19 outubro 2008

Ria ao Domingo

Cinco cirurgiões discutiam sobre quais os melhores pacientes numa sala de operações.


Dizia o primeiro:
-Gosto de operar contabilistas porque, quando os abres, todos os órgãos estão numerados e ordenados.


O segundo retorquiu:
- Sim, mas melhor são os electricistas porque todos os órgãos estão codificados por cores. Não há qualquer risco de engano.


Ao que respondeu o terceiro:
-Qual quê!!! Os melhores são os bibliotecários. Dentro deles tudo está ordenado alfabeticamente.


O quarto cirurgião opinou:
-Não há como os mecânicos. Eles até já transportam uma reserva dos órgãos que são necessários substituir.


Finalmente, disse o quinto:
-Deixem-me discordar de todos vocês, meus caros companheiros mas, em minha opinião, os melhores pacientes para operar são os políticos. Não têm coração, não têm estômago, nem tomates. Além disso, pode-se-lhes trocar o cérebro com o cú que ninguém dá conta de nada.

17 outubro 2008

Quando dizemos que a Polícia se encontra completamente “capturada” pelas Redes da máfia, Crime organizado e Corrupção!


Há algum tempo, algures no início do ano, ao passar pelo famoso “Kayum Center” notei que vários carros do último grito ali estacionados não tinham a chapa de matrícula. O que me ocorreu naquela altura era que, dada a extravagância daqueles indivíduos caracterizada pela sistemática aquisição de viaturas topo de gama e que, pese embora as normas de importação de meios circulantes imponham que em 48 horas após sua chegada ao país, os mesmos devam ser conduzidos à “Tiauto” para a sua legalização junto às Alfândegas, aqueles carros de luxo estivessem ali parqueados ainda nesse processo de “legalização”. Fico estupefacto, ao ver a recente notícia acima que, afinal, esses carros circulam assim pelas artérias da capital e que, se algum polícia de trânsito as intersecta, recebem logo de seguida uma chamada repreensiva dos seus “chefes”, ordenando-os a deixar de imediato os “monhés” irem em paz! Nós os Zé-povinho importamos viaturas e temos que ir pagar quase 100% pelos direitos alfandegários e esta gentalha anda impunente sem se preocupar com esses impostos e o cumprimento das leis vigentes neste país, no que concerne às normas de trânsito!

Outra notícia arrepiante é o facto de estar a haver interferências na fiscalização levada a cabo pela empresa Trans African Concessions (TRAC) às viaturas de transporte de carga ao longo da estrada Maputo-Witbank (EN4) e Av. da Namaacha (EN2), conforme publicou o Notícias de ontem. Mesma história: os infractores que em norma deveriam ser apreendidos e multados, só precisam de usar os seus telefones celulares e logo em seguida, os agentes que estão no terreno a manter a ordem, segurança e durabilidade das nossas estradas, são “enxovalhados” pela sua “bofia” e ordenados a deixá-los seguir em paz!

Uma coisa que as pessoas devem prestar atenção é que as estradas são dimensionadas para um determinado período de serviço, que toma em consideção essas limitantes de carga máxima por eixo e a quantidade de tráfego prevista. Se a primeira grande reabilitação de uma estrada nova estava prevista para 20 anos após a sua entrada em funcionamento, nos temos sistematicamente admirado que, volvidos apenas 5 a 10 anos, essas vias rodoviárias uma vez de alta qualidade se encontrem completamente degradadas. Parte fundamental do problema é exactamente o retratado nesta notícia e que, pelos vistos, e de modo a satisfazer as várias redes clientelares e oportunistas que capturaram completamente as instituições que deveriam zelar pela salvaguarda do nosso Estado de Direito (pelo menos vem assim escrito no Artigo 3 da Constituição da República), continua a ser negligenciado desta maneira inconcebível.

Sem muitas delongas, a questão que coloco é a seguinte:

“Não haverá aqui matéria suficiente para ser instaurado um processo crime contra os indivíduos bem identificados e responsáveis por estas tragédias nacionais aqui reportadas”?

15 outubro 2008

Porquê apoiamos a Candidatura de Daviz Simango?

“Um político pensa nas próximas eleições; um estadista nas próximas gerações”
Noel Clarasó

Como respondi ironicamente ao Bayano Vali, na postagem em que o “Desenvolver Moçambique” anunciou o seu apoio à candidatura independente de Daviz Mbepo Simango, nós fazêmo-lo simplesmente porque “SIM”!

