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07 fevereiro 2012

Compulsando Sobre as Últimas Declarações do PR!!

Os últimos tempos têm sido caracterizados por um “engajamento político” acentuado, por parte de vários segmentos da sociedade, que outrora se mantinham em silêncio absoluto, perante as atrocidades cometidas e que tendem a agravar-se pela nossa máquina político-governamental. Os abusos já atravessaram a linha e não é mais possível “ficar-se calado”!!


Mas antes de ir à vaca-fria vamos lá refrescar um pouco a memória e vermos “onde isto tudo começou”, porque “amnésia política” é daquelas coisas que tem super-abundado entre nós!!


Para um país que saía de um longo período de guerra civil, pese embora ter sido acusado de não exercer “mão-forte” em certos aspectos como a corrupção, ninguém tem dúvidas que a abordagem pragmática e tolerante com que se guiou, confere à governação de Chissano, um estatuto exemplar. Hoje, principalmente, e volvidos estes últimos dois mandatos, em que o país anda em “tensão permanente”, essas dúvidas penso que deixaram mesmo de existir!!


Sabíamos de antemão que, e parafraseando o mártir Carlos Cardoso, “onde ele tocou, estragou”, e exemplos múltiplos super-abundam por aí!! Mas Guebuza apareceu com um discurso de ordem, advogando candidatar-se à Presidência da República para “acabar com o espírito de deixa-andar, o burocratismo e a corrupção”!! Para os mais incautos criou-se logo uma alta expectativa e mesmo nós os cépticos de costume até que tacitamente lhe demos uma “segunda chance” e não pretendemos condená-lo logo a priori “por mazelas passadas”!!


Mas depois, o que é que se viu??? Em vez da “lebre” que nos havia sido prometida, foi e temos estado a ser continuamente servidos “gato fedorento”!! O discurso de “acabar com o deixa-andar” não resistiu sequer à primeira metade do primeiro mandato, esfumou-se completamente e metamorfoseou-se em coisas intangíveis como “auto-estima”!!


Seguiu-se uma “febre amarela” de açambarcamento de património público para fins pessoais e familiares (FACIM, Jardim Tunduru, Cadeia Civil, Várias Delegações Ministeriais, etc, só para citar alguns) e hoje, negócios que deviam ser concebidos e implementados numa perspectiva de enrobustecer as finanças do Estado, são transferidos para a “carteira de negócios” privados, familiares!! Temos inclusive que juntar as nossas míseras quinhentas para a benevolente “menina PCA” nos mudar o sinal analógico para o digital!! Mas, o que é sintomático nisto tudo é não haver uma “noção de limite”, de dizer que “Chega, meninos e meninas! O que já arranquei aos Moçambicanos para vosso benefício próprio, chega!! Agora mostrem a esses desgraçados que vocês nasceram com sangue e têm cabedal empresarial”!!!


Mas em vez disso, temos o Zeca Afonso a martelar os nossos ouvidos com o seu “eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada.....”!!!


Que esta governação “nos burlou e nos tem burlado” não é matéria que precise de ser levada a debate!! O que julgo que deve ser urgentemente debatido é o facto de, perante toda a evidência sugerindo o oposto, a mesma se continue a achar “teleologicamente correcta, com os olhos postos no seu umbigo, fechada na infalibilidade das suas acções e intolerante a qualquer crítica”!! Isto é que é preocupante!! Porque chega a dar a impressão que “estamos a falar com uma parede”, quando tudo que temos estado a fazer é “alertar o comandante que a direcção que tomou o seu leme, está a levar-nos ao precipício”!! Assim que nem o “Costa Concordia”!!!


Agora, voltando à vaca-fria!!


É recorrente vermos nos Media, declarações contundentes de membros do partido no poder, mormente de sectores associados à “velha-guarda”, manifestando o seu total desacordo com a governação do dia! Dentre eles, nota de destaque vai para Jorge Rebelo, um embondeiro no que à “integridade moral e ética” concerne, dentro daquela formação política!! Outros segmentos incluem o que entendo como “a ala correntemente marginalizada”, onde ombreiam figuras como Marcelino dos Santos, Sérgio Vieira, Óscar Monteiro, etc.


