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06 julho 2012

Recursos Minerais e Hidrocarbonetos de Moçambique: A Quadrilha Volta ao Ataque!! – Conclusão


Moçambique dispõe de vastas reservas de carvão mineral, com particular destaque para as localizadas nas províncias de Tete e Niassa. O valor de reservas consideradas como provadas é de 6 biliões de toneladas. Para além da área de Moatize, existem diversas outras áreas em que decorrem trabalhos de pesquisa ou de avaliação de reservas.

Assumindo que o Estado Moçambicano vai deter 15% do Projecto de Carvão de Moatize em parceria com a Brasileira Vale, e tendo em conta que, dos 6 milhões de toneladas de capacidade correntemente instalada no terminal de carvão do porto da Beira (num futuro próximo, a capacidade irá aumentar para cerca de 20 milhões de toneladas por ano), e os utilizadores deste terminal vão partilhar a capacidade útil daquela infra-estrutura na proporção de 68% para a Vale e 32% para a Rio Tinto, significa que a quantidade anual exportada pela Vale será de 4 milhões de toneladas (13,6 milhões no futuro) e 2 milhões de toneladas para a Rio Tinto (6,4 milhões no futuro).

O preço de venda de carvão mineral no exterior é baseado no seu valor energético, e é sobejamente conhecida a elevada qualidade do carvão de Moatize. Para efeitos de simplificação e tomando como referência o preço do carvão de queima normal e descontando o custo de transporte e potenciais “despesas supérfluas” a serem declaradas, o encaixe líquido das mineradoras por tonelada métrica do nosso carvão não se situará abaixo dos 100 USD/ton. Trocando isso em miúdos, isso significa que, com a actual capacidade instalada no porto da Beira, a facturação líquida da Vale será de 400 milhões de dólares/ano (1,4 biliões no futuro) e da Rio Tinto será de 200 milhões de dólares/ano (640 milhões no futuro). Isso significa que só pela sua participação no Projecto da Vale, o Estado Moçambicano arrecadaria 60 milhoes de dólares (210 milhões no futuro), aos quais se adicionariam 18 milhões (60 milhões no futuro) pelos irrisórios 3% do imposto de exportação, perfazendo uma totalidade de 80 milhões de dólares/ano (300 milhões no futuro). A esta quantia seriam adicionados os valores referentes a outros impostos como o imposto de superfície (função da área explorada pela companhia), e outros impostos e taxas previstas na legislação vigente no país sobre a matéria

Quando a linha férrea Moatize-Nacala e o terminal de carvão do porto de Nacala estiverem prontos, o mesmo exercício deve ser feito para aquele ponto de saída. Por outro lado, os custos unitários de tonelada métrica de carvão mineral poderão sofrer agravamentos, com a recente onda mundial de contestação de centrais nucleares, o que põe o carvão como o material energético imediatamente à disposição, muito antes que as “soluções limpas” (energia solar, eólica, etc) estejam prontas para implementação em larga escala.

“Agora cabe a cada Moçambicano decidir se este dinheiro deve ir para os cofres do Estado ou para os bolsos de Guebuza e seus amigos!!”   

Conforme dizia o outro, “if you stand for nothing, you may fall for anything”, e aqueles um bocado atentos, conseguem ver, por um lado, o nosso Executivo ser puxado por todas as partes da sua indumentária, para simultaneamente atender encontros em capitais ocidentais e orientais, onde são servidos iguarias e tratados como lordes, cinicamente – diga-se de passagem. Por outro lado, este mesmo Executivo tem adoptado uma estratégia de “esvaziar as expectativas sobre os resursos minerais e confundir o Povo Moçambicano”!!

Essa estratégia consiste em “misturar os assuntos de carvão mineral com gás natural, ao mesmo tempo que se omite a existência de carvão mineral”!!

De repente, o carvão mineral desapareceu da circulação!! Esse mesmo carvão cujo processo de exploração começou em 2004 e neste ano de 2012 as exportações já estão a decorrer!! Cada navio de grande calado que larga do porto da Beira leva consigo acima de 35 mil toneladas do nosso carvão, o que mesmo em estimativas pessimistas, não deverá situar-se em encaixes líquidos inferiores a 3,5~4 milhões de dólares por parte das mineradoras/navio.