SIM, porque este Autarca traduziu a sua governação em transparência, idoneidade, honestidade e sentido de propósito para com a missão que aceitou levar a cabo que é, trabalhar em prol dos seus munícipes e da sua cidade.

Os resultados falam por si, e este carismático lider foi eleito tanto por organismos nacionais, como internacionais, como o “Melhor Autarca Nacional”. Isso explica volumes e, se alguém precisa de alguma prova, é só olharmos para o facto de que o país ainda nem sequer se recompôs da sua não recandidatura pelo seu anterior partido! Como consequência disso, esse partido está a viver uma crise nacional sem precedentes, cujos resultados globais ainda ninguém pode prever! O que sabemos até este momento é que purgas de caudal elevado continuam a ocorrer nas suas lides máximas. Essa é uma prova que ninguém pode refutar em relação àquilo que realmente representava a governação autárquica de Daviz Simango!

Estive pela primeira vez na Beira em 2001. Aquela é uma cidade que os nossos estudantes de Arquitectura deveriam ter a obrigação de visitar antes da sua graduação, tal é a sua beleza e carácter particular dos seus edifícios, suas ruas repletas de rotundas, entre outros (para quem não sabia, Beira é uma cidade que foi “programada”). Fiquei encantado com a Beira, olhando e apreciando as suas imponentes estruturas, sua organização espacial e fundamentalmente, pela diferença enorme que se nota com outras cidades cujos edificios foram nascendo como cogumelos à volta de um quartel ou de um porto. Mas, verdade seja dita, e em contraste, a cidade tinha um ar sombrio, de estagnação mesmo. Não custa muito observar uma cidade com vida e, a Beira dessa altura estava morta. Porque vinha de Chimoio e tinha tido umas noites apertadas ali no “Coqueiro”, pelo menos foi um alento conhecer aquela discoteca espaçosa e animada que era o “Centro Hípico” lá na Manga. Seguindo a lógica económica da cidade, esta também viria a fechar as portas pouco tempo depois.
Nos meados de 2003 voltei a Beira em serviço e dentre outras coisas, conheci o “Oceana”! Fiquei estupefacto com a beleza daquele complexo à beira-mar, que nem em Maputo se podia ver similar, mas para meu desalento, completamente votado ao abandono. O semblante dos citadinos Beirenses era de indivíduos desorientados, sem esperança pelo presente, quanto mais pelo futuro. Mesmo as “damas chiques” lá do Chiveve, não estavam para “nheque-nheques” do tipo vou tomar uma “red’s”, “spin” ou “amarula”! Elas queriam uma “Manica” ou “2M” inteirinha só para elas. Na verdade, uma cidade muito diferente das outras, naquela altura.

Porém, aquando da minha última visita àquela urbe em finais de 2005, a Beira estava transfigurada. Muita construção de edifícios comerciais e habitacionais florescendo por todos os cantos, as ruas sempre preenchidas de gente e as pessoas mais animadas. Era comum, naquela altura, que as pessoas fossem passar os fins de semana nas várias “Quintas” ora construidas lá pelas bandas do Dondo. Ao passar pelo Shoprite, tive por instantes a impressão de estar em Maputo. A Beira era, desde que a tinha conhecido, uma nova cidade, em franco desenvolvimento!

Por isso digo que não me admiro quando se reporta pelos media, o apoio massivo e suporte das verdadeiras bases que a candidatura de Daviz Simango está a receber não só no Município da Beira, mas do país inteiro! Ninguém está em melhor condição de julgar o progresso verificado naquela cidade durante a governação de Daviz Simango, senão os seus próprios munícipes! São esses munícipes que estão, desde o primeiro momento, a “carregar” (como se diz em gíria popular) a candidatura deste homem, porque eles percebem que essa é, acima de tudo, a sua própria candidatura, dos sem voz e a garantia de que terão um Autarca a velar por eles! O país está a viver a partir da Beira, um movimento de cidadania participativa, sem precedentes na história desta nação, que não vê a fronteiras sejam partidárias, religiosas, estatuto social ou quaisquer outros. É isso mesmo, nós cidadãos temos que defender aquilo que julgarmos se adequar com os nossos propósitos! Os eventos recentes nos nossos dois maiores partidos mostraram que ninguém poderá fazer isso por nós, senão nós mesmos!