Os pronunciamentos destes indivíduos estão em sincronia com as reivindicações e pontos de discórdia da franja esclarecida de Moçambicanos, onde a juventude se destaca como um dos segmentos em rápido crescimento, sobre o que deve caracterizar “moral e eticamente” uma governação, que se digne desse nome!! Que valores devem nortear a nossa Moçambicanidade??


- É aceitável o dirigente açambarcar património público para benefício próprio??

- Devemos aceitar que o dirigente desvie negócios do Estado para seus familiares e sequazes??

- Devemos tolerar um dirigente que assina acordos económicos marcadamente desfavoráveis para o país, pelo simples facto que ele passe a receber mensalmente um “cheque de migalhas”, como estamos a assistir actualmente com os mega-projectos???


Digo “migalhas” comparando com o que estas corporações ganham com os nossos recursos, a penúria das suas contribuições fiscais ao país e as “míseras moedas” que atiram aos nossos governantes……..!! O ridículo é que estes ficam contentes e se acham ricos........


Este aspecto da “integridade moral e ética governativa” é crucial, se nas condições actuais, este partido aspira a ser ouvido pelo povo Moçambicano! Por mais que não falem, as pessoas há muito que se cansaram!! Porque mais do que “retórica vazia e desprovida de carácter”, o que esta juventude quer ver dos seus governantes são “acções que sirvam de exemplo”, passíveis de ser interiorizadas e absorvidas pelos escalões mais baixos na pirâmide social, e mudarmos de uma vez por todas, este paradigma que entorpece o desenvolvimento social e económico desta Nação!!


Contanto que, por objectivos “puramente político-partidários”, alguma ala mais jovem, da categoria “8 de Março” começa também a aparecer publicamente com questionamentos à sua liderança!! Foi o caso da crónica de Adelino Buque, aquando da derrota do partido no poder nas passadas eleições intercalares em Quelimane, o que prova que esta coisa de ser “autómato do comando, cansa”!! Se relacionadas ou não ao seu apelo de que, a juventude deste partido devia tomar outra postura para além de receptáculo das ideias superiores retrógradas, surgiram réplicas em sectores usualmente confinados ao mero “transporte de pastas das chefias”, como o CNJ ou a OJM.


Mas, contrariamente ao que alguns sectores têm avançado como o móbil das recentes declarações do PR, a intuição me manda dizer que foi a “bombástica entrevista” de Erik Charas concedida recentemente ao Jornal Canal de Moçambique!! Abrindo aqui só uns parêntesis, “mas que lufada de ar fresco!?!” O que está ali dito é o que vai na cabeça de grandes segmentos da sociedade Moçambicana, cansada desta “governação predadora”!! Pelo facto de Charas ter se apresentado como “membro do partido no poder”, o PR não só recorre a termos inconcebíveis para a sua figura, como corre a alertar os membros do seu partido que, “na qualidade de membros, estes não devem abdicar da sua condição de surdos, mudos, sem ideias próprias, em suma, verdadeiros autómatos do comando”!!! Ou seja, “quem fala pelo partido são: a comissão politica, comité central, descaindo por aí até ao nível distrital”, hehehe!!!


“A governação vai mal, o país vai mal, não temos projecto nacional”!!

O lema correntemente em vigor é: “Roube quem puder”!!!


Prova disso é que, em vez de ser acarinhado e auxiliado, um jovem com ideias e projectos inovadores como este, ande a ser barrado e complicado, pura e simplesmente porque, na sua estrutura accionista, não tem um sanguessuga da “nomenklatura” que, sem nada fazer ou investir, quer lá estar para apenas receber os seus “cheques” ao final de cada mês!! É desta “fibra vampira” que se constitui o dito “empresariado de sucesso” que temos por aqui!! Tudo começa e termina no seu “tráfico de influência” e não se lhes conhece um “produto” que digam: “gente, este é o fruto do meu trabalho; é com ele que tenho estado a ajudar a economia do país e contribuir para o seu desenvolvimento”!!!


"Não fazem e não deixam fazer"!! Há muito Moçambicano com ideias firmes que, pelo seu efeito integrado, podem começar a alavancar a economia do país a curto prazo, mas que não pára de ser sistematicamente barrado e prejudicado!! E vêm-nos com essa de “vai-se marginalizar, vai-se tornar marginal”……..!!


