07 outubro 2011
Eleições Intercalares de 7 de Dezembro de 2011: Overwhelming Chances for Democratic Breakthrough!!!
27 setembro 2011
X Jogos Africanos – My Views on Our Sports’ Quagmire (Conclusion)!!!
Para qualquer observador atento, nas últimas duas décadas, exceptuando projectos de “extracção mineral” que não têm como ser implantados senão nos locais onde esses “recursos minerais” existem, de grosso modo, os grandes investimentos têm sido realizados aqui em Maputo ou em suas regiões satélites!! As províncias do país, onde de facto existe a maioria da população, tem progressivamente sido deixadas a “minguar”, com orçamentos per capita completamente desajustados, sem impulso algum dado à actividade industrial e económica, sabendo-se que “historicamente”, estas é que sempre foram o “garante da riqueza nacional e robustez das reservas estatais”!!
E, a única forma de ver a razão de ser desta “política governamental” é associá-la a uma preocupação (des)concertada em manter uma hegemonia artificial e falsa da região sul em relação às outras!! E, se isto acontece com a “política económica”, o que deve se imaginar da “política desportiva”?? Ao “amputar” a estrutura económica das províncias, sabe-se de antemão que se impede a emergência de “actores locais” que disponham de recursos para investir na indústria e na economia, quanto menos no “desporto”!!
Quem olha para as “modalidades tradicionais” ou “emergentes”, nota que, praticamente, só existe competição aqui no Maputo!! A competição nas províncias está completamente parada, hibernada!! Os clubes não têm recursos para promover essas modalidades que até são menos onerosas que o futebol.
Para assessar “soluções imediatas” para o desporto nacional, penso que devíamos olhar para o que está a acontecer correntemente no “futebol”!! O país estava na eminência de nem sequer ter um “campeonato nacional de futebol” porque os clubes (e aqui não falo apenas dos provinciais) não tinham recursos para aguentar com as despesas (viagens, hotéis, etc) no decorrer da competição anual!! O “ataque cardíaco ao desporto-rei” já estava mesmo a bater a porta e aí teve que se encontrar uma “solução centralizada”, a partir da qual o Organismo Federativo passou a mobilizar recursos externos (à FMF) para suportar parte significativa destas despesas!!
Se olharmos para o basquetebol, voleibol, andebol, atletismo, natação, ciclismo, hóquei, ténis, boxe, canoagem, karate, etc, alguém tem dúvidas que as respectivas “Federações Nacionais” não passam mesmo de “Federações de Maputo”?? Que os respectivos presidentes só se lembram das “províncias” nos momentos de campanhas eleitorais para concorrer ou renovar os seus mandatos???? Que esforço nenhum fazem para reactivar a competição, primeiro a “nível provincial” e depois nos “campeonatos nacionais”, assegurando-se sempre que cada província tenha o seu representante???
O que acontece é que as nossas “selecções nacionais” não passam de aglomerados formados a partir de atletas de três ou cinco clubes, mormente sediados em Maputo, com um e outro indíviduo de um clube provincial, para “colorir a fotografia” e dar-se vazão aos “acólitos do regime” a apregoarem uma hipotética “unidade nacional” que todos sabemos, é só “da boca para fora” e materialmente não existe e nem é implementada por sector algum!!
“Unidade Nacional no Desporto” não há-de ser atingida pelo simples facto de termos jogadores de cada província na selecção, mas quando as nossas selecções nacionais passarem a ser constituídas por talentos natos emergidos da exaustão competitiva, primeiro nos campeonatos provinciais, e depois nos campeonatos nacionais!! A hegemonia desportiva de cada região há-de surgir nesse processo e penso que a unanimidade na composição dos nossos combinados nacionais surgirá de forma natural. Se houver contestação há-de ser eventualmente por não sabermos que super-talento terá que ser deixado de fora, pelo número limitado das vagas a serem preenchidas!!
E, a pergunta que surge é: “Será que temos algum receio que se tome este caminho para o fortalecimento do nosso desporto”???
Esta é a única forma de nos tornarmos competitivos tanto à nível continental como global, porque nós Moçambicanos não temos “malformação congénita” alguma que nos impede de ter sucesso no desporto!! Ao contrário dos “intelectuais orgânicos” que já correram a tentar “externalizar o problema” (os nossos atletas têm falta de rodagem internacional), “o problema do nosso desporto é interno e causado primariamente por esta falta de competição desportiva à escala nacional”!!
Tem sido um esforço de louvar, a continuidade que tem sido observada à nível do “desporto escolar”, mas é preciso termos noção e consciência que, muitos daqueles miúdos nem sequer tencionam ou visionam uma carreira no desporto!! A única forma de captá-los e atraí-los ao desporto só será possível se existirem “estruturas profissionais ao nível local” (clubes) para investir, guiar-lhes o rumo e fazer sobressair a gema desportiva nesses talentos!! A inexistência ou incapacidade dos clubes, como se observa actualmente, é que tem concorrido para a praticamente "morte na praia" das nossas várias promessas juvenis!!