É altura deste país começar a ter líderes cuja ascenção e manutenção nos pelouros máximos seja verdadeiramente legitimada por aqueles a quem é suposto virem a servir. Enquanto África continuar a ter líderes que sentem que estão no poder e têm consciência que o único crédito da sua eleição são as suas “MacGaivices” eleitorais, então nada os motivará a trabalhar verdadeiramente pelos seus povos e seus países, porque o pressuposto "contrato social" só terá uma assinatura: a deles! O seu “mérito” continuará a residir somente na acumulação de riqueza ilícita e distribuição de favores aos seus vassalos.

É isso que significa esta candidatura: a salvaguarda da democracia, transparência, integridade e dedicação na nossa cultura governativa para servir aos ideais deste povo e não a utilização e legitimação do poder como uma plataforma para satisfazer redes clientelares parasitas e ociosas, que actualmente acham que este país lhes deve algo.

Se já notaram pelos discursos e intervenções deste carismático Autarca, ele não fala como um vulcão arrogante vomitando lavas fumegantes e tóxicas para a sua audiência, fomentando divisionismo e suspeição entre os seus apoiantes e seus possíveis opositores. Com o seu carisma, Daviz tem procurado reforçar e libertar o que há de melhor dentro de nós: o sentido de justiça, trabalho, honestidade e entrega abnegada para que juntos e unidos como a nação Moçambicana e de todos os Moçambicanos, construamos o país que pretendemos para nós, nossos filhos e para as gerações vindouras!

A frase “Daviz é nosso” ouvida pelo Prof. Carlos Serra na sua breve visita àquela cidade e durante uma conversa com os arrumadores de malas no Aeroporto daquela urbe, encorpa e elucida como a governação de um líder político pode se enraizar, ser interiorizada e se reflectir na pessoa e na vida dos seus munícipes! Esses são factos e não ficções!

Por isso, o “Desenvolver Moçambique”, manifesta o seu apoio incondicional à candidatura independente de Daviz Simango, cientes de que estamos do lado certo da história!

FORÇA DAVIZ SIMANGO, RUMO A VITÓRIA!

“O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado”
Albert Einstein

13 outubro 2008

Este Blog Apoia a Candidatura de Daviz Simango

BANNER DAVIZ SIMANGO-DESENVOLVER MOÇAMBIQUE

Parabéns Mambas!


Este é um exemplo clássico para validar aquele adágio popular que diz que “é preciso acreditar até ao fim”! Quando as nossas esperanças pareciam começar a esmorecer, eis que Moçambique se encontra entre as 20 (vinte) melhores equipas do Continente Africano que vão disputar a terceira e derradeira fase de apuramento simultâneo para o Mundial de 2010 na África do Sul e Copa Africana das Nações ou seja CAN a decorrer no mesmo ano em Angola.
Depois do "stress" e ansiedade gerados nas
últimas horas, acabou ficando confirmada a nossa melhor posição em relação a Gâmbia, no que concerne aos "segundos melhores classificados". Superámo-los pela diferença de golos, como atesta o site da FIFA.

As equipas indicadas na tabela acima serão repartidas em 5 (cinco) grupos, sendo que os posteriores primeiros três classificados seguirão ao CAN e somente os primeiros dos grupos estarão apurados ao Mundial. É preciso referir que, como anfitriões do CAN e Mundial, Angola e África do Sul estão automaticamente apurados para essas respectivas competições. Facto curioso
é que nenhuma destas duas equipas está apurada para a outra competição!

O sorteio para a fase seguinte se realizará em Zurique no próximo dia 22 do corrente. De acordo com a mesma tabela, as primeiras 5 equipas ficarão no Pote 1 referentes aos “Cabeças de Grupo”, Tunísia à Zâmbia ficarão no Pote 2, Burkina Faso à Ruanda no Pote 3 e finalmente Benin à Malawi (Moçambique incluído) ficarão no Pote 4. Uma equipa de cada Pote será seleccionada para formar um grupo de 4 (quatro) equipas.

Antes de desejarmos sucessos a Moçambique nesta fase derradeira e crítica de apuramento que se avizinha é altura de endereçar com o máximo de decibéis que as minhas cordas vocais podem emitir:

Parabéns Mambas!

Parabéns Moçambique!

São estes eventos que aumentam a nossa auto-estima! (claro, o combate a pobreza absoluta também!)

12 outubro 2008

Professor é teu Professor para o Resto da Vida!


