“Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais do que outros!!”
George Orwell in Animal Farm
O assunto do dia é a recente “chicotada psicológica” de Eneas Comiche, Autarca que, conforme a avaliação unânime de vários sectores da sociedade civil moçambicana e da capital do país em particular, estava a pôr o “comboio nos carris”!
Muito tem sido dito e especulado a este respeito e, como um “worried citizen”, me sinto compelido a partilhar alguns “centavos” do meu humilde ponto de vista. Há aqui 4 pontos fulcrais que julgo necessitarem de um debate urgente:
1) Conforme informação avançada pelos media, vozes sonantes no panorama politico do partido no poder, afirmam em uníssono que “Comiche, de resto trabalhou bem, mas falhou na solução dos problemas das bases”. Alguém sabe por acaso o que significa ou quem são essas tais “bases”?? Está claro, mesmo para o cidadão mais incauto que, as ditas “bases”, não passam de “interesses de membros do partido”, as habituais “portas à cavalo”, o “nepotismo”, “clientelismo”, “favoritismo” e todos esses “ismos” promíscuos que permeam e se cristalizam na nossa sociedade, a ponto de passarem a ser considerados como, “processos normais”! Estarão com isto, os nossos camaradas referindo que, “dentre os animais, há uns que sejam mais iguais que os outros??” Que há resolução de problemas para os “telhados” e para as “bases”?? E o cúmulo disto tudo é que, ao falarem nestes termos, de “boca bem cheia e aberta” e sob o olhar impávido e sereno das nossas instituições judiciais, estes senhores nem sequer se estejam a dar conta que estão a violar a “Constituição da República”! O Artigo nº 35 (Princípio da universalidade e igualdade) refere e passo a citar:
“Todos os cidadãos são iguais perante a lei, gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres, independentemente da cor, raça, sexo, origem étnica, lugar de nascimento, religião, grau de instrução, posição social, estado civil dos pais, profissão ou opção política”.
Nada vem aqui indicado de tratamento diferenciado e previlegiado, conforme o cidadão pertença ou não às “bases” do partido que esteja no poder, como estes senhores estão a “reclamar”, a ponto de parecer que algum dos seus “direitos adquiridos” lhes esteja a ser limitado e negado.
2) Outra afirmação que praticamente endorsa a “boa governação de Comiche” é aquela que refere que: “nos trabalhos que ele fazia, sentia-se que o partido não sabia”! Fica claro para nós, pacatos cidadãos, que Comiche era “one man’s mind”, que pensava por si e agia de acordo com a lei e com as posturas municipais, coisa que esta gentalha parece não estar habituada e pelos vistos não aceita! Portanto, pode se depreender que o perfil de Autarca que estes camaradas querem é o de um autêntico “pau-mandado”! Que a cada vez que o presidente do Município for ao “Café da Esquina” tenha que informar ao Partido. A este andar, não admira que, caso seja eleito pelo eleitorado, Simango tenha que mandar emails ou faxes à sede do partido, a cada vez que for usar o banheiro do Edificio Municipal!!
3) Esta sociedade civil sabe que, em eleições internas recentes desse mesmo partido, os resultados foram anulados e o candidato vencedor fora posteriormente escorraçado, como forma a satisfazer o que as suas lideranças pretendiam. Se o mesmo critério ocorresse actualmente, veriamos Simango ter o mesmo destino. Portanto, o silêncio “ensurdecedor” dessas lideranças prova que ela se conforma com o “outcome” dessas eleições internas. Acerca disto, gostaria de dar um pequeno olhar à composição do nosso actual elenco governativo: quando se fez aquela autêntica “salada russa” de ministros e ministérios, a ideia inicial que pairou entre nós, foi que a “limpeza geral” tinha como objectivo “imprimir uma nova dinâmica” (como a Zenaida gosta de ironizar), mas hoje, vistas bem as coisas, a motivação real disso tudo era “deter o poder absoluto”. Portanto, ponho um sindicalista a cuidar da Agricultura, um agrónomo nas Obras Públicas (e por ai adiante), e porque esses indivíduos não entendem dos seus pelouros, “eles fazem o que eu ordenar” e eu sem possibilidades reais de obter desafios ou confrontação de posições! Nessa ordem de ideias, Comiche, que abertamente denunciou os efeitos contraproducentes da dupla Administração, (e por essa via, desafiando o poder instituido, que criou e pôs em prática essas medidas) perdeu o perfil de “pau-mandado”, de “yes-man incondicional”, de apóstolo do “chefe nunca está errado” e passou a ser um “homem errado, no lugar errado”! É possivel que o agora escolhido, seja um homem remoto-controlado, que funcione como vem indicado no catálogo!
