23 setembro 2008

Eleitorado “Azarado”!


“Nos indivíduos, a loucura é algo raro - mas nos grupos, nos partidos, nos povos, nas épocas, é regra”
Friedrich Nietzsche

Não raras vezes, temos ouvido ultimamente a palavra “azar” para descrever ou caracterizar alguns infortúnios das nossas lideranças! Se se trata de eventos “naturais”, forças malígnas da natureza, às quais “nada” podemos fazer senão esperar pela consumação da catástrofe e destruição que consigo trazem, acho legítima a sua utilização. Porém, se a homens e resultados das suas decisões se referem, então esse termo se encontra fora de contexto. “Os homens traçam o seu destino” e isso, em muitos aspectos, é uma verdade irrefutável!

Sou um proponente e defensor acérrimo da “alternância governativa” para o amadurecimento e desenvolvimento de qualquer democracia! A estagnação e a monotonia, tende a produzir comodismos e indiferença para com os propósitos reais do poder político instituido e adquirido. A “alternância governativa” irá sem sombras de dúvidas, focalizar os detentores de cargos públicos e políticos na essência da sua governação, que é servir o povo, conduzi-lo ao progresso e a prosperidade.

A “excitação” que se tem estado a viver recentemente pela candidatura independente de Deviz Simango (afinal, qual é o nome correcto deste Autarca? Deviz, Daviz ou Davis? Alguém esclarece?) pode ser o prenúncio de um vazio que se vive na nossa arena política e da necessidade premente que este povo tem para com “resultados” das suas elites políticas.

Os eventos políticos da última semana, mostraram mais do que nunca que provavelmente, o surgimento de um movimento cívico, alicerçado nas forças vivas da sociedade, e com um propósito bem definido, seja a curto prazo, uma via alternativa credivel com vista a incrustrar princípios de “accountability” na nossa governação.

Nas condições actuais, só um eleitor informado e “suicida” é que pode apostar na nossa oposição existente! Quem ouviu as afirmações do considerado “líder da oposição”, sabe perfeitamente do que estou a falar!

É ao mesmo tempo assustador e desolador, perceber que volvidas estas quase duas décadas, esse suposto “líder” continue a ver o mundo como a extrapolação de uma “base militar”, com um comandante supremo e um “rebanho” de recrutas e sargentos sem “importância” alguma, senão para cumprir ordens!

Que esse líder, tal como Bush orgulhosamente não se cansa de referir que apesar de ser um “C student” ele é que é o "presidente" e que os Phd's não passam de "advisers" ou McCain agora de boca cheia diz que foi 15º (de baixo para cima) dentre 900 graduados da Academia Naval, ache que o elogio à mediocridade seja uma coisa “cool”, e ainda menciona que isso serve para “salvar a democracia”(??). Outros líderes (facto curioso, também militares) afirmaram recentemente que “os jovens podem vender o país” e este suposto “pai da democracia” diz sem pestanejar que essa é a via correcta de abordar o contributo que essa juventude tem para oferecer a nação!
Quando o seu porta-voz diz que “Daviz Simango é bastante perigoso para a estabilidade do país, por tratar-se de um indivíduo demasiadamente ambicioso e apegado ao poder” não poderia estar a caracterizar melhor o seu próprio “líder” partidário.

É realmente um “perigo” que alguém ache que este senhor retrógado e que não vê a meios para se “pendurar” ao poder, qual Mugabe da serra de Gorongosa, esteja a altura de conduzir os destinos desta nação.
Este senhor pode ter a certeza que doravante, só pode esperar pelo voto do cidadão lá na “casca da rolha” que nada sabe do que acontece nos nossos corredores políticos!

Tal como disse E. Marchi, “A paciência dos povos é a manjedoura dos tiranos” e o nosso silêncio tem estado não só a produzi-los como também a torná-los obesos, em toda a parte.

Se “Deve-se julgar da opinião e carácter dos povos pelo dos seus eleitos e predilectos” como disse Marquês Maricá, os eventos da Beira são prova irrefutável de que este povo sabe bem, que tipo de governante é que pretende.

E esta não é altura para dizermos que “somos azarados” em relação as nossas actuais lideranças políticas! Esta é altura para trabalharmos afincadamente para eleger esse carismático líder que encarna o espírito da liderança que pretendemos ver enraizada por este país todo. Temos que nos lembrar que “Cada povo traça o seu destino”!

Devo concordar com o Reflectindo quando diz repetidamente que devemos pensar como “cidadãos”! Realmente, muitos de nós limitam-se apenas a pensar pelos seus partidos e nunca pelos interesses da nação, porque essas organizações políticas não passam de um meio de sobrevivência para os seus membros, quando deveria ser o contrário! Os seus empregos, os seus negócios, empreendimentos, etc, são coisas sempre “ancoradas” aos partidos! Esse é um câncro que precisa de ser “banido” em prol do progresso desta nação.

