22 maio 2009

“Auto-Estima” – Building it!

Na sua obra “Os Seis Pilares da Auto-Estima”, Nathaniel Branden examina as 6 (seis) práticas que considera essenciais para o “desenvolvimento” e “sustentabilidade” de uma saudável “Auto-estima”: a prática de viver “conscientemente”; de “se aceitar a sí próprio”; de “responsabilidade”; de “auto-confiança”; de viver com “sentido de propósito”; e de “integridade”!

O que seriam, então, estes “Pilares da Auto-estima”!?!

1) A Prática de Viver Conscientemente: respeito pelos “factos”; estar presente naquilo que fazemos, enquanto o fazemos; procurar, estar atento e aberto à qualquer informação, conhecimento, e “feedback” que esteja relacionado com os nossos interesses, valores, objectivos e projectos; procurar perceber não só o mundo “externo”, como também aquele que habita dentro de nós, de modo que nós não actuemos de “cegueira própria”.

2) A Prática de se Aceitar a sí Próprio: a vontade de possuir, experimentar e tomar responsabilidade dos nossos pensamentos, sentimentos e acções, sem evasão, negação, recusa e também, sem auto-repudiação; dar-se a sí próprio a permissão de pensar seus pensamentos (passe a tautologia), experimentar as suas emoções, e olhar para as suas acções sem necessariamente gostar delas, endorsá-las ou condená-las; a virtude do “realismo” aplicada a si próprio.

3) A Prática de “Auto-Responsabilidade”: perceber que nós somos autores das nossas escolhas e acções; que cada um de nós é responsável pela vida e pelo bem estar e realização de nossos objetivos; que, se nós precisamos da cooperação de outras pessoas para materializar os nossos objectivos, nós devemos oferecer “valores” (não necessariamente monetários) em troca; e que a questão não é: “A quem responsabilizar?”, mas sempre, “O que deve ser feito”? “O que eu devo fazer”?

4) A Prática de “Correcção” e “Auto-Confiança”: sermos autênticos nas nossas relações com os outros; tratarmos os nossos “valores” e “pessoas” com respeito e decência em contextos sociais; recusar-se a “adulterar a realidade” de quem nós somos ou o que estimamos, de modo a evitarmos desaprovação; a vontade de nos levantarmos por nós próprios e nossas ideias, de modos e em contextos apropriados.

5) A Prática de Viver com “Sentido de Propósito”: Não só identificar os nossos objectivos e propósitos a curto e longo prazos, mas também delinear as acções necessárias para os alcançar (formular um plano de acção); comportamento organizacional em prol desses objectivos; acção de monitoria para ter a certeza que tudo decorre conforme o planificado; e fundamentalmente, prestar atenção aos resultados, de modo a reconhecer, se e quando nós precisamos de rever os nossos planos.

6) A Prática de “Integridade Pessoal”: viver em congruência com o que nós sabemos, o que nós professamos e o que nós fazemos; dizer a verdade, honrar os nossos compromissos, “exemplificando em acção” os “valores” que nós “reivindicamos admirar”!

O que todas estas práticas têm em comum é o “respeito pela realidade”. Todas elas envolvem na sua essência, um jogo de operações mentais (que, naturalmente, têm consequências no mundo externo).

Quando nós pretendemos “nos alinhar com a realidade”, da melhor forma que a compreendemos, não só desenvolvemos, como também fortificamos a nossa Auto-estima! Quando, ou por medo ou por desejo, pretendemos “escapar/fugir” da realidade, nós prejudicamos a nossa “Auto-estima”. Nenhum outro factor é tão importante ou básico que a nossa relação cognitiva com a realidade ou seja, para com aquilo que, de facto, existe!

Quando a “consciência” não pode confiar em sí própria, em face ou como consequência de “factos desconfortáveis”, ela tem a “política” de preferir “cegueira” em vez da “visão”! Uma pessoa não pode se respeitar a sí própria quando frequentemente, em acção, trai a sua consciência, o conhecimento e as próprias convicções. Esta pessoa há-se ser alguém que age “sem integridade”!!