A questão de momento é: “Até quando vamos sustentar esta governação medíocre”???

13 março 2010

Ode à Juventude Moçambicana!!

Amigos, conhecidos, familiares e anónimos associados, pelo seu zelo profissional estão a dirigir vários sectores, tanto em instituições privadas como em públicas.

Chegaram lá, por mérito próprio!


Mas, o que eu considero uma autêntica desgraça para o país, é parte destes indivíduos, que é gente capacitada, perder totalmente o cerne da sua missão e passar a comportar-se, como se não tivesse habilidades nenhumas e estivesse naquela posição de direcção, por alguém lhe ter feito "um favor"!!

São pessoas que, nos seus sectores deveriam ser agentes e campeões de mudança, porque na extricta franja de esclarecidos, ninguém pode melhor avaliar o estado do país!!

São pessoas que, pelas suas capacidades, deveriam ter suas empresas, empregar outros Moçambicanos e contribuir para o desenvolvimento do país de forma mais acelerada!!

Em contrapartida, tornam-se praticamente seres vegetais, escamoteando a verdade e os factos, traindo as suas consciências, defendendo causas em que não acreditam, tudo, "porque querem sobreviver"!!

Perderam a noção que podem se alimentar a sí próprios!!

Estes senhores deveriam ser senhores do seu próprio destino e, com as suas mãos visíveis e invisíveis, guiar o destino de 37% de seus compatriotas citadinos e 68% de outros tantos rurais!!

Mas, não uma casta de paus mandados!!

21 setembro 2008

“Slave Mentality”!


Numa economia cada vez mais globalizada, “conhecimento” e “informação” (know-how) ganham cada vez mais estatuto incontestável de armas poderosas para o desenvolvimento das nações. Aliás, o seu aproveitamento não é um conceito novo e, se olharmos para a história da humanidade, os reinos e impérios poderosos, sempre buscaram a inovação e o progresso além fronteiras ou se inspiraram em homens doutras épocas, visto que num “círculo fechado”, a criatividade tende a ser limitada ou orientada num sentido particular que se adeque ao meio onde ela é produzida.

Para quem não sabia, Napoleão Bonaparte atacou o Egipto em 1798, trazendo consigo uma inteira legião de engenheiros, artistas, poetas, etc, para “beber” do conhecimento que abundava naquela nação.

Niccolo Machiavelli, que apesar das suas teorias “radicais” e não raras vezes pouco humanas, julgo ter sido um leitor atento dos eventos da sua época, a este respeito disse a dado passo no seu livro “O Principe”:
“……..quanto ao exercício da mente, deve o príncipe ler as histórias e nelas observar as acções dos grandes homens, ver como se conduziram nas guerras, examinar as causas das suas vitórias e de suas derrotas, para poder fugir às responsáveis por estas e imitar as causadoras daquelas; deve fazer sobretudo como em tempos idos fizeram alguns grandes homens que imitaram todo aquele que antes deles fora louvado e glorificado, e sempre tiveram em si os gestos e as acções dos mesmos, como se diz que Alexandre Magno imitava a Aquiles, César a Alexandre, Cipião a Ciro.”

O leitor deve estar a pensar que esta postagem pretende abordar eventos históricos, mas esse decididamente não é o seu propósito! Queremos sim, abordar a temática de desenvolvimento nesta Pérola do Índico e “desafiar” um certo sector desta sociedade que consideramos crucial para a materialização desse feito.

A força motriz duma nação, nunca é-lhe exterior! Ou seja, se algo tiver que acontecer e, independentemente de quanto apoio lhe seja proporcionado pelo exterior, as acções principais e o seu ímpeto, nascem ou são gerados de “dentro”, do seu “interior”! Se queremos ver Moçambique desenvolver-se, somos nós próprios que devemos fazer isso acontecer! Ninguém o fará por nós!

Apesar das nossas imensas potencialidades, este país ainda tem mais de 50% da sua população analfabeta e menos de 5% tem formação superior. Este último é um segmento da população que, porque detém conhecimento, deve incutir em si mesmo a missão de assumir as rédeas do progresso e sirva de guardião e promotor do desenvolvimento desta nação.