E, algo que não deve ser excluído do actual “cenário desportivo nacional” (em que há 'satisfação plena' mesmo que a competição se circunscreva apenas a Maputo), consciente ou inconscientemente, são os seus “contornos políticos”!! Uma saudável e aguerrida competição desportiva envolve sempre “muita emoção e muita paixão”!! Para povos “forçosamente adormecidos”, esses são condimentos essenciais para o “despertar de um outro tipo de consciência”!! A consciência de que “afinal nós podemos”, “nós conseguimos”, “nós somos fortes”!! O “despertar dessa consciência” é fundamental e costuma ser um veículo galvanizador na “afirmação dos povos”, seja em termos “económicos, políticos ou sociais” e o desporto, sozinho e subtilmente é capaz de recriar isso tudo!!
Por isso, meus compatriotas, a nossa performance nestes Jogos Africanos deve ser, antes de mais, motivo para avaliarmos as “razões estruturais” que entorpecem e concorrem para os nossos fracassos desportivos!!
Conforme disse acima, e até pelo número reduzido de participantes e recursos mais baixos a despender, a fórmula correntemente em uso no futebol deve ser disseminada e implementada noutras modalidades individuais ou colectivas, para se poder reactivar a competição à nível nacional, em termos imediatos!! Mas a solução a médio-longo prazos passa incontestavelmente pelo “levantamento dos travões” que têm sido impostos ao avanço económico das províncias deste país!! É preciso que se deixe as províncias crescer e progredir até onde as suas potencialidades humanas e materiais lhes permite!! Só a prosperidade económica é que vai devolver mais actores locais a investir no desporto (local) e assim se reacender a competição, primeiro à nível provincial e depois na sua magnitude nacional!! Os talentos daí emergidos estarão suficientemente rodados e preparados para nos trazer as medalhas que há muito almejamos!!
O momento é de reflexão e propício para nos propormos a esses ambiciosos desafios de promovermos o progresso económico das várias regiões e povos que encorpam esta Vibrante Nação e com ele não só avançaremos o desporto, mas colectivamente também outros aspectos sociais cruciais ao desenvolvimento, como a educação e a saúde, em verdadeiro espírito de irmandade, harmonia e unidade nacionais!!
Se haverá intenção ou vontade para tal, nós estaremos aqui para retrospectivamente avaliar o caminho que vamos percorrer a partir deste momento em que terminam os X Jogos Africanos!!
A todos os atletas presentes nestes Jogos e que honraram a nossa bandeira com o seu trabalho árduo e abnegação, mesmo em presença à várias limitações logísticas e materiais, vai o nosso apreço e muito obrigado!! Vocês são o nosso Orgulho Nacional!!
X Jogos Africanos – My Views on Our Sports’ Quagmire!!!
Se o “básico” esteve definido antes do “tiro de partida”, já os detalhes falharam em vários aspectos, o que vejo como “consequência natural de uma programação por cima do joelho”!! Num evento complexo como este, em que as acções prioritárias rondam o infinito, há coisas essenciais que, quando são esquecidas na fase de planificação, só são descortinadas quando o “objecto maior” já está executado!! Se se tratar de equipamento e apetrechamento de um edifício, é preciso que o mesmo já esteja concluído, as pessoas andem pelos seus compartimentos e notem que “Epah, veja que nos esquecemos de pôr aqui um painel televisivo”!! Hoje, estes equipamentos de tremenda utilidade diária e que serviriam de “porta de lançamento” e dar a conhecer o país aos nossos visitantes, encontram-se a preços de banana em qualquer mercado de produtos electrónicos!! Mas não é possível ver estas coisas, se terminarmos a última mão da pintura, umas horitas antes da corrida começar!!
Mas, o que eu acho ter sido inconcebível foi não ter a “sala de comunicações” pronta para a difusão do evento principalmente pelos média internacionais e nacionais (apesar destes últimos levarem vantagem em “como se virar”) ainda na véspera do evento e ter sido criado um website para cobrir de forma exaustiva e actualizada, o decorrer dos Jogos!! Aqui é preciso dar “as mãos e os pés à palmatória” e encontrar pessoas para “perfilar” não me parece ser tarefa árdua!!
No entanto, é preciso perceber que, sem descurar o avanço em termos de novas infraestruturas, o envolvimento dos países na organização de eventos desta natureza visa essencialmente “ganhos desportivos”!! Trago aqui à memoria, os Jogos Olímpicos de Beijing 2008 ganhos pela China, o Mundial de Futebol França-1998 ganho pelo pais organizador, o Mundial de Futebol Sub-17 realizado há poucos meses e ganho pelo país organizador (México) e, falando propriamente dos “Jogos Africanos” temos o Egipto – 1991 , África do Sul – 1999, Nigéria – 2003, que organizaram e venceram os respectivos Jogos!! “Vencer é um imperativo sempre presente” e também não é por não vencer que “passamos a não valer nada”, mas quando o meu país é dado a vencer apenas 13 medalhas e nenhuma delas de ouro, um indivíduo fica no desamparo e sem saber se “se esconde e chora sozinho no sótão” ou “se saiu correndo nu pela rua abaixo gritando MAMAWUUUUÉÉÉÉÉÉÉÉÉ”!!!
E aqui, “é preciso fazermos uma análise desapaixonada ao estado a que chegou o nosso desporto nacional”!!