Da boca do Executivo Moçambicano só se ouve “Gás natural, gás natural...2018, 2018.....vai levar tempo, vai levar tempo.....temos que ter paciência, temos que ter paciência.....Adormeçam,....blah, blah,.....Adormeçam......”.

Neste momento, do PR só falta ouvir que “Os recursos minerais são uma maldição”!!

Mesmo os acólitos do regime, com a sua “sociologia para boi dormir” já vieram à terreiro sugerir ao Povo Moçambicano a sua aceitação e complacência para com “as imperfeições dos nossos políticos”!! Ou seja, “mesmo que o teu líder político seja um corrupto, ladrão, delapidador, vende-pátria, etc, vá para casa e durma descansado”!! E, não me causou surpresa que, na sua longa esteira de muita parra e pouca uva, nem sequer em uma linha, a expressão “carvão mineral” venha mencionada!! “Gás natural, gás natural,......durmam Moçambicanos, durmam........”!! 

Mas que não se pense que haja aqui alguma distracção. O jogo aqui é muito claro: “O presidente do meu partido e seus sequazes pretendem açambarcar as participações do Estado para seu uso privado, golpeando tremendamente as potenciais receitas para o Estado (mantendo-o assim pedinte) e que os Moçambicanos aguardem pelo que se irá (provavelmente) obter da exportação do gás natural,.......a partir de 2018”!!

Da mesma forma que a “imperfeição dos políticos” é matéria a ser rejeitada de imediato, todo o Moçambicano tem que estar alerta e preparado para defender e impedir o “roubo dos recursos do Estado que está a ser preparado”!!

Que, de agora em diante, qualquer abordagem aos recursos minerais e energéticos do país seja devidamente especificada!! Uma coisa é “carvão mineral” e outra, bem distinta, é “gás natural”!!

Que, a partir de agora, os meios de comunicação e o país inteiro se empenhem a discutir em hasta pública, quais são os ganhos do Estado Moçambicano pela exploração destes recursos, descriminando evidentemente o que se obterá de cada mineradora!!

Esta é a única maneira de defendermos os nossos interesses colectivos!!

“Acordem Moçambicanos”!!!

04 julho 2012

Recursos Minerais e Hidrocarbonetos de Moçambique: A Quadrilha Volta ao Ataque!!


Construir uma burguesia nacional é um processo que não acontece da noite para o dia, mormente quando se trata de um país a sair de um regime comunista, onde a propriedade privada era estrictamente proibida. Outro factor crucial é a mentalidade de que está imbuída essa classe que aspira a ser burguesa! No nosso caso, não é um exagero dizer que a mesma é “predadora” em vez de “criadora”. Superabunda o instinto pelo lucro fácil, sem esforço nenhum, sem trabalho!! Vai daí que os indivíduos que se alega deter poderio económico se encontram invariavelmente em círculos do poder político e o que aventam ser sua riqueza, não passa de migalhas recebidas por via de “tráfico de influência”, na sua imparável acção de “vender a sua própria pátria”!!

Nestes 20 anos do pós-guerra, este grupelho tem se empenhado em pegar em toda a propriedade Estatal que esteja pronta, saudável e a dar lucro fácil. Vimos esta acção quando o anterior PCA do IGEPE apareceu na imprensa a anunciar a intenção de venda das  acções da Moçambique Celular (Mcel). Esta confirmação surgiu depois do anúncio da pretensão de venda de parte das participações do Estado na Empresa Moçambicana de Seguros (Emose) e na Petróleos de Moçambique (Petromoc).

E, da boca do ilustre ex-PCA, que certamente não foi parte das suas ideias, mas instruções dadas pelo seu ex-Senhorio, “Queremos dar a oportunidade aos Moçambicanos de ganharem dinheiro, participando em empresas que tenham rendimentos. Queremos criar um empresariado nacional forte e, neste contexto, não basta oferecer a oportunidade de os Moçambicanos comprarem acções de empresas que não sejam rentáveis, mas o ideial é que devam participar nas rentáveis”.

