Desde a independência nacional que temos ouvido, de forma recorrente, a apelos incessantes à “Unidade Nacional”! Este ano, para não variar, este tema é inclusive, um dos pilares para a “campanha eleitoral” deste partido!
A importância desta matéria ou o que cada actor político e nós, o povo em geral, temos feito para a salvaguardar, não é um exercício meramente fonético e não se avalia pelo grau de repetição dessa expressão (Unidade Nacional), mas pela atitude que tomamos no dia-a-dia para abraçar o mosaico etno-cultural que encorpa esta nação e pela nossa prática no “terreno”, rumo a uma “representatividade regional” efectiva e balançada!!
Não precisamos de recorrer a exemplos trágicos da história da humanidade como o genocídio de Ruanda ou a génese de grupos radicais como os “Tamil Tigers” (detentores da "patente" de inventores do “colete explosivo”), para percebermos o que a alienação de determinados grupos étnicos (maioritários ou minoritários) por actores políticos com uma medíocre percepção de “diversidade” e "inclusão", pode originar.
Um estudo pelos nossos historiadores, acerca da “representatividade regional” nos sucessivos “governos” (presidente, ministros, vice-ministros, procuradores, governadores, directores provinciais, administradores, directores distritais, etc) desde a independência nacional, não tenho dúvidas que daria numa boa tese académica!! Esse trabalho que poderia até ser conduzido pelos Órgãos de Comunicação, formações políticas, etc, permitiria “pôr em números” o que de forma esporádica tem sido alertado por vários sectores da sociedade civil Moçambicana!!
Não vamos falar aqui dos tempos em que, até cantos recônditos, lá na “casca da rolha”, tinham Administradores da região sul. Nesses tempos, muitos dos nossos actuais bloguistas ainda andavam de fraldas! Quero vos convidar apenas para uma visitinha à “Administração Guebuza”!
Quem alguma vez leu Machiavelli sabe que aquele estratega político foi peremptório ao afirmar, 5 séculos atrás, que, “o Príncipe deve ter as suas próprias tropas e, em caso algum, deve confiar em milícias de outro Senhor”!!! Falou-se muito de "expurgação" da ala Chissano, limpeza da casa, etc, mas tudo não passa de medidas atinentes à consolidação do poder!
Assistimos à nomeação de um elenco governamental “colorido”, que procurava abarcar várias “sensibilidades”, sendo a “representatividade regional” uma delas! Se “competência” tivesse sido um “critério de peso”, o número recorde de exonerações ocorridas nestes 5 anos, vem refutar esse argumento!!
Quando os cuidados e os detalhes milimétricos já não estão à mão, a cabeça preenchida com inúmeros afazeres e, se de facto, as acções iniciais não foram genuínas, um olhar incisivo aos eventos ocorridos “à posteriori” permite ajuizar sobre esses elementos!! As pré-condições atrás enunciadas costumam ser condimento propício para fazer sobressair, consciente ou inconscientemente, aquilo que em gíria popular se denomina de “veia natural”!!!
Em 99.9% das novas nomeações ministeriais, e, sem exagero, Guebuza previlegiou indivíduos da zona sul, senão vejamos: Erasmo Muhate (Agricultura), Soares Nhaca (Agricultura), Benvinda Levi (Justiça), Oldemiro Baloi (Negócios Estrangeiros), António Sumbana (Juventude e Desportos), Paulo Zucula (Transportes)…………(podemos incluir João Candiane Cândido (Mulher), neste grupo?).
Com esta evidência factual e matemática, eu não discordaria de alguém que aparecesse a dizer que Guebuza tem estado sim, a ser consistentemente regionalista!!
Este argumento
A pergunta é: “Este país só tem quadros da zona sul”??
Num país onde, só a partir do próximo ano é que se perspectiva o início do processamento de salários da Função Pública nalguns distritos, falar de “descentralização” não é apenas um
A noção de “Unidade Nacional”, não se circunscreve apenas às “elites governativas”, mas não há dúvidas que é nelas que o rebanho se inspira, é delas que constatámos atitudes e adoptamos comportamentos!!
Para individuos
Se são verdadeiros os relatos segundo os quais, a caravana de Rosário Mualeia, aquando da sua governação na província de Gaza, era acompanhada de sonoros “chingondoooo”, “chingondoooo”, dos seus governados e que, quando caiu gravemente doente, em praticamente risco limiar de vida, os seus problemas de saúde não foram resolvidos em clínicas luxuosas de Nelspruit ou Johannesburgo, mas lá na sua terra natal-Mecubúri, situação seguida pela medida de não se alimentar de comida preparada pelos seus administradores distritais quando em visitas de trabalho, então, “Unidade Nacional”, na sua total extensão, é um debate que ainda não começou a ocorrer neste país!! Esse debate precisa de ser feito sem quaisquer tipos de pudor ou medos!! Os bois precisam de ser agarrados pelos chifres!!
Este país tem inúmeros problemas e desafios que exigem um esforço conjunto! E, andar a olhar para linhas étnicas, como critério fundamental para apontar os dirigentes dos vários organismos sectoriais, descurando outros tão importantes como a “competência”, "integridade intelectual e ética", etc, não só é uma enorme distracção, contraproducente, e nos vai afundar cada vez mais e mais, como consequência dos efeitos perversos tanto sociais, políticos, económicos, psicológicos, etc, cada vez mais polarizantes, que vão sendo introduzidos no nosso espectro nacional!!
Este artigo não surge de forma alguma como “catalizador” ou “agitador” às populações das regiões centro e norte deste país para que tomem qualquer que seja a atitude radical!! Antes demais, é dirigido às gentes do sul, para que façam uma introspecção e imaginem se um cenário hipotético em que seus Ministros e altos governantes sejam só makondes, só machuabos, só masenas, só makuas ou só majauas, será do seu inteiro e total agrado!!! Mães, esposas e filhos dessas tribos estão a assistir pacientemente às passareles das tribos do sul do Save, há mais de três décadas!!
Somos um país “uno e indivisível” ou então, não somos!! Estes divisionismos e descriminação, venham de quem vierem, devem ser veementemente rejeitados por todos os povos e tribos que habitam esta terra!!
Se a medida de realização de matérias como “pobreza absoluta”, “soberania nacional”, “revolução verde”, “Unidade Nacional”, etc, encontram o seu “cume dos Himalaias” apenas em retórica vazia e desconexa da realidade e da atitude no terreno, então, de uma coisa, todos nós Moçambicanos, podemos ter certeza:
“We are heading to a disaster”!!!
Um abraço fraterno à "Unidade Nacional", integral, efectiva e balançada de todos os povos e tribos que habitam esta nossa terra, Moçambique!!