4) Este processo todo, manda uma mensagem clara a esta juventude, grande parte dela constituinte do actual elenco de Comiche e cujos resultados do trabalho zeloso já estão a ser vividos pelos munícipes:
- “Que a governação em Moçambique, ainda serve apenas para acomodar os interesses partidários, das elites governativas e dos parasitas a elas associadas”.
- “Uma vez não fazendo parte das bases, que o povo se lixe, visto que, tudo o que for feito a seu respeito, não entra na equação de avaliação final do desempenho do governante”!
- “Que quem quiser agir de acordo com a legalidade e a ordem institucional, passa a ser um individuo indesejável”.
No entanto, esta é uma oportunidade soberana para as gentes de Maputo, que pouco ou nada sabem dos feitos do ministro sorridente, darem uma verdadeira lição a este partido e mostrá-lo que está completamente “out of touch” do seu eleitorado! Que qualquer governação se limita única e exclusivamente a servir ao povo e não aos interesses de uma minoria ociosa e que julga que tem o rei na barriga!
Imbuidos desse espirito ardente de cidadania participativa, esta é altura de nos levantarmos e exigirmos uma governação que esteja comprometida e em sintonia com os interesses da maioria, dos “telhados” e não das “bases”!!
George Orwell in Animal Farm
O assunto do dia é a recente “chicotada psicológica” de Eneas Comiche, Autarca que, conforme a avaliação unânime de vários sectores da sociedade civil moçambicana e da capital do país em particular, estava a pôr o “comboio nos carris”!
Muito tem sido dito e especulado a este respeito e, como um “worried citizen”, me sinto compelido a partilhar alguns “centavos” do meu humilde ponto de vista. Há aqui 4 pontos fulcrais que julgo necessitarem de um debate urgente:
1) Conforme informação avançada pelos media, vozes sonantes no panorama politico do partido no poder, afirmam em uníssono que “Comiche, de resto trabalhou bem, mas falhou na solução dos problemas das bases”. Alguém sabe por acaso o que significa ou quem são essas tais “bases”?? Está claro, mesmo para o cidadão mais incauto que, as ditas “bases”, não passam de “interesses de membros do partido”, as habituais “portas à cavalo”, o “nepotismo”, “clientelismo”, “favoritismo” e todos esses “ismos” promíscuos que permeam e se cristalizam na nossa sociedade, a ponto de passarem a ser considerados como, “processos normais”! Estarão com isto, os nossos camaradas referindo que, “dentre os animais, há uns que sejam mais iguais que os outros??” Que há resolução de problemas para os “telhados” e para as “bases”?? E o cúmulo disto tudo é que, ao falarem nestes termos, de “boca bem cheia e aberta” e sob o olhar impávido e sereno das nossas instituições judiciais, estes senhores nem sequer se estejam a dar conta que estão a violar a “Constituição da República”! O Artigo nº 35 (Princípio da universalidade e igualdade) refere e passo a citar:
“Todos os cidadãos são iguais perante a lei, gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres, independentemente da cor, raça, sexo, origem étnica, lugar de nascimento, religião, grau de instrução, posição social, estado civil dos pais, profissão ou opção política”.
