Antes de iniciar a abordagem de assuntos concretos que afectam o sector de construção e não só, gostaria de dedicar algumas linhas a esta classe profissional que tem em suas mãos, a tarefa árdua de materializar um dos elementos cruciais ao desenvolvimento: Infraestruturas!
Este é um sector em que se trabalha arduamente, mas regra geral, se aufere “pouco”…. É mais fácil progredir na vida sendo Economista ou Jurista, do que propriamente Engenheiro ou Arquitecto! Esta situação não se restringe apenas a Moçambique, e verfica-se um pouco pelo mundo fora, incluindo paises altamente desenvolvidos, mas há unanimidade em considerar que o nosso caso seja mais dramático!
Porém, não é sobre rendimentos e “profit” destes profissionais que quero falar! Pretendo dedicar este post a relação profissional entre ambos, quantas vezes “azeda”.
Ocorrem-me, para esse efeito, vários “ditos”, que ilustram essa “celeuma”, esse estado de “paz armada” ou se quiserem “guerra passiva” (ou activa??):
Em tempos lá idos de estudante, o venerado Prof. Carmo Vaz, terá afirmado, em “amena cavaqueira” que, “enquanto os arquitectos não se consciencializarem que, não podemos ter uma viga assim “solta” no ar, nós sempre teremos problemas”. Outra expressão memorável proferida por um Arquitecto (Rodrigues), é que “os engenheiros não passam de um bando de parasitas dos arquitectos” (esta até hoje ainda não percebi). É comum dos arquitectos ouvir-se ainda que, “os engenheiros são uns quadrados”. Eu concordaria com esta ultima, não propriamente com a carga pejorativa que esta expressão transporta, mas sobretudo com a “versatilidade” dessa forma geométrica! Nós vivemos do rectangulo (e sua forma particular, o quadrado), isso é um facto!…. “Estruturalmente” falando, essas formas geométricas encorpam o util e o agradável! Conferem-nos não só, óptimas caracteristicas resistentes, mas também, facilitam o processo constructivo. Muitos arquitectos, se calhar, ainda não se aperceberam que, também vivem dessas formas geométricas! Ninguém anda por ai a projectar “a toa”, salas ovais ou circulares, arcos em abóbada, etc! Essas surgem sempre, em minha opinião, como formas “arrojadas”! Provavelmente, a partir daqui, deveria comecar a ser dada uma nova abordagem a este argumento do “quadrado”!
Pessoalmente, devo dizer que tenho tantos amigos e colegas profissionais arquitectos, tantos quantos engenheiros! Não devo dizer que nunca tive “divergências”, mas asseguro que elas sempre ocorreram num espirito altamente profissional, e tendentes a aproximar “diferenças” e encontrar consensos! Devo dizer que, nem sempre é fácil, mas com o espirito aberto, qualquer das partes tem sempre oportunidade de aprender e de “sair a ganhar”!
Ocorre muitas das vezes, um “problema de perspectivas” ao abordar seja um assunto arquitectónico ou estrutural. E falando em “perspectivas” deixa-me abrir aqui um parentesis! Uma coisa que me deixa completamente “passado” (e provavelmente a muitos de vocês também) e que, todas as vezes que tenho que sair com a minha esposa para um casamento, ela tem que comprar um novo vestido, mesmo que o tenha feito numa semana anterior, para uma ocasião similar! A resposta que obtenho é que, “as pessoas já me viram com aquele vestido”! Para mim esta é uma justificação “descabida” porque na minha “perspectiva”, o mais interessante nessa cerimónia seja eventualmente “bater um bom papo” com o amigo que não vejo há algum tempo ou tomar um bom whiskey, sem a minima das preocupações, enquanto que na “dela”, o charme talvez esteja mesmo ai na “indumentária”. É possivel que, entre arquitectos e engenheiros, a questão se resuma a este “problema do vestido”
O que acontece normalmente, é que regra geral, cada um (engenheiro ou arquitecto) fica apenas preocupado com o seu umbigo! Não se preocupa em perceber as razões que outro apresenta porque, “ignoramos” o facto de que “não existe apenas uma solução, para qualquer que seja o problema”!
