a palavra, ética, respeito mútuo, etc, desses temos pavor!
E quando decidimos “construir”, esse “modus vivendi” tem que ser operado na sua “máxima força”! Quem é o projectista que no decurso da sua carreira e, depois do trabalho árduo que envolve a elaboração de um projecto, não tenha ainda sido “vitima” das investidas destes nossos (pseudo) ricos? Habituados exactamente a uma sociedade que vive de “aparências” somos induzidos a observar alguns “parâmetros” para avaliar o “poder financeiro” dos que nos cruzam o caminho e, consideramos mais do que suficiente, firmar verbalmente os contratos de prestação dos nossos serviços! “E depois é que são elas…..”!
Aos meus “fellows” projectistas deixo aqui um modelo de contrato (escrito) a ser firmado sempre que vá oferecer os seus serviços, porque o “ladrão” e o “vigarista” do século XXI não precisa necessariamente de aparecer com aquela cara ameaçadora e uma espada de dois gumes! Ele vem num Mercedes-Benz, trajado num fato “Pierre Cardin”, bem cheirozinho e com muitos celulares (passando por muito solicitado e com muitos business “to run”).

É isso, meus caros compatriotas! “A riqueza de um pais, é o seu povo”! Vamos lá investir e nos esforçarmos, a cada momento do nosso dia-a-dia, em sermos melhores pessoas para connosco próprios e para com os demais!

03 junho 2008

"Quero construir....Arranja-me lá um Projecto" - O Dono de Obra

Muita tinta foi já gasta a falar da elaboração do Projecto e dos “diabos” dos Projectistas e acho ser justo olharmos um pouco para “o outro lado da vedação”: O Clinte; O Dono de Obra! Referi “diabólico” porque o projectista é isso mesmo: Ser repugnante, cobra muito dinheiro, atrasa com a entrega do projecto e comete tantas outras barbaridades sem fim. Nessa perspectiva, e tal como nos filmes onde temos “artistas” e “bandidos”, então o Dono de Obra seria um Ser “imaculado”, “vitima” do processo e sempre penalizado! Será mesmo??
Como “amendoins” (no bar) para este “post” quero partilhar convosco um episodio dos meus tempos de estudante: Uma “socialite” cá da praça foi a mim introduzida por um amigo! Para minha surpresa, a fulana estava “à rasca” de umas “aulas de explicação” para poder fazer o exame externo de Matemática da 12a classe. Digo surpresa, porque logo à partida, somos quase sempre induzidos a pensar que “Celebrity”, para além do seu “muito” dinhero, tem grau universitário, felicidade e tudo o que alguém pode almejar nesta vida! Pensamos nisso tudo, sem nos questionarmos do que quer que seja!
Imaginem uma “fêmea” mesmo (bonita, hein!), no seu “senhor” Patrol, roupas de marca (ou de etiqueta como dizem os “Brasucas”) e fragrâncias das mais bem cheirosas……! Quem ousa duvidar? Acertamos os honorários (verbalmente, não é essa a prática?) e fui dando as aturadas explicações a nossa “socialite”! Terminado o “serviço” no periodo acordado, outro espanto: Um cheque sem cobertura e, para não variar, o subsequente jogo de “gato e rato”. “Celebrities” surpreendem mesmo! Vocês não imaginam o “bico de obra” que foi reaver os meus tostões! E eram tostões mesmo, porque se estou bem lembrado, a quantia nem sequer excedia os 100 USD…..Essa foi uma “ganda” lição de vida!

A pergunta que ocorre então é: Quem está por detrás desse ressurgir da construção habitacional em Moçambique, qual a “demografia” desse(s) grupo(s), como caracterizá-lo(s) ? Quem são os nossos Donos de Obra??

(……continua no próximo post)

13 maio 2008

"Quero construir....Arranja-me lá um Projecto" - O Projecto

Penso que todo o mundo que deseja construir a sua habitação, tem sempre em mente (pelo menos devia ter) a intenção de edificar algo que englobe a estética, harmonia espacial, funcionalidade orgânica, comforto, durabilidade, etc, ou resumindo, que o seu cantinho seja um verdadeiro “Burj Al Arab” sem que tenha que pagar 5000 euros/dormida para o resto da sua vida!
Todos esses elementos que pretende ver incorporados são definidos na altura de elaboração do projecto, daí a elevada importância que esta fase representa para a materialização dos seus objectivos!
Antes de mais, escolha alguém de reconhecida competência para lhe elaborar o Projecto e se não o conhecer devidamente, não tenha receio em perguntar qual a sua formação e que trabalhos terá já executado (um profissional de verdade não fica ofendido por isso). É fortemente recomendado que esse processo seja desencadeado muito à priori da data em que se pretende iniciar com a construção, pelas razões que a seguir indicarei (muita gente quando se dirige ao Projectista, quer o projecto “para ontem”!).