Essa é coisa que vou fazer no próximo post, mas como um bom patriota sugiro às autoridades desportivas (de hoje ou as que virão amanhã) para que se adopte como “Princípio Sagrado de Estado”, que a nossa candidatura para a organização deste tipo de eventos só seja efectivada, uma vez reunidas as condições de sucesso desportivo, assegurada a maturação de talentos nacionais com cartas dadas e que já tenham sido medalhados em competições organizadas por outros!!
09 setembro 2011
Muammar Gaddafi: “My Views on Libya’s Debacle”
Mas é preciso notar que o continente Africano, apesar da jóia que é tanto ao nível humano, ambiental e extensivas riquezas naturais, continua sob forte “agenda depreciativa” nos países “considerados ricos”, pelo seu relativo atraso económico e dificuldades sociais de vária ordem!! Esta “agenda depreciativa” tem servido para moldar uma “imagem abominável” e de "pouca simpatia" a tudo quanto seja Africano e, essencialmente, manter as chamadas “sociedades avançadas” numa total obscuridade sobre o que realmente é este continente e o que são as suas gentes!! Se se perguntar a um Europeu, Americano ou Asiático se alguma vez viu fotos panorámicas de uma cidade Africana, das suas praias e estâncias turísticas, da vibrante sociabilidade e humanidade que carregam as suas gentes, da sua riqueza cultural, etc, a resposta será certamente negativa!! "Isso não passa em lado algum"!! O que se conhece de África são imagens como as da corrente crise humanitária na Somália!! Para o mundo lá fora, é aquilo que acontece em toda a África!! África é “plain and simple” aquilo!! Aliás, a ignorância é tanta que “África é um país”!! Não há ideia da tremenda diversidade e peculiaridades que caracterizam os agora 54 países que cobrem este continente!! Não admira que, com tudo o que temos neste continente, a nossa porção de absorção do turismo mundial se situe em meros 0,8%!! “Atão”, anda “tudo mundo” petrificado de medo lá fora sobre tudo o que seja Africano……….!!
No entanto, importa lembrar que nessas “sociedades desenvolvidas”, mesmo que sejam eles mesmos a “moldar as percepções do seu público”, os governos precisam de apoio da sociedade para enveredar em suas “acções pouco famosas”!! E, é aí onde surge a verdadeira razão de existência da “agenda depreciativa”: com os níveis de simpatia extremamente baixos, “servir de móbil justificativo a qualquer acção unilateral de interferência na gestão dos assuntos Africanos”, “porque eles próprios, coitados, não o sabem fazer”!! De facto, esta não é uma artimanha nova!! A utilização desta fórmula, pode ser claramente vista como uma metamorfose do antigo motto de “ir civilizar os selvagens”, como justificação da invasão colonialista não só a África, mas a todas outras partes do mundo que sofreram esse infortúnio!! Em nenhum momento, alguém disse que os “invasores” estavam desprovidos de recursos nas suas terras de origem e pretendiam “açambarcá-los” à força, de outros povos!!
Hoje, “ir civilizar os selvagens” veste a capa de “levar a democracia” aos povos sob o jugo de “ditaduras abomináveis”!! Sem pretender revisitar a história universal e observar as origens desta forma de organização política das sociedades e, nos concentrarmos apenas na etimologia desta palavra “Democracia”, perceberemos facilmente que “tudo reside e se centra no povo”!! Portanto, se esse “povo” quer genuinamente que a sua sociedade passe a ser “democrática”, ele tem que ir à rua, lutar e fazer valer os seus direitos!! Note-se, “O Povo”!! Ninguém vai trazer a “democracia” misturada numa mala com notas de dólares ou euros ou, no pior dos casos, com bombas lançadas de alturas acima de 50 mil pés!!
“Democracia” alguma resiste a essas estrondosas explosões, nem “povo” algum consegue encontrá-la por entre os escombros!!
Hoje feliz ou infelizmente, estamos em posição confortável para avaliar eventos recentes e consequências deste tipo de acções:
- Egipto e Tunísia: o povo foi à rua e, praticamente sem destruição e sangue derramado, removeu os regimes precários que os governavam há décadas. Por esse “simples” facto, ninguém precisa de dizer aos povos Egípcio e Tunisino que “a soberania reside neles”!! Isso já está encorpado e corre pelas veias de qualquer cidadão daqueles países!! Doravante, os regimes que forem a emergir terão disciplina, acountabilidade e não terão dúvidas a quem essas contas deverão ser prestadas!! Se tivesse que apostar, eu não teria muitas dúvidas em depositar as minhas moedas “num futuro próspero e risonho para estas nações”!!