"O professor medíocre descreve, o professor bom explica, o professor óptimo demonstra e o professor fora de série inspira"
William Arthur Ward

Conforme Séneca “A educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida”, e hoje celebramos o dia desta classe profissional que dedica e tem em suas mãos a tarefa árdua de formar os habitantes desta nação a serem cidadãos e agentes do progresso social, científico e económico. É árdua porque sabemos das precárias condições de trabalho a que se encontra votado o professor, nao só em termos de salários magros e usualmente pagos após longos períodos de espera, mas também pelas infraestruturas degradadas, turmas superlotadas e fundamentalmente porque, como diz Carlos Drummond, “a educação visa melhorar a natureza do homem, o que nem sempre é aceite pelo interessado”. Isso mesmo, a desmotivação dos alunos, para nosso desalento, tem vindo a ser exponencialmente exacerbada pela recente introdução das polémicas passagens automáticas.

Portanto, há problemas estruturais candentes no sistema, que tornam ser professor nesta Pérola do Indico numa autêntica “barra”! Enquanto denunciamos esses problemas e propomos soluções, não nos devemos esquecer que esta é uma das fundamentais profissões nobres de uma sociedade. Não estamos de forma alguma a insinuar que o professor deva passar a fome ou que as entidades responsáveis nao se devam preocupar a assegurar que o professor aufira a salários que o permitam ter uma vida condigna, mas também lembramos que o professor não pode abraçar esta actividade esperando que venha a ter uma vida similar a dos “lordes da droga”!

Tem vindo a observar-se uma corrosão progressiva dos valores morais desta sociedade e uma coisa em que não se tem prestado a devida atenção é o facto deste “homem” actualmente “corroído” comecar a sua formação na escola. Portanto, tudo o que acontece nesse ambiente é fundamental e precisa de estar sob controlo para que os alicerces não só da ciência e letras, mas também da cidadania, ética e moral, se incrustem nas pessoas desses novos agentes que se vão formando para ir pegando a tocha do desenvolvimento desta nação.

É salutar sabermos que na véspera desta data, a Organização Nacional dos Professores tenha lançado o “Código de Conduta” desta classe, porque sabemos que, apesar de vários casos excepcionais, muito criticismo tem sido levantado para a atitude e comportamento de uma grande maioria dos nossos professores, que se tem deteriorado progressivamente, veja-se, desde os meados da década de 80. Ocorrendo mais de duas décadas depois……..este é um exemplo “clássico” do “mais vale tarde do que nunca”! É premente e pertinente que a troca de notas de passagem de classe por dinheiro ou por favores sexuais, que se encontra enraizada das “unhas dos dedos dos pés às pontas dos cabelos” do nosso sistema de ensino desapareça completamente de todas as escolas deste território, se estivermos realmente cometidos com a formação de sua sociedade que se assente em valores morais, respeito e honestidade!

Esse é o desafio que levantamos aos nossos professores, neste 12 de Outubro de 2008, porque esta classe, fora as outras variáveis e variantes do sistema, tem um potencial enorme para mudar o curso que tem seguido este sector crucial para a formação desta sociedade que queremos, não seja de “habitantes”, mas de “cidadãos”!

Deve ser reconfortante, quando volvidos tantos anos, encontremos aquele nosso professor da primária e nos recordemos das lições de vida que deles recebemos ou que estes ensinaram para que hoje, aquele pupilo de outrora seja um competente engenheiro, médico, agrónomo, arquitecto, sociólogo ou jurista! Este é o resultado do investimento de longo prazo que estes profissionais realizam para esta sociedade e parte essencial dos “lucros” dessa aposta. Não são raros os casos em que ex-alunos, dezenas de anos mais tarde compram uma motorizada, uma bicicleta ou mesmo constroem uma casa para os seus professores!

É mesmo isso: “O professor é professor para o resto das nossas vidas!”

É portanto, fundamental que voltemos a cimentar esses valores nesta Pérola do Índico e que o professor não volte a ser lembrado com pavor e desdém, pelas “atrocidades” que cometera!

Vai por isso um abraço caloroso a todos os profissionais deste sector, pelo trabalho árduo, dedicação e empenho que têm desenvolvido em prol do progresso futuro desta nação. Um “shout-out loud” a todos os bloguistas, em especial à Ximbitane e Yndongah por simultaneamente pertencerem a esta classe “previlegiada” e também contribuirem efusivamente para o debate permanente de ideias nesta “esfera” que nada tem de “virtual”!