O que Hamela disse, é um exemplo vivo do muito que anda errado neste país: A ideia que, uma certa “casta iluminada” deve ficar rica!! Mas ela não precisa de trabalhar!! Precisa apenas de açambarcar os recursos Estatais que não foram adquiridos com dinheiro de nenhum deles, mas do suor e trabalho de todos os Moçambicanos!!

No caso da Mcel, a ideia não foi avante, porque os vietnamitas vieram com um plano perfeito para encaixar os “apetites predadores” desta malta, sob a forma de uma participação minoritária na “Movitel”!! A ideia que se vende é que “estes Moçambicanos que devem ficar ricos, já são na verdade ricos”!! Mas a sua participação de 20% na estrutura accionária mostra que eles não são tão ricos como se pretendem pintar!! De facto, estes 20% podem ser a sua compensação pelo “tráfico de influência” que permitiu não só, a abertura para a introdução de uma terceira operadora (quando esse cenário praticamente não existia), mas a garantia que a “empresa indicada” ganhasse o concurso internacional ora aberto.

Numa altura em que se exige uma acção mais vigorosa do Estado na exploração dos nossos recursos, por forma a aumentar as receitas que irão ajudar nos planos de desenvolvimento do país inteiro, “a quadrilha voltou ao ataque”!! Quando o Estado Moçambicano deveria aumentar a sua participação no Projecto de Carvão de Moatize (e todos os outros) dos irrisórios 15%, o “plano de assalto” pretende distribuir essas acções (propriedade de todos os Moçambicanos), por entre a “casta iluminada”!!

A ideia de, dinheiro que deveria entrar directamente para os cofres do Estado, para ser empregue na construção de estradas, escolas, hospitais, melhorar os salários na função pública, etc, passar a ser transferido para contas privadas no exterior!! Que o país estará melhor e bem servido se “Guebuza e a sua Entourage” pegarem neste dinheiro para simplesmente comprar “Jaguares e Hummers” para os seus filhos!!!

Num mundo em que cada vez mais, todo o pensamento deve levar a etiqueta de “esquerda” ou “direita”, e a lógica e razão passam a ser substituídas por “ideologia”, devo dizer que a “privatização de assets do Estado” não é uma acção de todo maléfica!! Mas que fique claro, e que seja doravante adoptado como “Princípio Sagrado do Estado Moçambicano”, que nenhuma empresa Estatal ou por Ele participada, que gere rendimentos e seja lucrativa, deva sob forma ou circunstância alguma, ser levada à privatização!!

“Que sejam privatizadas a Mabor, a Boror e toda outra empresa que esteja neste momento a criar bolor”!!

Que estes “ricos que devem ficar mais ricos” entendam de uma vez por todas que não é roubando recursos do Povo Moçambicano que irão chegar ao patamar de burgueses que tanto aspiram!! Se entendem que a “riqueza é o vosso direito natural”, ide antes de mais trabalhar!! Usem a vossa imaginação, as vossas mãos, a riqueza que dizem hoje ostentar e criem algo!! Façam alguma coisa e deixem de, sem vergonha na cara, roubar continuamente ao Povo Moçambicano!!

No caso da “Movitel”, com ou sem tráfico de influência, eu bato as palmas, porque ao menos criaram algo!!

Se entendem que têm capacidade e recursos para deter acções em projectos de extracção mineira, então criem a vossa empresa, iniciem a prospecção e exploração desses recursos!! Eu serei o primeiro a exigir que o Estado Moçambicano vos conceda uma licença sem custos e vos ofereça as maiores facilidades e benefícios fiscais!! Criem algo e deixem de ser meros predadores e delapidadores!!