- Iraque e Líbia: países ricos em petróleo, governados por mão-de-ferro de “ditadores abomináveis”, com fortes fracções tribais (entretanto contidas pelas “feras”)!! Democracia trazida por “bombas” e, ao primeiro sinal de “caminho desimpedido”, mesmo antes de mais nada definido sobre a suposta “afirmação democrática desses povos”, vemos companhias petrolíferas de “países desenvolvidos” caíndo de pára-quedas, directamente para os campos petrolíferos com as suas “bombas de sucção em funcionamento, já amarradas a mangueiras de largo diâmetro”!! No caso do Iraque, hoje volvidas quase uma década, não temos dúvidas sobre os resultados da tal “democracia empacotada”!! No caso da Líbia, “a procissão ainda vai no adro”, mas desde o primeiro momento das “manifestações pacíficas”, as várias cadeias noticiosas nunca falaram de cidadãos, mas de “revoltosos armados” por si apelidados de “rebeldes”!! Bom, "cidadãos que já têm armas, para levar a cabo as suas manifestações pacíficas??”……., “donde as trouxeram??” Essa é pergunta que não precisa de ser respondida porque mais tarde, a “comunidade internacional” tratou de formalizar aquilo que seria uma “acção impensável num mundo imoral”: “armar um exército rebelde que ninguém sabia onde estava”!!! Depois seguiu-se o lançamento do último álbum de "Rap" cognominado “R2P” (Responsibility to Protect) distribuído “gratuitamente” por uma vasta “zona de exclusão aérea”!! Rapidamente a “música humanitária para boi dormir” se metamorfoseou nos grandes hits de verão, “Agressão armada” e “Gaddafi must go”!! Gaddafi ainda resiste em parte incerta, mas ao nível que mais “esta tragédia Africana” (integralmente cozinhada noutras paragens) se encontra, só por um milagre não terminará aniquilado!! “A democracia tem que ser entregue ao povo Líbio à todo o custo”!!
No final, teremos um Conselho Nacional de Transição (CNT) com o pescoço torcido e envolto em ligaduras (de tanto se virar), por não saber se a nova capital da Líbia será Paris, Londres, Roma ou Washington!! Qualquer acountabilidade terá que ser prestada em primeira mão a esses locais e não sei quem se ocupará pelas causas dos “Salafis e Berberes” que deviam ser “protegidos” (in the first place), quando contrariamente aos casos Egípcio e Tunisino, nenhuma “soberania” correrá pelas veias desses povos!!
São estes os “regimes democráticos” que se pretendem pelo mundo à fora!! “Um bando de incompetentes sem nenhum cometimento pelas causas dos seus povos”, mas cuja preocupação-mor é “estender o tapete vermelho aos invasores de costume”, para abalarem com os recursos usurpados de seus povos, à troco de umas microscópicas migalhas!!
E, se me pergutassem o que prefiro entre:
Ter um “ditador abominável” que não garante direitos políticos ao seu povo, que enriquece a sua família fora de medida, mas que em contrapartida tem uma política com extensos benefícios sociais garantidos ao seu povo, com uma distribuição de riqueza nacional muito acima da média dos “países considerados ricos”, e, por outro lado, uma “democracia empacotada” trazida sobre bombas e que não tem como servir a outros interesses senão aos de “potências económicas falidas” (falência essa que remonta aos tempos de outras tragédias como a “partilha de África”), eu não teria dúvidas qual seria a minha opção!!
E você caro leitor, sabe pelo que optaria??
Que nós Africanos precisamos de profundas e urgentes mudanças, isso é matéria que não precisa de ser levada à debate!! Mas qualquer mudança que não saia de nós mesmos, que não esteja genuinamente comprometida com a defesa dos nossos sagrados interesses, jamais valerá a pena!! Porque continuaremos a perpetuar este ciclo em que uns acham que são “ricos”, mas para manter o seu "nível de vida" e “estatuto de riqueza” não se coíbem em dilacerar outras nações e usurpar desenfreadamente os seus recursos!! Lembrem-se que houve escravatura e Africanos houve que capturavam e vendiam seus irmãos para irem ser usados como objectos!!! A compensação por “esses investimentos que dávamos a perder”, eram também “magrinhas migalhas”………..!!! É esta saga que continua nas suas múltiplas metamorfoses........!!
E, se há continente que precisa de estancar este “pernicioso ciclo” é África!!
30 junho 2011
Como Funciona a Corrupção na Construção Civil em Moçambique: “Os Carapaus-Médios!!” - 5
Caracterização da Espécie
Para aquilo que se enquadra nos propósitos desta série, compõem a classe de “Caparaus-Médios”, os indivíduos que, não estando no topo, nem comendo poeira todos os dias, detêm um poder de decisão enorme, no que concerne à “adjudicação” e “fiscalização” de obras. Este grupo encontra-se “camuflado” em departamentos de instituições estatais essencialmente promotoras de “obras públicas”, mas também operam a partir de instituições privadas, como ONG’s ou multinacionais com interesse neste sector.
Constitui a classe de “carapaus-médios”: o pessoal sénior do GACOPI (Gabinete de Coordenação de Projectos de Investimento/MISAU), CEE (Construções e Equipamentos Escolares/MINED), Direcção de Logística e Infra-Estrutura/AT, Direcção de Infraestruturas/MUNICIPIOS, Coordenação de Projectos/ONG’s, entre outros.
Pela natureza “sistémica e continuada” das suas acções, pelas “volumosas somas que desviam”, não tenho dúvidas em afirmar que os “carapaus-médios” ocupam a “linha da frente” da “corrupção na construção civil em Moçambique”.
Pela sua quantidade de “tentáculos” e, se de facto pensou que se tratasse de “peixes”, fique atento ao próximo post para perceber como actuam estes “moluscos”!!
25 junho 2011
Frase da Semana!!
“Jovens Moçambicanos!! Mesmo sem emprego, sem dinheiro no bolso, sem comida no prato, sem perspectivas do presente ou do futuro, não se manifestem!! Senão vou deixar de ter boa vida…..!!!”