A terminar, gostaria que reflectissemos sobre esta frase de Franz Kafka :

“Toda a educação assenta nestes dois princípios: primeiro repelir o assalto fogoso das crianças ignorantes à verdade e depois iniciar as crianças humilhadas na mentira, de modo insensível e progressivo.”

Tenham um bom dia e é bom sinal que a ministra Taípo não dará tolerância de ponto amanhã, porque os nossos miúdos (como o Mazanga) precisam muito de aprender e a qualidade do nosso ensino precisa de melhorar imenso!

09 outubro 2008

“Outubro Vermelho” – Assim NÃO, Sr. Ministro dos “Cinzentinhos”!


"A violência não é força, mas fraqueza, nem nunca poderá ser criadora de coisa alguma, apenas destruidora"!
Benedetto Croce

Temos vindo a viver ultimamente, momentos cada vez mais “inovadores” no que concerne a violência e insegurança urbana! Desde assaltos espectaculares a bancos, tráfico de seres humanos em dimensões assustadoras, sequestros com intuitos de cobrar resgates e, com se isso não bastasse, nesta última semana, a utilização de bombas para detonar ATM’s em plenas instalações hospitalares. Poderiamos estender esta lista até ao fim desta postagem!

Mas a questão que se coloca é: “O que se está exactamente a passar nesta Pérola do Índico”?

Uma expressão comumente ouvida das nossas Autoridades Policiais é que os bandidos e malfeitores têm estado a aperfeiçoar as suas tácticas a um ritmo bastante acelerado que, a nossa corporação policial não consegue seguir-lhes o passo.

Eu gostaria de avaliar esta questão sob o ponto de vista “interno” das nossas várias instituições policiais ou de investigação criminal. Gostaria de lembrar, antes de mais que, grande parte dos nossos agentes “secretos” foram formados em países como a Rússia, Cuba, etc, com regimes cuja plataforma de governação assenta basicamente num “controlo” rígido dos seus cidadãos e acções perturbadoras ao sistema, a história tem nos mostrado, são detectadas de forma eficiente. Aliás, esses regimes continuam de pedra e cal e muito do crédito deve-se essencialmente à performance das suas Instituições Policiais.
Mas então, porque as coisas não funcionam como devem ser, cá entre nós?

Aqui em Moçambique e quem sabe em África, se costuma dizer que “o feiticeiro não entra numa casa, sem que tenha apoio de alguém de dentro”! Até onde isso será verdade em relação à nossa Polícia, gostaria de tecer alguns exemplos:

1) Quando alguém sofre o roubo de um carro, a nossa Policia só de saber a marca, o local e circunstâncias em que ocorreu o assalto, diz imediatamente que “esta só pode ser a quadrilha do Manito ou do Benito (nomes ficticios)”! Nisso, precisam de somas avultadas (muitas das vezes equiparáveis ao valor de compra/venda da viatura) para a poderem recuperar, e não raras vezes exigem ainda uma viatura adicional com combustivel e tudo, para poderem fazer as “diligências” porque, dizem, “a Policia não tem meios”. Nessas circunstâncias, não haja dúvidas que muitos dos carros aparecem.
2) Vou vos contar um episódio real ocorrido em Maputo: um indivíduo meio abastado vê sua casa ser assaltada a meio da noite. Sendo que um primo seu é “alto-boss” da Polícia, logo uma equipa de investigação, com cães patrulha e tudo, é delegada e acorre imediatamente ao local do crime. Vendo as circunstâncias do crime (homens encapuzados, bem armados e bastante rápidos nas suas operações), é apontada imediatamente a quadrilha do “Jonito” (nome ficticio). Em seguida, a Polícia e o proprietário da moradia assaltada dirigem-se à casa do chefe da presumível quadrilha. Estes são recebidos cordialmente na sua “mansão palacial”, primeiro pela esposa deste e depois pelo visado, que pergunta antes se pretendiam tomar alguma coisa e depois, qual era a “preocupação” que os trazia àquela hora da noite. Após explicação dada pela Polícia, “Jonito” diz assim de boca bem aberta que “não se tratava dos seus homens, porque “estes tinham recomendações para assaltar apenas casas de cooperantes (leia-se estrangeiros), naquele fim de semana”! Porém, o que ele poderia fazer era contactar no dia seguinte o pessoal do seu “armazém” na Manhiça para saber se “receberam algo” e depois informaria ao official da Polícia. Posto isto, estes se retiraram de mansinho da mansão do chefe da quadrilha.