Eu sou daqueles engenheiros que, de vez em quando, gosta de dar “asas a imaginação” e projectar algumas “coisinhas”. Verdade seja dita, antes quis mesmo ser arquitecto, mas mudei de ideias (e sem ressentimentos) a altura! (Não estou de maneira alguma a legitimar ou promover a minha capacidade de elaboração de projectos….antes pelo contrário, dou sempre “a César o que é de César”!!) E fazer as duas coisas (projecto arquitectónico e cálculo estrutural), permite-me perceber parte do problema! É que uma alteração decorrente do cálculo estrutural, obriga a modificar grande parte das “assunções” /”previsões” do projecto arquitectónico! É exactamente aqui onde começa o “conflito”! E como sempre na vida, o “diálogo” que é um “equipamento bélico” ultra sofisticado e infalivel para resolver divergências, tende a ser substituido por “attitudes radicais” e “unilaterais” de ambas as partes!
Discussões francas e abertas são, profissionalmente, altamente produtivas! Me ocorre agora a memória, o falecido Arqto. Petrov, homem solitário, de muitas andanças pelo mundo fora e que vivia ali mesmo junto ao cruzamento entre as Avs. Mao Tse Tung e Amilcar Cabral, em Maputo! Devo confessar que, das muitas discussões “fervorosas” que “entusiaticamente” tivemos, aprendi imenso e passei a perceber melhor a “perspectiva arquitectónica”….Essas são oportunidades soberanas para “crescermos” profissionalmente, mas que muitos de nós desperdiçamos!
Engenheiros ou arquitectos que se tenham encontrado (ou se sintam) persistentemente em situações “irreconciliáveis” com a sua contra-parte, devem questionar, antes de mais, a sua “habilidade/capacidade de diálogo” e se houvesse um teste para o efeito, deveriam verificar a quantos “courics” anda o seu orgulho (barato)!
Um abraço a todos os “companheiros de armas” e espero ouvir as vossas experiencias “marcantes”, neste contexto!! E mesmo a calhar, vão os meus votos de um óptimo “fim de semana prolongado” do Trabalhador (disse isso mesmo: “prolongado”….Então, custa alguma coisa fazer uma “ponte” “simplesmente apoiada”, entre Quinta e Sexta-feira??)
Este é um sector em que se trabalha arduamente, mas regra geral, se aufere “pouco”…. É mais fácil progredir na vida sendo Economista ou Jurista, do que propriamente Engenheiro ou Arquitecto! Esta situação não se restringe apenas a Moçambique, e verfica-se um pouco pelo mundo fora, incluindo paises altamente desenvolvidos, mas há unanimidade em considerar que o nosso caso seja mais dramático!
Porém, não é sobre rendimentos e “profit” destes profissionais que quero falar! Pretendo dedicar este post a relação profissional entre ambos, quantas vezes “azeda”.
Ocorrem-me, para esse efeito, vários “ditos”, que ilustram essa “celeuma”, esse estado de “paz armada” ou se quiserem “guerra passiva” (ou activa??):
Em tempos lá idos de estudante, o venerado Prof. Carmo Vaz, terá afirmado, em “amena cavaqueira” que, “enquanto os arquitectos não se consciencializarem que, não podemos ter uma viga assim “solta” no ar, nós sempre teremos problemas”. Outra expressão memorável proferida por um Arquitecto (Rodrigues), é que “os engenheiros não passam de um bando de parasitas dos arquitectos” (esta até hoje ainda não percebi). É comum dos arquitectos ouvir-se ainda que, “os engenheiros são uns quadrados”. Eu concordaria com esta ultima, não propriamente com a carga pejorativa que esta expressão transporta, mas sobretudo com a “versatilidade” dessa forma geométrica! Nós vivemos do rectangulo (e sua forma particular, o quadrado), isso é um facto!…. “Estruturalmente” falando, essas formas geométricas encorpam o util e o agradável! Conferem-nos não só, óptimas caracteristicas resistentes, mas também, facilitam o processo constructivo. Muitos arquitectos, se calhar, ainda não se aperceberam que, também vivem dessas formas geométricas! Ninguém anda por ai a projectar “a toa”, salas ovais ou circulares, arcos em abóbada, etc! Essas surgem sempre, em minha opinião, como formas “arrojadas”! Provavelmente, a partir daqui, deveria comecar a ser dada uma nova abordagem a este argumento do “quadrado”!
