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17 outubro 2008

Quando dizemos que a Polícia se encontra completamente “capturada” pelas Redes da máfia, Crime organizado e Corrupção!


Há algum tempo, algures no início do ano, ao passar pelo famoso “Kayum Center” notei que vários carros do último grito ali estacionados não tinham a chapa de matrícula. O que me ocorreu naquela altura era que, dada a extravagância daqueles indivíduos caracterizada pela sistemática aquisição de viaturas topo de gama e que, pese embora as normas de importação de meios circulantes imponham que em 48 horas após sua chegada ao país, os mesmos devam ser conduzidos à “Tiauto” para a sua legalização junto às Alfândegas, aqueles carros de luxo estivessem ali parqueados ainda nesse processo de “legalização”. Fico estupefacto, ao ver a recente notícia acima que, afinal, esses carros circulam assim pelas artérias da capital e que, se algum polícia de trânsito as intersecta, recebem logo de seguida uma chamada repreensiva dos seus “chefes”, ordenando-os a deixar de imediato os “monhés” irem em paz! Nós os Zé-povinho importamos viaturas e temos que ir pagar quase 100% pelos direitos alfandegários e esta gentalha anda impunente sem se preocupar com esses impostos e o cumprimento das leis vigentes neste país, no que concerne às normas de trânsito!

Outra notícia arrepiante é o facto de estar a haver interferências na fiscalização levada a cabo pela empresa Trans African Concessions (TRAC) às viaturas de transporte de carga ao longo da estrada Maputo-Witbank (EN4) e Av. da Namaacha (EN2), conforme publicou o Notícias de ontem. Mesma história: os infractores que em norma deveriam ser apreendidos e multados, só precisam de usar os seus telefones celulares e logo em seguida, os agentes que estão no terreno a manter a ordem, segurança e durabilidade das nossas estradas, são “enxovalhados” pela sua “bofia” e ordenados a deixá-los seguir em paz!

Uma coisa que as pessoas devem prestar atenção é que as estradas são dimensionadas para um determinado período de serviço, que toma em consideção essas limitantes de carga máxima por eixo e a quantidade de tráfego prevista. Se a primeira grande reabilitação de uma estrada nova estava prevista para 20 anos após a sua entrada em funcionamento, nos temos sistematicamente admirado que, volvidos apenas 5 a 10 anos, essas vias rodoviárias uma vez de alta qualidade se encontrem completamente degradadas. Parte fundamental do problema é exactamente o retratado nesta notícia e que, pelos vistos, e de modo a satisfazer as várias redes clientelares e oportunistas que capturaram completamente as instituições que deveriam zelar pela salvaguarda do nosso Estado de Direito (pelo menos vem assim escrito no Artigo 3 da Constituição da República), continua a ser negligenciado desta maneira inconcebível.

Sem muitas delongas, a questão que coloco é a seguinte:

“Não haverá aqui matéria suficiente para ser instaurado um processo crime contra os indivíduos bem identificados e responsáveis por estas tragédias nacionais aqui reportadas”?