Nada vem aqui indicado de tratamento diferenciado e previlegiado, conforme o cidadão pertença ou não às “bases” do partido que esteja no poder, como estes senhores estão a “reclamar”, a ponto de parecer que algum dos seus “direitos adquiridos” lhes esteja a ser limitado e negado.
2) Outra afirmação que praticamente endorsa a “boa governação de Comiche” é aquela que refere que: “nos trabalhos que ele fazia, sentia-se que o partido não sabia”! Fica claro para nós, pacatos cidadãos, que Comiche era “one man’s mind”, que pensava por si e agia de acordo com a lei e com as posturas municipais, coisa que esta gentalha parece não estar habituada e pelos vistos não aceita! Portanto, pode se depreender que o perfil de Autarca que estes camaradas querem é o de um autêntico “pau-mandado”! Que a cada vez que o presidente do Município for ao “Café da Esquina” tenha que informar ao Partido. A este andar, não admira que, caso seja eleito pelo eleitorado, Simango tenha que mandar emails ou faxes à sede do partido, a cada vez que for usar o banheiro do Edificio Municipal!!
3) Esta sociedade civil sabe que, em eleições internas recentes desse mesmo partido, os resultados foram anulados e o candidato vencedor fora posteriormente escorraçado, como forma a satisfazer o que as suas lideranças pretendiam. Se o mesmo critério ocorresse actualmente, veriamos Simango ter o mesmo destino. Portanto, o silêncio “ensurdecedor” dessas lideranças prova que ela se conforma com o “outcome” dessas eleições internas. Acerca disto, gostaria de dar um pequeno olhar à composição do nosso actual elenco governativo: quando se fez aquela autêntica “salada russa” de ministros e ministérios, a ideia inicial que pairou entre nós, foi que a “limpeza geral” tinha como objectivo “imprimir uma nova dinâmica” (como a Zenaida gosta de ironizar), mas hoje, vistas bem as coisas, a motivação real disso tudo era “deter o poder absoluto”. Portanto, ponho um sindicalista a cuidar da Agricultura, um agrónomo nas Obras Públicas (e por ai adiante), e porque esses indivíduos não entendem dos seus pelouros, “eles fazem o que eu ordenar” e eu sem possibilidades reais de obter desafios ou confrontação de posições! Nessa ordem de ideias, Comiche, que abertamente denunciou os efeitos contraproducentes da dupla Administração, (e por essa via, desafiando o poder instituido, que criou e pôs em prática essas medidas) perdeu o perfil de “pau-mandado”, de “yes-man incondicional”, de apóstolo do “chefe nunca está errado” e passou a ser um “homem errado, no lugar errado”! É possivel que o agora escolhido, seja um homem remoto-controlado, que funcione como vem indicado no catálogo!
4) Este processo todo, manda uma mensagem clara a esta juventude, grande parte dela constituinte do actual elenco de Comiche e cujos resultados do trabalho zeloso já estão a ser vividos pelos munícipes:
- “Que a governação em Moçambique, ainda serve apenas para acomodar os interesses partidários, das elites governativas e dos parasitas a elas associadas”.
- “Uma vez não fazendo parte das bases, que o povo se lixe, visto que, tudo o que for feito a seu respeito, não entra na equação de avaliação final do desempenho do governante”!
- “Que quem quiser agir de acordo com a legalidade e a ordem institucional, passa a ser um individuo indesejável”.
No entanto, esta é uma oportunidade soberana para as gentes de Maputo, que pouco ou nada sabem dos feitos do ministro sorridente, darem uma verdadeira lição a este partido e mostrá-lo que está completamente “out of touch” do seu eleitorado! Que qualquer governação se limita única e exclusivamente a servir ao povo e não aos interesses de uma minoria ociosa e que julga que tem o rei na barriga!
Imbuidos desse espirito ardente de cidadania participativa, esta é altura de nos levantarmos e exigirmos uma governação que esteja comprometida e em sintonia com os interesses da maioria, dos “telhados” e não das “bases”!!