Pessoalmente, devo dizer que tenho tantos amigos e colegas profissionais arquitectos, tantos quantos engenheiros! Não devo dizer que nunca tive “divergências”, mas asseguro que elas sempre ocorreram num espirito altamente profissional, e tendentes a aproximar “diferenças” e encontrar consensos! Devo dizer que, nem sempre é fácil, mas com o espirito aberto, qualquer das partes tem sempre oportunidade de aprender e de “sair a ganhar”!
Ocorre muitas das vezes, um “problema de perspectivas” ao abordar seja um assunto arquitectónico ou estrutural. E falando em “perspectivas” deixa-me abrir aqui um parentesis! Uma coisa que me deixa completamente “passado” (e provavelmente a muitos de vocês também) e que, todas as vezes que tenho que sair com a minha esposa para um casamento, ela tem que comprar um novo vestido, mesmo que o tenha feito numa semana anterior, para uma ocasião similar! A resposta que obtenho é que, “as pessoas já me viram com aquele vestido”! Para mim esta é uma justificação “descabida” porque na minha “perspectiva”, o mais interessante nessa cerimónia seja eventualmente “bater um bom papo” com o amigo que não vejo há algum tempo ou tomar um bom whiskey, sem a minima das preocupações, enquanto que na “dela”, o charme talvez esteja mesmo ai na “indumentária”. É possivel que, entre arquitectos e engenheiros, a questão se resuma a este “problema do vestido”
O que acontece normalmente, é que regra geral, cada um (engenheiro ou arquitecto) fica apenas preocupado com o seu umbigo! Não se preocupa em perceber as razões que outro apresenta porque, “ignoramos” o facto de que “não existe apenas uma solução, para qualquer que seja o problema”!
Eu sou daqueles engenheiros que, de vez em quando, gosta de dar “asas a imaginação” e projectar algumas “coisinhas”. Verdade seja dita, antes quis mesmo ser arquitecto, mas mudei de ideias (e sem ressentimentos) a altura! (Não estou de maneira alguma a legitimar ou promover a minha capacidade de elaboração de projectos….antes pelo contrário, dou sempre “a César o que é de César”!!) E fazer as duas coisas (projecto arquitectónico e cálculo estrutural), permite-me perceber parte do problema! É que uma alteração decorrente do cálculo estrutural, obriga a modificar grande parte das “assunções” /”previsões” do projecto arquitectónico! É exactamente aqui onde começa o “conflito”! E como sempre na vida, o “diálogo” que é um “equipamento bélico” ultra sofisticado e infalivel para resolver divergências, tende a ser substituido por “attitudes radicais” e “unilaterais” de ambas as partes!
Discussões francas e abertas são, profissionalmente, altamente produtivas! Me ocorre agora a memória, o falecido Arqto. Petrov, homem solitário, de muitas andanças pelo mundo fora e que vivia ali mesmo junto ao cruzamento entre as Avs. Mao Tse Tung e Amilcar Cabral, em Maputo! Devo confessar que, das muitas discussões “fervorosas” que “entusiaticamente” tivemos, aprendi imenso e passei a perceber melhor a “perspectiva arquitectónica”….Essas são oportunidades soberanas para “crescermos” profissionalmente, mas que muitos de nós desperdiçamos!
Engenheiros ou arquitectos que se tenham encontrado (ou se sintam) persistentemente em situações “irreconciliáveis” com a sua contra-parte, devem questionar, antes de mais, a sua “habilidade/capacidade de diálogo” e se houvesse um teste para o efeito, deveriam verificar a quantos “courics” anda o seu orgulho (barato)!
Um abraço a todos os “companheiros de armas” e espero ouvir as vossas experiencias “marcantes”, neste contexto!! E mesmo a calhar, vão os meus votos de um óptimo “fim de semana prolongado” do Trabalhador (disse isso mesmo: “prolongado”….Então, custa alguma coisa fazer uma “ponte” “simplesmente apoiada”, entre Quinta e Sexta-feira??)