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09 março 2009

Isso é que é falar!! – O MDM vai concorrer às Eleições Legislativas e Presidenciais deste Ano!!

Quando do recente encontro do Conselho de Ministros alargado a “outros quadros” (definição ainda precisa-se), na vila da Namaacha, para supostamente avaliar o estágio da execução do plano quinquenal, ouviu-se nas suas recomendações finais apenas, o apelo à “criatividade” dos nossos governantes para materializar as promessas eleitorais do partido no poder, pairou no ar a sensação de que o evento não passara de uma sessão de “comeretes e beberetes”, com impacto diminuto para a realidade prática da maioria dos moçambicanos, que batalham num mar de dificuldades no seu dia-a-dia, nesta Pátria Amada!!

“Criatividade” não é palavra adequada para descrever ou orientar qualquer que seja o tipo de governação!! Este termo é apropriado e recomendável a “artistas” e “entertainers”!! Em “governação” fala-se de “políticas sectoriais”, “planos de desenvolvimento”, etc, cuja execução engloba uma cadeia de acções bem definidas, que devem ser implementadas com a disposição de determinados “meios” e cujos resultados, num “time-frame” previamente estabelecido, devem ser observados! Se alguma coisa não está de acordo com o “planificado”, as suas causas são encontradas, os planos reavalidados e factores correctivos correspondentes são aplicados!! É assim como costumamos “digerir” informação referente à “avaliação” do que quer que seja!!

Quando neste processo de “avaliação”, tudo o que se nos pede é “criatividade”, então, é bem provável que não exista plano algum, ou que não se saiba o que está mal e, consequentemente, o que fazer para corrigir a situação!

Em “governação”, e neste contexto particular, “criatividade” equipara-se a “improvisação”!! E, “improvisa-se” quando não se está preparado ou não se sabe o que fazer em determinado momento!! Alguém pode dizer, que medidas concretas foram apontadas nesse encontro para corrigir o estágio precário que assola a nossa agricultura, numa altura em que numerosas bolsas de fome se observam em quase todo o país e a maioria de produtos alimentares são importados com divisas que não temos? Ou, a cada vez crescente, problemática de transportes urbanos? Ou, para a reactivação do nosso parque industrial que andou a ser entregue de “bagatela” a indivíduos sem conhecimento empresarial ou capacidade financeira alguma, mas porque somente eram “camaradas”? Ou a problemática da criminalidade?? Ou algo coerente para a exploração dos nossos recursos minerais, principalmente pedras preciosas de elevado valor que andam a ser extraídas e vendidas ilegalmente sem benefício algum para o país (Em vez da nossa Ministra andar a correr para Bárue ou Mavago, cada vez que um garimpeiro ilegal é apanhado com minérios valiosos, terá ao menos sido considerada, ao sabor de cervejas e camarões tigre lá na Namaacha, a necessidade urgente de um estudo geológico e mapeamento do que existe e onde, no nosso subsolo e os modelos de sua exploração)?? Ou a “destruição elaborada” que o nosso Sistema de Educação está a sofrer?? Só para citar alguns.........

Com todos estes “câncros” em sectores chaves que já deveriam estar a dinamizar a nossa economia e, há menos de um ano do fim do mandato, tudo o que se pede aos nossos governantes é “criatividade”, “folclore” e “habilidade de entreter o eleitorado”??

Como prova de que, nada fora abordado nesse encontro para resolver estes “problemas concretos” e, ao invés de ouvirmos falar da formação de “comissões ministeriais” para dinamizar a implementação dos aludidos planos sectoriais (se é que existem, mesmo), esses “altos quadros”, que estiveram a comer e a beber do melhor com o dinheiro dos nossos impostos, e, dos quais deveríamos esperar acções enérgicas e vigorosas, são, uma semana depois, enviados à Beira de “pára-quedas” (a avaliar pela rapidez da sua mobilização) para ir resolver problemas partidários!!

Por causa disso, “nosotros” contribuintes somos livres de considerar que aquele encontro camuflado de “Conselho de Ministros Alargado a outros quadros”, e realizado às expensas do Erário Público, não passou de uma “sessão extraordinária” político-partidária!!

Se andávamos a fingir, agora já não é mais possível esconder!! O “MDM”, ainda no seu processo de gestação (e que parto, ladies and gentlemen!!), está a provocar “pulgas” a muita gente!!

O “timing” e as “demarches” ora em curso pelas até aqui consideradas duas maiores formações político-partidárias, nos dá uma amostra de quão abaladas estão as suas “elites” e o seu “status-quo”!!!