Vossa Primeira-Dama Que Tanto Vos Adora
15 junho 2011
A Verdade Sobre a Cesta Básica - Conclusão!!
Se olharmos para o valor agregado de bens, os rendimentos mensais e o desemprego massivo neste país, não seria um exagero considerar 75% da população qualificável para a “Cesta Básica”!! E, ajudar essas pessoas a satisfazer as suas necessidades básicas de sobrevivência seria, sem muita aritmética, um buraco enorme no orçamento do Estado!! O Governo da Frelimo sâbe-lo perfeitamente!!
Hoje podemos julgar, com certeza absoluta que, em toda a cronologia dos eventos, os anúncios feitos à volta da “Cesta Básica” tiveram sempre “a carroça à frente dos bois”!! Em nenhum momento houve um “critério de elegibilidade” definido!! Em nenhum momento houve um “plano de atribuição da cesta básica” traçado!! Em nenhum momento se sabia o que, de facto, se iria fazer!!
O que se viu a seguir foi uma “Cesta Básica” inicialmente “recheada, colorida e gratuita” se metamorfoseando rapidamente para uma “Cesta Vazia”, uma “Não-Cesta”!! A última novidade, anunciada pelo ministro Manuel Chang é que a “Cesta não será gratuita!! O Governo vai apenas subsidiá-la em caso de aumento de preços e pagar a diferença”!!! Outra aberração é que a “cesta básica durará apenas 6 meses”!! Tomara que nesse período em que esta “teórica ajuda” estiver em implementação, se consiga ao menos cadastrar os beneficiários!! Assim, já serve a desculpa de, a seguir, lhes dizer que: “o prazo, por lei, para atribuição da cesta está esgotado”!!
Quando se fala em “Cesta Básica” fala-se sempre em ajuda directa, fala-se em “comida real” ou “dinheiro vivo” disponibilizado àqueles que têm dificuldades em garantir o seu sustento!! Em nenhum momento se serve à população vulnerável cabazes de “macroeconomia, PIB, conjuntura internacional, inflação a dois dígitos” e todos esses dizeres hoje tão úteis para justificar o fraco desempenho e incompetência dos governantes!!
Estas são daquelas coisas que só acontecem em Moçambique!! Se o Governo da Frelimo sabe que não tem condições objectivas nem para registar as pessoas, quanto menos ajudá-las a suprir as suas necessidades alimentares, porque é que se envolve em encenações teatrais de tão baixa performance??!!
De uma coisa é certa!! Aquando das manifestações de 1, 2 e 3 de Setembro do ano passado, o Governo da Frelimo fez ouvidos de mercador ao sofrimento do povo, à aura permamente de insatisfação e aos anúncios para a revolta!! Viu-se que simples “apelos à ordem” à ultima hora pelas autoridades policiais, de nada serviram para não se avançar com a “Revolta Popular”!!
Com o evoluir das manifestações no Egipto, Tunísia e Líbia, lá para o “Norte de África” e Bahrein, Yemen, Síria no “Médio-Oriente”, em que famosos e caducos déspotas foram e estão sendo derrubados pelo simples "grito de revolta" dos seus povos, cá no Burgo, com a lição anterior bem aprendida, com os pneus, pedras e bidões de gasolina que as dificuldades da vida cravam persistente e permanentemente na mente e nos quintais deste povo, havia a necessidade de “agir rapidamente”!! Com o quê, não interessava!! Era necessário trazer um “anestesiante de rápido efeito”!! É aí onde surge, assim de pára-quedas, a badalada ideia da “Cesta Básica”!!
Mas a forma como este dossier está a ser “não-gerido”, vai acabar se revelando catastrófica!! O “efeito de soda” deste anestesiante não só não está a curar a dor, como também, está a exacerbá-la exponencialmente!!
As pessoas estão com dificuldades enormes!! Não falo do simples vendedor de rua, mas da grossa maioria de indivíduos com empregos formais, daqueles com salário acima de 20.000 Mtn!! O que elas vêm todos os dias é governantes e seus sequazes açambarcando tudo mais alguma coisa, esbanjando bens do Estado, aumentando os seus salários e regalias a torto e a direito, comprando casas de milhões (antigos biliões), mobilando-as também com milhões que não lhes pertencem!!
Se a ideia é esperar que este exército de insatisfeitos e “fed-ups” vá à rua, para daí atender às suas necessidades sem teatro, pode ser que nessa altura nem palco para a encenação exista!!
Adenda:16/06/2011 - O primeiro-ministro Aires Ali acaba de conceder uma entrevista publicada hoje pelo jornal "O País", em que esclarece que "a cesta básica nunca foi um dado adquirido", portanto, concordando plenamente com a visão que aqui apresentamos e reforçando a "natureza teatral" deste badalado programa governamental.
14 junho 2011
A Verdade Sobre a Cesta Básica!!
Adam Smith in “A Riqueza das Nações”, capítulo VIII do livro I, p.96, parágrafo. 36.