Portanto, podemos ver como a nossa Polícia conhece bem e anda completamente capturada pelos ladrões e assaltantes. Há uma convivência assustadoramente pacífica entre estas “instituições” do crime organizado e do suposto combate a esse mesmo crime.

Outra coisa que me deixa totalmente estupefacto é a nossa própria coabitação com a anormalidade: Como é que uma “zona comercial” (se é que se lhe pode dar esse nome) como o “Mercado do Estrela Vermelha” (Maputo) onde se sabe que acima de 80% dos produtos ali comercializados são provenientes de roubos, é deixada operar de forma impune há não sei quantas décadas ali mesmo no coração da nossa cidade capital?? São faróis, pisca-piscas, pára-brisas, espelhos retrovisores, electrodomésticos, telefones celulares, etc, vendidos num exercicio “diário” de roubou-vendeu-roubou, e ninguém faz nada! Alguém me disse que até viaturas são agora por lá vendidas! A Polícia deve fazer o seu papel, mas nós como sociedade civil responsável devemos fazer a nossa parte, boicotando a aquisição de produtos obtidos de forma ilícita e nos consciencializando que é nos agentes e lojas apropriadas que o devemos fazer.

O que cada cidadão gasta em termos de segurança pessoal, de seus bens e propriedades, começa a ser algo insustentável nesta nação! É inadmissível que continuemos a viver neste ambiente de constante insegurança, sem saber quando os “donos” virão buscar os bens que com muito custo adquirimos! Moçambique não pode continuar a viver neste “far west” autêntico! Isto, Excia e seus súbditos “cinzentinhos” é inaceitável e extravasa todos os limites do tolerável!

Se, conforme Eva Perón “A violência nas mãos do povo não é violência mas justiça”, então não nos devemos admirar da onda cada vez crescente de linchamentos neste país. A Polícia completamente engolida pelos malfeitores não tem estado a desempenhar a sua tarefa! Muita gente não percebe porque um indivíduo provadamente assaltante, mesmo que capturado inúmeras vezes em flagrante delito (pela população, veja-se), seja sistematicamente reconduzido a liberdade! O facto é que, e digo isso por experiência própria, cada malfeitor apreendido, não passa de uma oportunidade “soberana” de negócio para a Polícia. Somas monetárias, muitas das vezes irrisórias, têm estado na origem da perpetuação da nossa convivência com malfeitores!

Acho que outro aspecto que deve ser considerado nesta análise é a própria composição dos organismos directivos do Ministério que deve garantir a segurança e ordem públicas. Se o Ministro e seus assessores influentes são “civis”, não estará aqui a ocorrer uma espécie de pirraça e sabotagem pelos profissionais de carreira, por insatisfação com essa situação?? Como se diz naquela crónica em que o javali ficava ali no seu canto, deixando todos falarem e tomarem as suas decisões erradas ou certas, sem dar o seu conselho ou palpite, apesar da sua extensa experiência!

Mas independentemente do que esteja a acontecer na nossa Corporação, as instituições de direito têm que encontrar a solução. É essa a sua responsabilidade! Não pagamos os nossos impostos para ouvir desculpas esfarrapadas!

E Excia, “enough is enough”! Se não está a altura de dar cobro à situação, a custo do sofrimento perpétuo deste povo que tem procurado fazer a vida honestamente, então reuna a sua equipa e se demitam colectivamente! Nós é que não estamos aqui para continuar a pagar nossas vidas, bens e propriedades pela vossa sistemática negligência em garantir segurança a esta nação.

E se alguém tem dúvidas de como a Polícia pode ser capturada pelo crime organizado, aconselho a assistar ao filme “American Gangster”, de Denzel Washington! (uma história verídica)

03 outubro 2008

“Outubro Branco” – Uma Herança do Carácter deste Povo!