O povo Moçambicano não está cansado de ser “manipulado”!! No fundo, isso nunca aconteceu!! Esta “escumalha rêles” e “analfabeta”, mas tão sábia quanto a soma dos cérebros de todos aqueles que fingem trabalhar por ela, quando na realidade estão apenas empenhados em concentrar todos os recursos do país nos seus bolsos, nunca teve, até aqui, “alternativas credíveis”!
As abstenções superiores a 50% nos sucessivos pleitos eleitorais, são prova irrefutável que o grosso deste povo não se identifica com o modelo de governação ora em vigor e nem com a postura das aludidas duas maiores forças político-partidárias!! O povo não podia estar mais certo: na realidade, estas formações políticas são, na sua essência, similares! Basta olharmos para a sua postura governativa “doméstica” e “ditatorial”!! Basta olharmos para a sua aversão à juventude, que se teme, “poderá vender o país”!! Porque para eles, a governação é algo restrito a “políticos” (muitos deles, com muito baixa escolaridade e sem visão clara pra lá da detenção de poder), não admira a sua repulsa e afronta aos “académicos” que, neste momento, deveriam estar a adicionar valor, às várias estratégias de resolução dos problemas que enfrentamos!!

Por isso, Caros Compatriotas, é altura de nós, o povo Moçambicano, unido do Rovuma ao Maputo, mostrarmos a todos os hipócritas que usam o poder apenas para avançar as suas agendas individuais, que, antes de mais, é a nós que devem ouvir e à resolução e materialização dos nossos anseios em que se devem empenhar e concentrar dia e noite!!!

O “MDM”, que surge como nossa oportunidade soberana para a instauração de uma democracia real, que vem buscar a sua legitimidade no povo e se predispõe a trabalhar em prol deste, acaba de tomar a decisão “correcta e corajosa” de concorrer nos pleitos eleitorais que se avizinham!!

Mudar o “curso do rio” é algo que só depende de nós!! O “5 de Fevereiro” e a “Revolução de 28 de Agosto”, nos mostraram recentemente, a infalibilidade da capacidade de “resiliência” e “determinação” deste povo!

Chegou a altura de MUDAR!!

• Mudar para um regime que não governe este país com sentido de “propriedade” das pessoas e dos recursos desta terra!!
• Mudar para um regime que não obrigue os funcionários públicos a se filiarem ao seu partido, sob risco de perderem os seus postos!!
• Mudar para um regime que não aliene o grosso do empresariado nacional, apenas porque não tem um “testa de ferro” que esteja de gracinhas ou seja da “nomenklatura”!
• Mudar para um regime que promova e implemente mudanças constitucionais atinentes à instauração de um Estado verdadeiramente de Direito, com a separação clara (e não folclórica) de poderes, com o respeito pelas Leis e que os “Manhenjes” e todos aqueles que fazem manchete habitual nos relatórios do Tribunal Administrativo, devolvam o que devem ao Estado (que somos todos nós) e que paguem adequadamente pelos seus crimes!!
• Mudar para um regime em que a “declaração de bens” dos seus dirigentes e a sua evolução temporal (anual) seja conhecida pelo público e não apenas por uma minoria com as "mãos atadas" ou que está de conluio com a corrupção, assobiando sempre para o lado, enquanto falcatruas enormes são mantidas em "água de bacalhau" (quem não deve, não teme - diz a sabedoria popular)!!
• Mudar para um regime que promova a “excelência” e a "competência", ao contrário do “lambe-botismo”, “escovismo”, "fofoca" e "confiança política" para tudo o que seja ministeriável!!

Essa tarefa está ao nosso alcance e só depende de nós!!!
Esse país será melhor para todos nós, mesmo para aqueles jovens que hoje, movidos pela ganância e pela vida fácil, andam pelos círculos decisórios feitos de “meninos de recados”, “queimando” o seu zelo e saber apenas para assegurar a “barriga” do “status-quo”, mesmo que para isso não tenham voz alguma e recebam como compensação, migalhas!!!

Jovens!! Vamos lá pensar grande!!! Vamos lá fazer grande!! Let’s take our country back!!

Chegou a altura de mudar para um
“Moçambique que seja Para Todos”!!!

06 fevereiro 2009

O que Te Faz Moçambicano?!?

Esta é uma pergunta que aparentemente “simples”, precisa de um exercício extenso de reflexão para que se comece a balbuciar as primeiras palavras de uma resposta coerente!

O leitor já experimentou? Qual foi a resposta que encontrou? Quer partilhar connosco??

Não pretendo definir a “Moçambicanidade” recorrendo a artifícios filosófico-antropológicos (se é que isso existe), porque pouco ou nada sei dessas áreas de saber, mas discutir convosco, esta pergunta “simples” que me “apoquenta”!!

Tal como eu, acredito que a primeira coisa que deve despertar na mente do leitor, quando confrontado com esta questão é recorrer imediatamente, à “circunscrição geográfica” deste pedaço de terra onde vimos o sol pela primeira vez, para iniciar a articulação de uma resposta elaborada! Mas, e depois?? O que mais sobra? Que os seus ancestrais viveram e morreram neste solo e que lhe deixaram o legado cultural que hoje timidamente conhece e domina?? Mas, quantos “povos”, línguas e culturas existem neste território??