Deste modo, se nós formos “cerebrais” nesta área, entenderemos que “Auto-estima” não é uma oferta gratuita da natureza! Ela precisa de ser cultivada, tem de ser adquirida. Ela não pode ser adquirida por se beijar a sí próprio na imagem reflectida no espelho, dizendo: “Bom dia, Mr. Perfect”! Ela não pode ser alcançada por sermos regados com montes de elogios! Nem por conquistas sexuais! Nem por aquisições materiais! Nem por realizações académicas ou profissionais nossas ou de nossos filhos! Nem por um hipnótico plantando em si a ideia que ele é maravilhoso! Nem por permitir que jovens acreditem que sejam melhores estudantes do que realmente são ou sabem mais do que realmente sabem!

Adulterar ou ignorar a realidade não é um trajecto recomendável para a “sanidade mental” ou autenticidade da “auto-confiança”! Da mesma forma que muita gente pretende enriquecer sem qualquer esforço, tambem muita gente há, que sonha em adquirir “Auto-estima”, sem qualquer esforço! E, infelizmente, o mercado anda cheio de indivíduos desta estirpe!!

As pessoas podem ser inspiradas, estimuladas, ou ensinadas a viver mais “conscientemente”, a praticar uma maior “aceitação de sí próprios”, a operar mais “responsavelmente”, a funcionar de forma “correcta e auto-confiante”, a viver com “sentido de propósito” e a ter um alto senso de “integridade pessoal” em suas vidas! Mas, a missão de generar e manter estas práticas recaem exclusivamente em cada um de nós! “Sozinhos”!! Ninguém – nem mesmo os nossos parentes, nossos amigos, amantes, psicoterapeutas, nosso grupo de suporte, o “partido”, o Presidente da República, etc – pode “nos dar” a tão propagada e inflacionada “Auto-estima”!

Se e quando nós entendermos isto, será o primeiro acto de “acordarmos” e começarmos a “longa jornada” para uma maior e duradoira “Auto-estima”!

4 comentários:

Reflectindo disse...

Caro Jonathan, acho o tema de uma licão sobre o termo "auto-estima", um termo que Guebuza usou para hipnotizar a muitos que passaram a repití-lo sem o mínimo de reflexão sobre o que dizem. Por espero que esses quererão passar por aqui para saber e discutirem sobre "auto-estima".

P.S. vez Guebuza falou de ser necessário ter-se ambicão à riqueza, mas ficamos durante 35 anos a lutar contra a ambicão.

Jonathan McCharty disse...

Caro Reflectindo!
Thanks por passares a mensagem!
Penso que, quando se procurar entender este "conceito", na sua integra, facilmente se possa chegar a conclusao que os seus proponentes e difusores acerrimos, carecem dessa mesma "auto-estima"!!
Quantos deles assentam as suas ideias e conviccoes alinhadas com a realidade? Quantos procedem com integridade (falar conforme fazem e fazer conforme falam)? Quantos teem um sentido de proposito para este pais (uma visao de curto e longo prazos)?

O pais "real" e' esse que foi descrito recentemente em relatorio de organizacoes da sociedade civil!! Esse e' o pais "real"; nao existe outro!!

"Auto-estima" e' muito bem vinda, porque o Mocambicano vai olhar para a "realidade", fazer a sua "avaliacao" da situacao e tomar uma "decisao" apropriada sobre o destino que quer para o seu pais!!

Estamos a espera dos "proprietarios" deste conceito, para nos darem a entender o que, de facto, dele entendem!!

X!mb!t@nE disse...

Estou adorando as lições, força ai, Jonathan!

Jonathan McCharty disse...

Ola' Ximbi!
Para mim, este e' um processo de aprendizagem tambem! Assim, quando alguem aparecer com "nacionalismos dogmaticos" e pretender confundi-lo com "Auto-estima", podemos confronta-lo com esta "visao integral" do conceito!
Ainda bem que a amiga ta' adorando!!

Abraco, boa semana, e ajude-nos tambem a perceber esta coisa, hehe!!