“A felicidade não é fruto da paz, é a própria paz”!
Alain

O 4 de Outubro que amanhã comemoramos reveste-se de uma particularidade que se calhar muitos de vós ainda não tinham notado! Pela primeira vez, iremos superar os anos pós-independência em “Guerra Civil”, com anos sucessivos em “Plena Paz”! Foram 15 anos sanguinários agora enterrados completamente pelos 16 de “Paz Duradoira” e garantia da prosperidade deste povo que soube sofrer, mas que pelo seu espírito de determinação, perseverança e tolerância, se comprometeu em nunca mais deixar esmorecer este “feito nacional” e dos poucos exemplos de sucesso, no contexto actual da humanidade! Não somos ainda perfeitos, por isso, estas ocasiões devem ser de reflexão, por forma a irmos refinando cada vez mais a nossa nação, com vista a encontrarmos na diferença de opinião, salvaguardada pelo diálogo tolerante, franco e aberto, uma oportunidade permanente para temperarmos as nossas próprias convicções e crenças! O “país real” há-de ser produto desse exercício contínuo e resultado da cimentação da noção de que, independentemente da raça, religião, língua materna, condição social, filiação partidária, etc, cada um de nós tem a sua cota parte a oferecer para o progresso e prosperidade desta nação! Que não há “correctos” ou “errados”, “predestinados” ou “ignorados”, detentores de “verdades absolutas” ou os que nunca devem abrir a boca, mas que, de uma forma inclusiva, esta nação se fortaleça no amálgama que a caracteriza e se torne no seu dia-a-dia, cada vez mais una, indivisivel e que cada “cidadão” chegue ao ponto em que perceba, pela evidência prática, que o seu sucesso depende apenas do seu esforço e do seu desempenho! “Que tu podes conseguir, se tentares”!

O conceito de “Nação” não se circunscreve apenas a meros limites geográficos, mas fundamentalmente, à partilha de valores e ideais comuns!

É meu desejo que, neste 4 de Outubro de 2008, cada um de nós Moçambicanos reflicta seriamente sobre os valores e ideais que pretende ver incrustrados neste território do Índico, não como manifestação das ambições ou aspirações dos seus mais de 20 milhões de habitantes, entanto que entidades individuais, mas como uma força motriz uni-axial, comprometida com o progresso social, económico e o fortalecimento da nossa cidadania!

Se, conforme Georges Clemenceau, “É mais fácil fazer a guerra do que a paz”, então não me resta dizer mais nada senão:

Bem Haja, Moçambique!
Parabéns a Todos os Moçambicanos!

E que estejamos atentos para que nenhum figurão venha aqui a público referir que, esta herança do nosso carácter e dos valores em que acreditamos e pretendemos salvaguardar para todo o sempre como “Nação Orgulhosamente Moçambicana”, é algo que actualmente “está no seu bolso” ou que “depende da sua disposição ao amanhecer!

“Cahora Bassa pode ainda não ser nossa”, mas que ninguém tenha dúvidas que, “Esta Paz que herdamos e cuidamos todos os dias, é inteiramente Nossa”! (Não devemos créditos, juros, salamaleques, nem mordomias a quem quer que seja!)

“O Desenvolver Moçambique” com nova roupagem!

"Qualquer pessoa é capaz de ficar alegre e de bom humor quando está bem vestida"!
Charles Dickens

Graças à diligente e solícita amiga Carla Ribeiro ou como carinhosamente a trato, Carlinha, o “Desenvolver Moçambique” pôde ir “às compras” e adquirir umas roupinhas giras! Thanks amiga pela tua predisposição incondicional em ajudar aos outros e, através do seu enorme talento de “criatividade, concepção e design”, melhorar a imagem e o visual deste e de tantos outros blogs (Moçambicanos)!
Thanks pelo teu espírito patriótico e por “encher o olho” aos leitores e visitantes do “Desenvolver Moçambique”!

23 setembro 2008

Eleitorado “Azarado”!


“Nos indivíduos, a loucura é algo raro - mas nos grupos, nos partidos, nos povos, nas épocas, é regra”
Friedrich Nietzsche

Não raras vezes, temos ouvido ultimamente a palavra “azar” para descrever ou caracterizar alguns infortúnios das nossas lideranças! Se se trata de eventos “naturais”, forças malígnas da natureza, às quais “nada” podemos fazer senão esperar pela consumação da catástrofe e destruição que consigo trazem, acho legítima a sua utilização. Porém, se a homens e resultados das suas decisões se referem, então esse termo se encontra fora de contexto. “Os homens traçam o seu destino” e isso, em muitos aspectos, é uma verdade irrefutável!