E, se esta ideia de açambarcar as acções do Estado no Projecto de Carvão de Moatize for adiante, então está no direito e dever de todo o Moçambicano do Rovuma ao Maputo, se fazer à rua e exigir a devolução da sua legítima propriedade!! Qualquer consequência adversa neste processo não será imputada a mais ninguém, senão a esta “casta de predadores” que não sabe fazer outra coisa para além de delapidar a riqueza do Povo Moçambicano!!

Não digam depois que não foram avisados!!

03 julho 2012

Recursos Minerais e Hidrocarbonetos de Moçambique: A Quadrilha Volta ao Ataque!! - Nota Introductória


De há 2 anos para cá, importantes descobertas de uma vasta gama de jazigos minerais, incluindo recursos energéticos como o carvão mineral, o gás natural e a crescente possibilidade de existência de petróleo no nosso subsolo, tem aumentado consideravelmente os níveis de expectativa internos, ao mesmo tempo que vai atiçando os apetites vorazes de multinacionais do sector (veja-se por instantes, a batalha e os balúrdios envolvidos na aquisição de 8% de acções detidas pela Cove Energy no projecto de exploração de gás no Rovuma)!!

Recursos energéticos são a fonte que tem alavancado o desenvolvimento em toda a parte, seja em países desenvolvidos ou aqueles que se encontram nesse processo! E, os países que detêm esses recursos, devem se dar por abençoados!! Abençoados, sim, porque tem possibilidades de aumentar a sua riqueza e passam a ser objecto de cobiça de todos os outros!! Mas para que essa benção se efective, se converta em algo palpável, é preciso que esse país tenha um plano, saiba definir e implementar as vias pelas quais alcançará a sua soberania económica pela exploração desses recursos!! E, essas vias, de forma alguma se podem dissociar do facto desse país se por a frente e ao volante do processo, de se empenhar na prospecção, exploração e venda dos seus próprios recursos energéticos!!

Enquanto não podemos executar autonomamente todas estas partes do processo, o objectivo deve ser o de aumentar progressivamente a nossa participação nestes projectos, ao mesmo tempo que vamos enrobustecendo o nosso capital humano, técnico e financeiro, através destes investimentos feitos em parceria com as muti-nacionais aqui presentes. Numa fase inicial, esse capital (humano, técnico e financeiro) deve ir encorpando os Organismos e as empresas estatais (ou participadas pelo Estado) do ramo, como a E.N.H, a Empresa Moçambicana de Exploração Mineira (EMEM), o Instituto do Petróleo, Ministério dos Recursos Minerais, entre outros, servindo assim como núcleos embriónicos, a partir dos quais, se formarão outras empresas moçambicanas de capital privado (ou também participadas pelo Estado), que irão atacar a exploração dos nossos recursos a toda a escala, por nossas ideias, nossos equipamentos, nossos investimentos!!

Mas, se por outro lado, a nossa “estratégia” se limitar a apenas cobrar 3% de impostos (ou seja, nos contentamos em reter 3 partes de um universo de 100, “porque a África do Sul também cobra essa percentagem”) calculados de uma produção que não controlamos, nem na fonte, nem nos meios de transporte, nem nos portos de saída, com o agravante que os preços de venda “são declarados pela concessionária” e nos limitamos só a carimbar os papéis, então o país estará a colocar-se voluntariamente numa rota de desastre. E no fim, para tornar o quadro da nossa miséria mais negro, serão descontadas todas as despesas supérfluas que a concessionária declarar ter incorrido no âmbito das suas actividades!!

E, falando em “despesas supérfluas”, é uma multi-nacional usando dos perdiems que paga aos nossos jornalistas, divulgar com destaque na nossa imprensa, que gasta mais de 200,000 USD por dia só em questões de segurança da sua plataforma exploratória, “por causa da ameaça dos piratas”!! Os patriotas dos nossos jornalistas, por entre os duplos de whisky e os arrotos a postas de bagre, tiveram ocasião de verificar quantos barcos estavam ali para a missão de segurança? Quantos homens estavam destacados para essa tarefa? Pediram para ver os contratos assinados com essas supostas empresas de segurança?? Aferiram se é isso que se paga em situaçoes similares?? É que já tivemos vários episódios de homens embarcando ou desembarcando no Aeroporto de Nampula na posse de armas potentes, que se veio a saber mais tarde, se destinavam a essa missão de segurança na bacia do Rovuma. Nesses casos todos, nunca se falou de exércitos inteiros, mas invariavelmente de 2 ou 3 indivíduos, ex-marines ou mercenários de proveniência qualquer.