Todas as sociedades têm aqueles segmentos da sua população mais afectados pelas vicissitudes da vida, como sejam, acidentes, doença, invalidez, desemprego, velhice, morte, etc, que não permitem garantir o seu auto-sustento pessoal ou familiar. Segundo Adam Smith, dentre outras, é a habilidade em reduzir a percentagem desta população, ao mesmo tempo que aumentando o bloco activo e productivo da população, que permite que as nações se enriqueçam!!
Porque estas tragédias não escolhem as suas vítimas e podem atingir a qualquer um sem aviso prévio, os governos de países modernos, elegeram a “Segurança Social” como um elemento-chave da sua estrutura administrativa, através da contribuição colectiva de uma porção dos rendimentos da população activa!! Esse fundo é depois usado para aliviar os contribuintes em momentos menos afortunados!!
Porém, cedo chegou-se à conclusão que existia uma franja bem mais abaixo na “pirâmide social” que não podia ter as suas “necessidades de vida” satisfeitas por via do referido “Sistema de Segurança Social”!! É quando começaram a surgir os programas de “Social Welfare” ou “Alívio à Pobreza”!!
Estes Programas, de forma continuada, providenciam ajuda directa àqueles segmentos da população que, mesmo com saúde em dia e emprego não conseguem gerar rendimentos suficientes para o seu sustento!! A ajuda pode ser na forma de comida ou em dinheiro, respeitando à família definir a sua aplicação de acordo com as suas prioridades!!
Para tal, definem-se parâmetros claros de elegibilidade, seja por agregado de bens que a família possui, rendimento mensal, existência de crianças ou velhos (acima de 60 anos) ou ainda um membro deficiente na família, desmobilizados de Guerra, etc. Enquanto estes Programas são da alçada dos Governos Centrais, a sua implementação é sempre conduzida pelos Governos Locais, pois são eles que estão em directo contacto e conhecem a realidade da população. Muitos países administram estes programas por meio de seus Ministérios de Assistência Social e os beneficiários precisam de estar obrigatoriamente registados no “Sistema Nacional de Segurança Social” (no nosso caso seria o Cartão de INSS), o que permite controlar melhor a elegibilidade dos candidatos e o momento em que eles já não reúnam condições para continuar no “Programa de Assistência Social”.
Nos Estados Unidos da América, este Programa é comumente conhecido por “Food Stamps”, que são cupões ostentando determinado valor monetário recebidos mensalmente pelas famílias e aplicados na aquisição de comida nos supermercados locais. O valor agregado dos bens da família (excluindo casa, terreno ou viatura) deve ser inferior a 2000 USD. As Agências Governamentais têm páginas online com simuladores, que permitem avaliar à priori, quanto uma família receberia, de acordo com a sua condição! Na experiência que conduzi, por exemplo, para uma família com 5 membros, a morar no Estado de Alabama (o casal e 3 filhos, sendo 1 deles menor de 10 anos), com um valor agregado de bens de 1.300 USD, um salário mensal de 500 USD e renda de casa da ordem de 300 USD, estaria elegível a ajuda governamental mensal de quase 800 USD.
No Brasil, o Governo de Lula da Silva instituiu a partir de 2003 o Programa “Bolsa Família”, com os mesmos propósitos, mas com a característica pioneira de não só providenciar ajuda monetária imediata para as necessidades da família, mas também condicionar essa ajuda a “benchmarks”, fundamentais para romper o ciclo de pobreza de geração para geração. Tais “benchmarks” estão associados primariamente a questões de “Educação” e “Saúde”, ou seja, as famílias beneficiárias devem comprovar que levam os filhos regularmente à escola ou à vacinação e outros cuidados médicos nos Centros de Saúde, necessários ao crescimento saudável dos miúdos!! Portanto, é esta combinação de “comida no prato”, “saúde em dia” e fundamentalmente “educação” que a médio-longo prazo irá permitir à família ajudar-se a sí própria e livrar-se do espectro de pobreza!! Este Programa assegura às famílias pobres (com renda mensal por pessoa de R$ 70,01 a R$ 140,00) e extremamente pobres (com renda mensal por pessoa de até R$ 70,00) benefícios que variam de 22 a 200 reais (o valor pago depende do número de crianças e adolescentes atendidos e do grau de pobreza de cada família). Em 2006, mais de 11,1 milhões de famílias de todo o Brasil, ou seja, cerca de 45 milhões de pessoas, receberam 8,2 bilhões de reais, o que corresponde a 0,4% do PIB brasileiro.
Devido ao êxito social desta iniciativa, países como o Egipto, Indonésia, África do Sul, Gana, Quênia e Etiópia mandaram representantes ao Brasil para conhecer o Programa. O Estado de Nova Iorque (E.U.A) implantou recentemente seu programa de transferência de renda “Opportunity NYC” inspirado no Bolsa-Família do México e do Brasil.
Conforme se vê, estes “Programas” precisam de ser bem estudados, a despesa a eles associados bem quantificada, os objectivos pretendidos bem definidos, para que a iniciativa não pareça “meros tiros no escuro”!! Se se tivesse noção de quanto tempo seria necessário para erradicar a pobreza num determinado país, esse é que seria o tempo de duração previsto para estes Programas!! Porque isso não é matéria de fácil quantificação com precisão, os Governos adoptam estes Programas como de “carácter permanente”!!! Só com base nessa premissa é que faz sentido incluí-los na Agenda Governamental.