Devemos então, definir que a “Moçambicanidade” são esses micro-cosmos culturais independentes??
Com a avalanche de supostos “refugiados” que afluem ao país aos “camiões-cavalo”, fazem casamentos fictícios (alguns se casam de “verdade”) com Moçambicanas só para adquirir a nacionalidade, depois trazem as suas esposas de seus países, geram os seus filhos “Moçambicanos” cá, que diferença terão “estes” (filhos) com os seus filhos, em termos de natureza identitária?? Se acharmos que este filho, seja de um imigrante Nigeriano, Somali ou Maliano, é de facto um “estrangeiro” (não-Moçambicano), que diferença “prática” existe entre o filho de um “Makonde”, de um “Machuabo” e de um “Machangana”?? Não serão estas, entre si, entidades tão distintas quanto seria se comparassemos cada uma delas com uma outra qualquer “não-Moçambicana” atrás mencionada??

O que então, faz de ti Moçambicano??

O facto de ter nascido na única nação que adoptou ter uma “arma convencional” na sua bandeira?? O que te diferencia de um Sul-africano ou de um Malawiano??

Estas são perguntas “sérias” que exigem respostas urgentes de cada um de nós! Não se pode continuar a pensar que somos uma “nação” apenas porque nascemos no mesmo território, veneramos a mesma bandeira e cantamos o mesmo hino! Porque todos os povos as têem, essas são coisas vulgares (espero que não se entre em discussão que as cores, formatos, melodias, etc, sejam diferentes), banais e frágeis, para definir qualquer que seja a nação!

O que estou aqui a tentar defender é que, enquanto possuimos uma riqueza cultural invejável (o que é de louvar), deve haver “algo” que una esses “micro-cosmos” sob um “ideal” e “projecto nacional”, que o diferencie doutros povos!! Essa visão “idealística” deve ser de natureza única, com padrões elevados e que cause não só a cobiça, mas também a admiração doutros povos!!

Isso só é alcançável, se nós “Moçambicanos” nos predispusermos a recusar o “modus-operandi” que nos tem caracterizado durante esta nossa “história recente” e passemos a adoptar “valores” que dignifiquem toda uma nação, que elevem o nosso orgulho próprio, a uni
ão da "familia nacional", ao mesmo tempo que obriguem outros povos a quererem ser como nós!!

Ninguém se pode orgulhar por ser preguiçoso, corrupto, burlão, analfabeto, divisionista e desordeiro!! (you name it)!! Ninguém se pode vangloriar de coisas más e uma “nação” não se pode deixar ao desleixo e cúmulo que sejam esses aspectos a “definí-la” e diferenciá-la de outros povos!!

Não vamos inventar “novas formas de vida” ou “novos modos de estar”! Não precisamos de andar “enrolados em pneus” ou “construir as nossas casas nos topos das árvores”, para reivindicarmos a nossa “diferença” para com outros povos!! Os “valores” a que me refiro, são universais e sobejamente conhecidos por todos os povos!! A diferença está na forma como os adoptamos ou implementamos!! Como olhamos para a Educação, para a Ciência, para a Ordem Pública, atitude para com o Trabalho, Respeito mútuo, Honestidade, Inclus
ão, Diversidade de ideias, cumprimento de Leis e Regulamentos, Justiça, Incentivo a Desempenhos extraordinários, que Horizontes aspiramos, entre outros, são aspectos que devem “definir” esta nossa “Common Enterprise”!! Com algum “pequeno esforço”, os muitos sociólogos e antropólogos que temos, podem ajudar a “desvendar” formas particulares desses “valores” imersas e impregnadas nas culturas dos vários povos que constituem esta nação, e que seriam incluidas no acima referido “Projecto Nacional”!

Esse é um “Projecto Nacional” que eu desafio, a quem quer que seja, que neste momento n
ão existe, nesta nação!! Nós só vivemos............!!

Enquanto parece uma coisa “complicada”, esta autêntica “revolução” à todos os níveis pode ser materializada e tornada realidade em menos de uma geração!! Mas é preciso querermos, é preciso querermos nos auto-superar, é preciso querermos ser não apenas bons, mas cada vez sempre melhores!!
Ninguém fará isso por nós, senão nós próprios!!!

Chega de vivermos “à nossa maneira” (que só lembra anarquia), chega de sermos medíocres, motivo de ostracização e nós próprios nos conformarmos com “posições de desprezo” seja em todo o tipo de “index”, seja na nossa afirmação geopolítica não só no contexto da SADC, mas de África e do mundo em geral!! Não precisamos de ter “petróleo” no sub-solo para andarmos com a caixa toráxica levantada! Basta-nos uma “Educação” exigente, de qualidade, para todos e que não ande à mercê de politiquices cujos interesses ninguém entende, mas de cujos resultados catastróficos já começamos a sentir!!! Este sector é crucial a tudo o que queiramos alcançar como Nação!!!

Se quisermos ser fortes lá fora, temos primeiro que o ser cá em casa, e sem complacências!!
É altura de pensarmos MOÇAMBIQUE, é altura de afirmação da nossa MOÇAMBICANIDADE!!!!