Ao lançar “de forma desinteressada”, o comunicado salientando as suas “despesas de segurança” e cativando no imaginário colectivo Moçambicano a imagem de uma multi-nacional endinheirada, que até se dá ao luxo de gastar 200,000 USD/dia só em segurança, a verdade é que essa quantia, fictícia que seja, será paga pelo Povo Moçambicano!!  Essa quantia vai ser deduzida dos míseros 3% que achamos suficiente cobrar a estas empresas pelos biliões de dólares que estão e irão certamente fazer, pela exploração dos nossos recursos!! E, nessa altura, estes "comunicados de imprensa" serão parte fundamental da "prova irrefutável" que estas despesas de facto ocorreram!!

Se se perguntar ao Joãozinho (que é um medíocre e paradoxalmente famoso aluno), “Com quanto fica Moçambique”?? A resposta do rapaz será um sonoro: “Nada”!!

A manter-se este cenário, podem passar-se centenas ou até milhares de anos, a realizarmos semanalmente seminários sob o tema “Como Obter os Benefícios da Exploração dos (Nossos) Recursos Minerais”!!

Mas o resultado será este mesmo do Joãozinho: “Nada”!!

16 setembro 2008

Empresários “Três Pedras” e a Companhia Vale do Rio Doce em Moçambique!

"The critical ingredient is getting off your butt and doing something. It's as simple as that. A lot of people have ideas, but there are few who decide to do something about them now. Not tomorrow. Not next week. But today. The true entrepreneur is a doer, not a dreamer."
Nolan Bushnell, founder of Atari and Chuck E. Cheese's

Todos os dias vemos e ouvimos falar de milhares de “novas” empresas sendo constituidas nos vários ramos de actividade nesta “Pérola do Índico”. O que não se ouve depois, é o que essas empresas estão exactamente a fazer e, de que modo têm estado a contribuir para esta economia ainda extremamente carente de produtos e de produção. Essa é a triste realidade do nosso Empresariado!
Para quem lê publicações como o “Africa Intelligence” , não custa ver que a maioria destes ditos empresários, não passa de indivíduos bem conectados nos meandros políticos e subsequentemente, detentores de “informação previlegiada”! A correria que se nota na abertura dessas empresas não tem sido essencialmente para fazer algo em prol do desenvolvimento desta nação, mas apenas obter lucro fácil ou ocupar posições “favoráveis” para tirar proveito de situações que venham a ocorrer num futuro imediato. Trocando em quinhentas, estes indivíduos limitam-se a apanhar “Três Pedras”, assentam-nas no chão, põem-se à sombra da bananeira e ficam a espera de quem queira aquecer água ou preparar uma refeição. Nessa altura, eles acorrem “solícitos”, indicando que já têm “Três Pedras” preparadas e assentes no chão, e que bastará ao “parceiro”, apenas trazer a panela de barro, a água e os ingredientes para a refeição! E, como recomendação de última hora, “que não se esqueça também da lenha”! Estes são os famosos “Empresários Três Pedras”, de que Moçambique se encontra neste momento completamente infestado!

Estes indivíduos nunca fizeram nada na vida, não sabem fazer e, o que considero grave, não estão interessados em aprender e começar efectivamente a produzir! Ninguém, mas absolutamente ninguém, fará uma “parceria” com um agricultor que tudo o que tem para oferecer é a área concessionada, ou com um pescador cuja contribuição será apenas a sua “licença” de exploração da actividade! Enquanto não começarmos a produzir, a ter efectivamente algo realizado, não faz sentido algum, aquela carrada de “Empresários Três Pedras” que normalmente acompanham as visitas presidenciais! Isso, meus senhores, é um autêntico disperdício de recursos! Mesmo quando essas parcerias são efectivadas, assistimos à detenção de porções minúsculas do capital investido e posições enfraquecidas e insignificantes dos nossos “homens de negócios”! Mesmo com isso, parece que ficam contentes e sentem em si a materialização do “black-empowerment”! É preciso começarmos a criar a mentalidade de que nós é que devemos assumir as posições de liderança nos empreendimentos que forem a ocorrer no nosso território. E isso não se faz a correr com “Três Pedras” de um lado para o outro!