Ora, aqui no “Burgo”, em que é que se assenta a “Cesta Básica” e o que é que está verdadeiramente por detrás da sua badalada introdução???
Essa é matéria para o próximo número!!!!!!!!!
13 junho 2011
"Sindrome de PCA" – Poesia Nua & Crua!!
Faço parcerias
De milhões de dólares
Donde vem, não interessa
Graduei com dez valores
O crime compensa!
Sou PCA!!
Minhas garantias
São cartas brancas
Só com cabeçalho
"Sou filhoóprotegido do chefe"
De manhã como bife
Com queijo, bacon e muito alho!
Sou PCA!!
De tudo mais nada
Tenho muitas reuniões
Sabem que é fachada
Cobro taxas e comissões
Não tenho experiência
Apenas trafico influência!
Sou PCA!!
Criar não é meu forte
Penduro-me como parasita
Em qualquer suporte
A sede das minhas empresitas
É lá no antigo Ministério
Mas falei com o Notário
Tem nenhum mistério
Pra incluir no meu património!
Sou PCA!!
Os negócios do Estado
Me fizeram empresário
De sucesso ao quadrado
Deixa morrer o Proletariado
No dia primeiro de Maio
Me chamaram de otário!
Sou PCA!!
Se tens inveja
Da minha riqueza
Ganhe cabeça
Vai cuidar da tua pobreza
Ou bebe uma cerveja
Mas não canse minha beleza!
Sou PCA!!
Nós novos ricos
Nos chamam de brutus
Andamos em bicos
Reincarnamos Mobutu
Diferentes dosoutros
Nunca trabalhamos!
Sou PCA!!
Mesmo quo cota
Não fosseoquefosse
Eu seria magnata
Cof, cof,…..não é tosse
Nasci com sindrome de PCA!!!
10 junho 2011
Jovens Médicos Moçambicanos: “Quando Recusar Ser Escravo, Precisa-se!!”
Moçambique é daqueles países que precisa de corrigir questões estruturais na maioria dos seus sectores sócio-económicos, sendo a Saúde (Medicina), um deles!! Conforme o último informe do actual ministro do pelouro na Assembleia da República, o rácio actual é de 1 médico para 20.000 pacientes (cito de memória), o que significa que o número total de médicos nacionais com muita dificuldade superá os 1.000 profissionais!!
Este péssimo desempenho estatístico mostra o quão amplo é o mercado para os Médicos, quão elevada é a demanda por esta classe profissional!!
Só por isso, ao receber o seu diploma, o Médico Moçambicano deveria se sentir “empoderado”, sentir-se possuidor de armas e ferramentas únicas para ir à luta, exercer a sua actividade, conquistar o amplo mercado existente!! Tem tudo para vingar e vencer!!
Mas é isto que acontece?? Não……..!! Infelizmente a resposta é um ensurdecedor NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!
O jovem Médico Moçambicano é das espécies mais física e mentalmente (auto)torturadas!! Não há categoria profissional mais “sem esperança” que esta!!
Julgo que uma variada série de factores concorre para esta situação:
1- Período de formação longo, com muitos chumbos à mistura!! Não é incomum que Médicos só se graduem acima de 10 (dez) anos depois de se sentarem nos bancos da faculdade!!
2- Condições deploráveis de trabalho: o Médico é atirado imediatamente para o campo, lá para a “casca da rolha”, vivendo muitas vezes numa “semi-casa”, sem água corrente, sem electricidade, sem sinal de televisão, sem cobertura de rede de celular e, para não variar, sem transporte!!
3- Salário de Pobreza: não faz sentido que esta classe profissional seja a mais negligenciada e esquecida, quando se trata de lhe oferecer um salário adequado à sua função, compatível com o nível de trabalho que exerce!! Quando se fala que 20,000 Mts (USD 700) é o salário, incluindo “bónus e incentivos”, só se pode estar a brincar!!
Este é o “prato quente” que a “conjuntura nacional” oferece ao Médico Moçambicano recém-formado!! E, como é que ele reage??
Ele, o “Jovem Médico Moçambicano", se esconde atrás da bananeira!! Não vai à luta!! Larga as poderosas armas que tem em sua mão, esquece a sua condição de “ser independente” e embarca na desesperada caminhada à procura de outras (armas), que lhe “garantam um sustento adequado”!! É isto que estamos a assistir correntemente, como uma praga em rápida propagação, no seio desta classe profissional!! Praga esta que precisa de “medidas epidemiológicas fortes", mas que parece que ninguém vê ou não quer dar a devida atenção!!
Assistimos há alguns tempos, um fenómeno similar, em que organizações internacionais, organizações não-governamentais, etc, apareceram ferozmente no mercado a solicitar graduados em áreas sociológicas e antropológicas, à troco de salários em dólares!!! Atendendo à natureza do trabalho e inserção destas organizações no espectro nacional, este tipo de “demanda” deve ser sempre considerada ocasional, efémera!! Um indíviduo a frequentar o ensino secundário não é por saber que o filho do vizinho, graduado em Sociologia conseguiu um emprego que “paga bem” numa certa ONG, vai só e só com base nessa “evidência” eleger também Sociologia como a área em que se pretende formar no ensino superior!! Isso não passará de “dar um tiro no escuro”!!!