Sou um proponente e defensor acérrimo da “alternância governativa” para o amadurecimento e desenvolvimento de qualquer democracia! A estagnação e a monotonia, tende a produzir comodismos e indiferença para com os propósitos reais do poder político instituido e adquirido. A “alternância governativa” irá sem sombras de dúvidas, focalizar os detentores de cargos públicos e políticos na essência da sua governação, que é servir o povo, conduzi-lo ao progresso e a prosperidade.

A “excitação” que se tem estado a viver recentemente pela candidatura independente de Deviz Simango (afinal, qual é o nome correcto deste Autarca? Deviz, Daviz ou Davis? Alguém esclarece?) pode ser o prenúncio de um vazio que se vive na nossa arena política e da necessidade premente que este povo tem para com “resultados” das suas elites políticas.

Os eventos políticos da última semana, mostraram mais do que nunca que provavelmente, o surgimento de um movimento cívico, alicerçado nas forças vivas da sociedade, e com um propósito bem definido, seja a curto prazo, uma via alternativa credivel com vista a incrustrar princípios de “accountability” na nossa governação.

Nas condições actuais, só um eleitor informado e “suicida” é que pode apostar na nossa oposição existente! Quem ouviu as afirmações do considerado “líder da oposição”, sabe perfeitamente do que estou a falar!

É ao mesmo tempo assustador e desolador, perceber que volvidas estas quase duas décadas, esse suposto “líder” continue a ver o mundo como a extrapolação de uma “base militar”, com um comandante supremo e um “rebanho” de recrutas e sargentos sem “importância” alguma, senão para cumprir ordens!

Que esse líder, tal como Bush orgulhosamente não se cansa de referir que apesar de ser um “C student” ele é que é o "presidente" e que os Phd's não passam de "advisers" ou McCain agora de boca cheia diz que foi 15º (de baixo para cima) dentre 900 graduados da Academia Naval, ache que o elogio à mediocridade seja uma coisa “cool”, e ainda menciona que isso serve para “salvar a democracia”(??). Outros líderes (facto curioso, também militares) afirmaram recentemente que “os jovens podem vender o país” e este suposto “pai da democracia” diz sem pestanejar que essa é a via correcta de abordar o contributo que essa juventude tem para oferecer a nação!
Quando o seu porta-voz diz que “Daviz Simango é bastante perigoso para a estabilidade do país, por tratar-se de um indivíduo demasiadamente ambicioso e apegado ao poder” não poderia estar a caracterizar melhor o seu próprio “líder” partidário.

É realmente um “perigo” que alguém ache que este senhor retrógado e que não vê a meios para se “pendurar” ao poder, qual Mugabe da serra de Gorongosa, esteja a altura de conduzir os destinos desta nação.
Este senhor pode ter a certeza que doravante, só pode esperar pelo voto do cidadão lá na “casca da rolha” que nada sabe do que acontece nos nossos corredores políticos!

Tal como disse E. Marchi, “A paciência dos povos é a manjedoura dos tiranos” e o nosso silêncio tem estado não só a produzi-los como também a torná-los obesos, em toda a parte.

Se “Deve-se julgar da opinião e carácter dos povos pelo dos seus eleitos e predilectos” como disse Marquês Maricá, os eventos da Beira são prova irrefutável de que este povo sabe bem, que tipo de governante é que pretende.

E esta não é altura para dizermos que “somos azarados” em relação as nossas actuais lideranças políticas! Esta é altura para trabalharmos afincadamente para eleger esse carismático líder que encarna o espírito da liderança que pretendemos ver enraizada por este país todo. Temos que nos lembrar que “Cada povo traça o seu destino”!

Devo concordar com o Reflectindo quando diz repetidamente que devemos pensar como “cidadãos”! Realmente, muitos de nós limitam-se apenas a pensar pelos seus partidos e nunca pelos interesses da nação, porque essas organizações políticas não passam de um meio de sobrevivência para os seus membros, quando deveria ser o contrário! Os seus empregos, os seus negócios, empreendimentos, etc, são coisas sempre “ancoradas” aos partidos! Esse é um câncro que precisa de ser “banido” em prol do progresso desta nação.

O movimento em torno de Deviz Simango, é a primeira oportunidade real para invertermos esse actual campo de forças existente! Proponho que este jovem Autarca lance já pelos média e outros canais de comunicação, números de contas bancárias, para que possamos contribuir pela sua candidatura e por esta campanha eleitoral crucial ao futuro desta nação!

“Quando os tiranos caem, os povos levantam-se!”
Marquês Maricá