O futuro é uma coisa incerta, mas há vezes em que a “natureza” e os “fenómenos” do dia-a-dia, nos lançam um sinal de “alerta” para mudarmos de atitude! Nessas ocasiões, é preciso estar-se atento para perceber esses eventos e tirar as ilações necessárias para que à posteriori se tomem as medidas apropriadas!
Tivemos recentemente um furor autêntico por causa do projecto PROCANA! Não haja dúvidas que houve com “antecedência” vários “Três Pedras”, indo assentar a sua “maquinaria” nas redondezas de Massingir! Infelizmente, quis a “natureza” (leia-se “negligência”) que tivessemos aquela barragem seriamente danificada pelo acidente aqui reportado. Agora, o que farão esses nossos “empresários”?? Vão pegar nas suas “pedras” e correr a assentá-las nas redondozas de Chicamba? Ou irão para Sussundenga?? É que, se você não exerce actividade alguma, é possível que esse seja o cenário mais provável a seguir! “Correr de um lado para o outro”!

Em relação à Companhia Vale do Rio Doce, sabemos que esta poderosa empresa ganhou uma concessão de exploração de 2,4 biliões de toneladas de carvão mineral em Moatize, no remoto ano de 2004. Dois anos depois, submeteu ao Governo Moçambicano, os respectivos estudos de viabilidade técnica e financeira! Porém, até aqui, esta empresa pouco ou nada tem avançado em termos de progresso “real” no terreno! Alguma imprensa tem referido que há discussões “carnívoras” em relação as tarifas a pagar pela utilização da “via natural” (Linha de Sena) para o escoamento desse produto desde Moatize até ao Porto da Beira.
No entanto, é preciso um olhar incisivo para perceber o que efectivamente está a acontecer aqui:
Esta empresa, para não variar, teve vários “Três Pedras” a tomar posições estratégicas, por forma a tirar proveito particular e exacerbado desse mega-projecto que estaria para ser executado. “Pegaram” na linha de escoamento, pegaram nas instalações ferro-portuárias, pegaram nas Terminais de Carga, etc, cientes de que não “haveria como”, que o processo teria que decorrer pela via onde já tinham assentado as suas “pedras”. Mau agrado, o estudo de viabilidade da CVRD indicava o Porto de Nacala e um eventual novo troço ferroviário ligando Moatize a esse local, como uma alternativa mais “cost-effective” que a linha de Sena (Suponho que Ministério dos Recursos Minerais já tenha comprovado a plausibidade desse estudo)! Isso, naturalmente que criou (está a criar) sérios problemas “gastro-intestinais” aos nossos empresários “Três Pedras” envolvidos nesse empreendimento! E, como parece que a melhor solução indicada nos “cânones” da sua actividade quando ocorrem “eventualidades”, é correr com as “pedras” para outro local que se afigure seguro, não era de admirar a “operação magnética” que conduziu à imediata “apropriação” do “Corredor de Desenvolvimento do Norte”.
Agora temos a CVRD que, na impossibilidade de prosseguir com a opção que lhe permitiria viabilizar melhor o seu negócio, e com toda a razão, se vê na contingência de negociar “tarifas” mais acessíveis para utilizar (obrigatoriamente) a “via natural” onde os nossos “bradas” já têm assentes as suas “pedras”!

Portanto, vemos aqui, os benefícios sociais de empregos que estariam sendo criados, escolas e hospitais construídos, etc, sendo adiados por causa da ganância, lucro fácil e ambição que não vê a meios nem princípios! E Kwame Nkrumah há 40 anos estava certo quando disse que o empresário africano não estava interessado para, através da sua actividade, contribuir para o desenvolvimento da sua terra! Isso continua a ser actualidade fresca!