O mesmo fenómeno está milimetricamente a acontecer hoje com os Jovens Médicos!! Invariavelmente, as mesmas Organizações, decidiram que o perfil do empregado a contratar, deve incluir um diploma em “Saúde Pública”!! De facto, algumas pessoas com formação nesta área foram contratadas e “estão a receber bem” nestas instituições!! E, qual é a consequência directa dessa “evidência”, na nossa reputada classe profissional???
Hoje, todo o “Jovem Médico Moçambicano" que conheço está a fazer uma ou outra “Especialização em Saúde Pública”!! É “saúde pública de batatas fritas” de um lado, “saúde pública de cachorro-quente” do outro, “saúde pública de hamburguer”, só para citar alguns nomes bizarros em que se metamorfosea esta “área de saber tão útil aos interesses correntes da Saúde em Moçambique”!!!
Hawenna, Jovens Médicos Moçambicanos!!!
Quem é que contrata um indivíduo formado em “Saúde Pública”!???! Ou é o Ministério de Saúde, ou uma organização qualquer interessada em “desenhar” políticas de saúde!! Digo “desenhar” porque o interesse destas Organizações nunca é “ir comer poeira lá no mato”!!! Os problemas, esses resolvem-se no escritório!! Quantas destas instituições existem no país e quantos profissionais de “Saúde Pública” anunciaram tencionar contratar a curto-médio prazo??? Quantos???
Fugindo um pouco da parte “política e burocrática” (fast-food) da Saúde Pública, existe a “Área Epidemiológica”, muito importante para a investigação de doenças e adopção de medidas para as conter!! Falo aqui de estudos que envolvam Microbiologia, Genética, etc!! Mas quem, dentre os nossos Jovens Médicos está a especializar-se nestas “matérias difíceis”, quando as “Áreas Clínicas” são o maior pavor do momento!!
É a isto que me refiro quando digo aos meus Jovens Médicos Moçambicanos que “Recusar Ser Escravo, Precisa-se!!” O Jovem Médico torna-se escravo quando abdica das ferramentas que já tem em mão e se entrega ao arbítrio e mercê de terceiros!! Ao abraçar este “negócio de Saúde Pública”, o Jovem Médico se coloca na condição de pedinte, junta-se à enorme bicha de outros pobres coitados graduados que têm que escrever CV’s caprichados, comprar jornais só para ler a secção de anúncios classificados, e pedir emprego por meses, senão anos seguidos, “para ver se a vida melhora”!!
Que eu saiba, não existe “Clínica de Saúde Pública”!! Ou seja, o pós-graduado em “Saúde Pública” não vai tratar a ninguém directamente!! Terá que ser empregue por uma instituição qualquer e, por essa via, poder ou não conduzir trabalhos que tenham impacto na melhoria da saúde do Povo Moçambicano!! Este parece-me um “caminho muito longo e incerto” para a almejada “liberdade e independência profissional, económica e financeira” do Jovem Médico Moçambicano!!
Se um Médico em Moçambique está para 20.000 pacientes (o valor correcto seria 40.000 se atendermos que mais de 600 Médicos se concentram só em Maputo), existe com certitude um caminho, possivelmente “trabalhoso” no início, mas que vai assegurar a Independência e restaurar o Orgulho nos profissionais desta nobre área!!!
De maneira alguma, o caminho a seguir deve estar dissociado desta equação de 1 para 20.000 ou 1 para 40.000 pacientes!! Sucesso de venda só ocorre quando se está com o produto certo perante os potenciais compradores!! É aí onde reside a resposta, é aí onde se encontra o mercado, é aí onde aguarda tão pacientemente para ser conquistada, a “independência total” do Jovem Médico Moçambicano!!
Se não estou a ser suficientemente claro, é nas “Áreas Clínicas”, naquelas que têm impacto diário e directo na saúde dos Moçambicanos, que reside também a vossa libertação!! Porque, enquanto vocês têm um amplo campo de experimentação e masterização das vossas técnicas de diagnóstico e tratamento de doenças, vocês se equipam também de bagagem fundamental para o exercício das vossas actividades!! Essa bagagem é unica!! É inteiramente vossa!! Não têm que depender de nenhum incompetente para avaliar o quanto vocês valem!! É esse conhecimento acumulado que vos vai convencer que o futuro está nas vossas mãos e não depende de mais ninguém senão de vós próprios!!!
É essa certeza que vos dará confiança e vos permitirá dar voos mais altos a breve, médio ou longo prazos, dependendo da capacidade de cada um!! É essa certeza que fará com que, daqui há alguns anos, vocês hoje Jovens Médicos, sozinhos ou associados, criem as vossas Clínicas, os vossos Hospitais, os vossos Laboratórios!!!
Agora, a menos que estejam interessados em inventar “Clínicas de Saúde Pública”, Saúde Pública nas suas mais variadas versões de Fast-Food, nunca vos conduzirá à tão almejada “independência total”!!!!
P.S – Esta série tem uma segunda parte, onde procurarei abordar a outra parte do problema que acaba conduzindo o Jovem Médico a este abismo!! Se é Médico ou parte interessada nestas matérias, não se coiba de dar o seu “input”!!! Só debatendo de forma crua e nua é que se desbrava o caminho das soluções!!