Não pretendo ser tão pouco teórico neste blog, mas só para terem uma ideia, um procedimento formal (caso de obras públicas) obrigaria à decomposição do processo de elaboração do projecto, em 5 fases distintas, a saber:
- Programa preliminar: documento fornecido pelo dono da obra ao projectista para definição dos objectivos, caracteristicas orgânicas e funcionais e condicionalismos financeiros da obra;
- Programa base: documento elaborado pelo pelo projectista a partir do programa preliminar, resultando na particularização deste, da verificação da sua viabilidade, e do estudo de soluções alternativas, e que, depois de aprovado pelo dono da obra, serve de base ao desenvolvimento das fases ulteriores do projecto;
- Estudo prévio: documento elaborado pelo projectista visando o desenvolvimento da solução programada, essencialmente no que respeita a concepção geral da obra;
- Anteprojecto ou Projecto base: é o desenvolvimento, pelo projectista, do estudo prévio aprovado pelo dono da obra, destinado a esclarecer os aspectos da solução proposta que possam dar lugar a dúvidas, a apresentar com maior grau de pormenor alternativas de soluções difíceis de definir no estudo prévio e, de um modo geral, a assentar em definitivo as bases a que deve obedecer a continuação do estudo sob a forma de projecto de execução;
- Projecto de Execução: é o documento elaborado pelo projectista, a partir do estudo prévio ou do anteprojecto aprovado pelo dono da obra, destinado a facultar todos os elementos necessários para a boa execução dos trabalhos, constituindo assim (se for o caso) o processo a apresentar para o concurso de adjudicação da empreitada.

Cá entre nós, não estamos para esses “nheque-nheques” todos e tudo é tratado verbalmente. Mas podem ter a certeza que, à medida que o processo vai decorrendo, estas fases vão emergindo naturalmente, porque não é possivel elaborar um projecto de hoje para amanhã. É necessário tempo suficiente para “amadurecer a coisa” e que depois das metamorfoses que eventualmente forem a ocorrer, cada um na qualidade de dono da obra, se sinta satisfeito com o produto (projecto) final que lhe é fornecido. No entanto, neste caso de obras particulares algumas fases são suprimidas, levando o processo a terminar geralmente na fase de Anteprojecto.

Conforme o R.E.G.E.U (Regulamento Geral de Edificações Urbanas), o Projecto deve conter todos os elementos necessários ao exacto esclarecimento da obra, justificação da sua concepção e dos processos e materiais de construção adoptados, bem como a indicação das condições da sua realização.

Fundamentalmente, este deverá consistir, mas não se restringe apenas às seguintes peças:
§ Parte escrita:
- Memória Descritiva e justificativa: que inclui a definição e descrição geral da obra, nomeadamente no que se refere ao fim a que se destina, a sua localização, interligações com outras obras, etc; indicação da natureza e condições do terreno; justificação da implantação da obra e da sua integração nos condicionamentos locais existentes ou planeados; descrição das soluções adoptadas com vista a satisfação das disposições legais e regulamentares em vigor; indicação das caracteristicas dos materiais, dos elementos de construção, das instalações e do equipamento; justificação técnico-económica, com referência especial aos planos gerais em que a obra se insere:
- Nota de cálculo: pretende-se informar sobre a solução estrutural adoptada e ao mesmo tempo justificar como ela irá garantir a estabilidade e solidez do edifício que se pretende construir.
§ Parte Desenhada
# Arquitectura
- Implantação geral
- Plantas de piso
- Planta de cobertura
- Alçados (frontal, posterior e laterais esquerdo e direito)
- Cortes transversais e longitudinais
- Mapa de vãos (portas, janelas e armários)
- Muro de vedação e portões
# Estrutura
- Planta de fundações
- Pormenores de fundações (paredes)
- Betão armado: sapatas de pilares
- Planta e pormenores de vigas
- Planta de lajes
- Pormenor de escadas
- Muro de vedação: pormenor de fundação e pilares
# Hidráulica
- Implantação – Rede de abastecimento de água
- Plantas de piso – Rede de abastecimento de água
- Implantação – Rede de Esgotos
- Plantas de piso – Rede de Esgotos
- Fossa Séptica
- Caixas de Inspecção e de Retenção de Gorduras
- Caixas de águas pluviais e Esquema de Ventilação
# Electricidade
- Instalação de Cabos
- Iluminação Exterior
- Iluminação
- Tomadas de Uso Geral
- Tomadas de Ar-condicionado
- Telefones
- Quadros, Esquema de Comando e Portinhola de Segurança