Moçambique precisa de “Empreendedores”! E não há limite numérico para essa necessidade! É fundamental que dentre essa juventude, comece a surgir o que considero, o “espirito Silicon Valley”, em que há mais de três décadas, jovens recém-graduados nos Estados Unidos, movidos pela inovação e progresso, criaram com quantias irrisórias, da ordem de mil ou dois mil dólares, empresas que revolucionaram o mundo e hoje valem biliões de dóares americanos!

Existe cá entre nós uma crença errônea de que, para a realização de qualquer empreendimento, são necessárias avultadas somas monetárias, em primeira instância! Isso, de todo não corresponde à verdade! E, não há prova mais irrefutável que a história das grandes companhias que hoje conhecemos, muitas delas que começaram como simples “indústrias caseiras”!

Porquê então, o jovem graduado moçambicano, nada mais pensa senão arranjar um “bom emprego” e termina completamente as suas ambições por aí? Porquê este jovem se vê realizado quando consegue comprar um carro, eventualmente construir a sua casa, e não pensa mais além disso, sabendo-se que este país precisa ainda de quase tudo e que oportunidades superabundam em quase todos os sectores da economia? Porquê, na impossibilidade da realização dos seus sonhos a “curto-prazo” (como parece ser a norma), este jovem envereda pelas famosas “boladas” como um meio para “resolver a vida” e nunca passa pelos seus planos, e apoiando-se no seu know-how adquirido durante a formação académica ou que é capaz de adquirir conforme o caso, iniciar uma actividade complementar ou um empreendimento?
Porque que é que o agrónomo não pensa em abrir a sua farma? O veterinário iniciar a sua criação de gado bovino ou caprino? Porquê o jurista não abre o seu escritório de advogacia? Porquê o arquitecto não abre o seu atelier ou o engenheiro não vira empreiteiro? Porquê o oceanógrafo não cria a sua empresa pesqueira? Porquê o físico ou o químico não se tornam inventores ou promotores industriais?

Será que estamos em presença dos efeitos nefastos da escravatura, e que volvidos estes dois séculos após a sua abolição, continuamos a nascer “moldados” para ter um patrão?

Este país precisa de absolutamente tudo! Urge que comecemos a produzir, que comecemos a criar um ambiente de negócios que assente em conhecimento, trabalho, princípios éticos, competitividade, inovação e iniciativa!
Dizendo honestamente, não acho que os “Empresários Três Pedras” aqui referidos tenham culpa da sua maneira de actuação! Esta é uma geração que “sacrificou” a sua juventude lutando pela libertação da pátria, de que agradecemos! Não tiveram oportunidades de formação e, como resultado da nossa história recente, se encontram hoje em posições estratégicas, na maior parte dos casos detendo “a faca e o queijo”, mas não sabendo para que um ou outro servem! A consequência directa disso é que temos carradas de empresários, mas o país quase nada produz! Até tomate temos que importar!

É um facto que a maior parte de nós provém de famílias menos abastadas e, consequentemente, não tem um “saco azul” para iniciar um empreendimento logo ao sair da carteira! Pode se perceber, por aí, a necessidade prévia de um emprego não só para ganhar alguma experiência, mas também para juntar recursos materiais e financeiros para os investimentos que pretendamos fazer!
Julgo que, em vez de ficarmos com os braços cruzados e esperar que um dia as coisas se emendem, ser este o raciocínio que falta a maior parte de nós! A iniciativa, a visão e, fundamentalmente, o desejo de se sacrificar pelo trabalho, para depois colher os seus frutos!

Um facto que se precisa ter em conta nisto tudo é que nós já não precisamos de inventar a roda! A maior parte das coisas que temos que fazer agora pelo nosso país, já foram realizadas por outros povos noutras épocas! Tal como referiu Machiavelli acima, é desses indivíduos e dessas nações que precisamos aprender! E para isso, não precisamos de um batalhão de cavalaria a assaltá-los, ou de uma frota marítima em viagem dos descobrimentos! Os meios tecnológicos hoje existentes, nos permitem obter as experiências e os feitos desses povos de forma rápida e nós nos podemos desenvolver de forma mais acelerada! Mas precisamos de incutir em nós, a cultura de trabalho!

Esse “click” precisa estalar nas nossas mentes e esta é a luta de libertação nacional que se nos impõe neste momento!