A ironia disto tudo é que, olhando para as maiores concessões atribuidas, a produção anual associada da CRVD, Riversdale e CAMEC ultrapassará em mais de 5 vezes, a capacidade de escoamento de 8 milhões de toneladas da “via natural”! Em vez das nossas instituições e os nossos “Três Pedras” mais poderosos, aproveitarem esta oportunidade única para revolucionarem de forma integrada os nossos sistemas de transporte (rodoviário, ferroviário, fluvial e maritimo), principalmente nas regiões centro e norte do país, as pessoas estão apenas preocupadas com os seus umbigos, a olhar para os seus bolsos e a procura de lucro fácil!

Se é para confiarmos o desenvolvimento desta nação a estes “Três Pedras” ineptos e ociosos, então continuaremos a assistir a Engenheiros “verdes”, com evidentes e remotas capacidades de poderem calcular uma viga simplesmente apoiada, e apenas porque têm tentáculos nos corredores políticos, a ganharem concursos de obras que recomendariam experiência comprovada de dezenas de anos de actividade. E, ademais, transpirando depois que afinal nem sequer estavam legalmente constituidos para se habilitarem a participar nesses concursos, “let alone” a lhes serem atribuídos os projectos!

Se é para confiarmos o desenvolvimento desta nação a estes “Três Pedras” ineptos e ociosos, então continuaremos a assistir à “apropriação” exacerbada e desmedida do património público nacional, extravasando todos os limites do admissivel e passaremos a breve trecho, nem sequer a dispôr de um espaço para expôr o que os poucos e empenhados empreendedores têm estado a produzir pelo país a fora.

Este não é um apelo à oposição ou às organizações da sociedade civil! É antes, a todos aqueles que se encontram nos círculos onde estas decisões maquiavélicas são tomadas e implementadas! As “armadilhas” e as “pedras” que têm estado a ser assentadas por esta “Pérola” nos últimos tempos, brevemente não olharão sequer para as caras das suas vítimas! Serão como um “bulldozer” em plena “Operação Murambatsvina”! E todos nós vamos sentir os seus efeitos nefastos! É bom acordarmos enquanto o caldo não está ainda todo entornado!!

É que aqui em Moçambique ouve-se muito a história de indivíduos que querem ficar ricos e recorrem a curandeiros para obter essas benesses! Nestes casos, estes indicam que para que tal aconteça, é necessário sacrificar um membro da família! A ideia inicial dos “aventureiros” é que será apenas uma “vítima”! No entanto, depois apercebem-se que os sacrificios têm que ser feitos de forma contínua e, conta-se, vai um a um dos membros dessas famílias!

A família moçambicana precisa de enriquecer! Esse é um imperativo nacional! Mas que o façamos de forma adequada, trabalhando arduamente, respeitando as leis, as pessoas, o património do Estado e, fundamentalmente, que no meio das nossas ambições pessoais, pensemos também no contributo que devemos dar à nação, aos demais que são parte integrante do nosso “Empresariado de Sucesso”!

John Davison Rockefeller, que revolucionou a indústria petrolífera e que apesar das suas tendências monopolistas, não só orientou sempre a sua actividade profissional para fornecer produtos petrolíferos “baratos” e de “qualidade”, como também se destacou após a sua aposentação, como um dos maiores filántropos que a humanidade alguma vez conheceu! Nós Africanos precisamos aprender do exemplo dessas gentes porque, ao fim do dia, a nossa estadia temporária nesta terra não deve exceder mais do que 100 anos! De que adiantará fazer fortuna, atropelando principios, leis, pessoas e Estados, quando não poderemos levar um tostão sequer ao "partirmos desta para a outra"? Esse dinheiro será apenas esbanjado para os comeretes e beberetes nas subsequentes e intermináveis cerimónias fúnebres e de defunto que inevitavelmente se irão realizar!