Em Moçambique, regra geral, os projectos acima referidos (Arquitectónico, Estrutural/Hidráulico e Eléctrico) são feitos por individuos distintos e sem qualquer forma de coordenação. Isto costuma trazer sérios problemas na altura de execução da obra, devido às discrepâncias que inevitavelmente ocorrem. O meu conselho é que, ao contactar um Projectista, deixe que ele forme a equipa de elaboração do projecto, mesmo que você tenha que negociar pessoalmente os honorários de cada um deles (aliás, para evitar intermediários, hehe). Isso facilita, de sobremaneira, no caso em que surgem dúvidas durante a construção. Nessas situações, bastará apenas contactar uma única pessoa (Projectista-coordenador da equipa), em vez de ter que ir atrás de quatro individuos.
No entanto, é bom perceber que esta questão da “Assistência técnica”, que visa não só, a correcta interpretação do projecto, mas sobretudo garantir que a obra seja executada com a qualidade e prescrições do projecto, deve ser salvaguardada por acordo (contrato) entre o dono da obra e projectista durante a elaboração do projecto. O que acontece é que as pessoas limitam-se a ter o projecto e apenas “arranjar” um pedreiro para conduzir a obra. Este é exactamente um dos câncros da auto-construção no nosso pais. Muitos destes “pedreiros” mal sabem ler uma planta de armaduras! Eles precisam de orientação e acompanhamento! Por isso, não pense que “esteja a gastar” contratando alguém competente (mesmo que sazonalmente) para lhe supervisionar a obra, se quiser edificar algo duradouro!

Outro aspecto crucial e que praticamente “nenhum” Projectista fornece ao cliente é o orçamento da obra. Esteja atento e solicite ao seu projectista que lhe faculte esse documento juntamente com o projecto, de modo a saber quais as quantidades necessárias de materiais e o valor global da sua obra. Forneço aqui aos Projectistas e Donos de obra interessados, um “Mapa de quantidades-tipo”, com as “unidades discretizadas”, ou seja, 1 m3 de betão é apresentado decomposto em sacos de cimento, areia e brita, etc. Isto serve para facilitar a compreensão do Dono da obra, relativamente as quantidades de materiais necessárias para cada etapa da sua auto-construção. (Divulgue pelos seus “companheiros de armas” e, se não perceber algo, não exite em contactar-me). (continua........)

10 maio 2008

"Quero construir....Arranja-me lá um Projecto" - Prelúdio

Hoje me vieram à memória, espectaculares momentos da minha infância!! Era hábito entre nós, viajarmos durante as férias escolares dos primeiros anos da "primária", para a terra que viu meus ancestrais nascerem! Hoje as sociedades estão a tornar-se cada vez mais "city-oriented" e esses hábitos vão esmorrecendo, se é que não morreram mesmo! Mas muitos de nós não imaginamos o impacto que o contacto com a "natureza" (vegetação, animais, etc) cria numa criança (Não perca uma oportunidade de levar os "seus" a esses locais, sempre que puder, e depois avalie os resultados)! Apesar de passados longos anos, me recordo ainda hoje com fascinio dessas experiências! Uma coisa excitante (e amedrontadora ao mesmo tempo) era "passearmo-nos" por entre a extensa manada de bovinos, cuja criação fora iniciada pelo meu bisavó (homem que faleceu antes do meu nascimento). E o ritual matinal era, sentarmo-nos nos degraus das imponentes escadas (dificeis de escalar) da sua casa (que ainda existe) e à luz dos primeiros raios solares observarmos a manada sair do curral.
E é exactamente sobre este facto de, um bem que criamos hoje, poder servir as gerações vindouras (filhos, netos, bisnetos...), que motivou este meu "post"! E não é de manadas que estou a falar, estou a referir-me a "habitação", "casa", "moradia"! Será que alguém pensa nisso, quando decide "construir"?? A evidência não é muito abonatória nesse sentido e, vou na série que se segue, abordar um dos aspectos cruciais à sua materialização e que tem sistematicamente sido negligenciado: "A Elaboração do Projecto"!