O movimento em torno de Deviz Simango, é a primeira oportunidade real para invertermos esse actual campo de forças existente! Proponho que este jovem Autarca lance já pelos média e outros canais de comunicação, números de contas bancárias, para que possamos contribuir pela sua candidatura e por esta campanha eleitoral crucial ao futuro desta nação!

“Quando os tiranos caem, os povos levantam-se!”
Marquês Maricá

21 comentários:

Jorge Saiete disse...

jonathan,
Acho que precisas de ter muito cuidado para não irritar o lider da Renamo pois isso pode trazer consequencia graves e encendear todo o país. Lembre-se que ele bem disse: NO DIA QUE EU ACORDAR MAL DSPOSTO, A PAZ ESTARÁ AMENÇADA. rsrsrs.

Olha, acho que neste momemnto o problema de Davis(?) não deve ser dinheiro porque esse certamente não lhe faltará. para mim, o que lhe deve ocupar agora é organizar a sua maquina e desenhar uma estratégia sábia para potenciar os seus apoiantes e tirar o máximo proveito possivel do descalabro da Remano.

Reflectindo disse...

Caro Jonathan, com base no que consta no portal do Município da Beira, opto por escrever Daviz.

Caros,

Acredito que dinheiro pode vir não faltar, mas acho necessário assegurar que existe para organizar e desenhar a estratégia. Concordo que seria bom que abrisse uma conta bancária, mocambicanos amantes da democracia e de boa vontade podia dar nem que fossem pouco.

Espero que também contribuamos com o nosso saber para desenhar a estratégia de vitória da democracia contra a ditadura.

Hehehehehe, Saiete, será que o líder voltará a Maringue?

Jonathan McCharty disse...

Caro Saiete,
Se o destino do pais deve andar hipotecado a boa ou ma' disposicao do seu lider, entao e' preciso ter muita cautela para com esses "mentes volateis"! Alias, os eventos e afirmacoes recentes, poem muito em causa a sua capacidade de ajuizamento e ponderacao de assuntos cruciais em de caso de uma sua hipotetica governacao.
Agora, uma coisa que nao percebo e', "donde trara' Daviz esse dinheiro a fartura" de que te referes?

Jonathan McCharty disse...

Reflectindo,
Obrigado pelo esclarecimento em relacao ao nome correcto do Autarca.
E' uma questao pertinente, o apoio sob varias formas que os "concerned citizens" devem, doravante, providenciar a esta candidatura que, como referes, e' da luta entre a democracia e a ditadura!
Uma coisa que gostaria de saber e' a tua opiniao em relacao a questao da Assembleia Municipal, visto que os apoiantes de Daviz estao a entregar os seus cartoes de membro ao Partido, apos a expulsao deste Autarca!

Reflectindo disse...

Caro Jonathan,

O Saiete me perguntou sobre se o Greupo de Reflexão e Mudança (GRM) havia apresentado uma lista de candidatos. Ainda não sei responder, mas Chico José afirmou na RM que o GRM é padrinho enquanto que as bases de apoio são os membros e simpatizantes da Renamo. Eu acho que na medida em Dhlakama não teve tempo para apresentar lista de guerrilheiros, o que vai acontecer é que a maioria da lista da Renamo apoiará Daviz Simango. O poder de Afonso Dhlakama deve estar a deluir-se totalmente. Imagina, qual é essa pessoa saudável que vai apoiar mais a Dhlakama depois declarar-se ditador e continuar a ameaçar a estabilidade do país? Até os deputados com estabilidade mental têm vergonha sobre o que podem dizer na próxima semana na abertura da sessão da Assembleia da República.

Dede Moquivalaka disse...

MacCharty quem ousaria desperdic,ar uma oportunidade impar como esta? So' quem da democracia real colhe pouco louros, se ofende! Mais vida ao jovem Eng, e' o todos queremos!

Jonathan McCharty disse...

Bom Reflectindo,
Concordo com a tua analise! Acho que Daviz deveria continuar a manifestar o seu apoio a quem o apoia, independentemente da sua filiacao partidaria, mas de acordo com as suas conviccoes. Acho que ele deve insistir neste ponto, de que a sua candidatura e' pela unidade do pais, inclusao de todos aqueles dispostos a trabalhar pela nacao e, acima de tudo, para cimentar valores morais, eticos e bom senso, no nosso panorama politico nacional.

Jonathan McCharty disse...

Caro Dede,
E' preciso ser-se bastante miope para se por a disparar para o proprio pe' e transformar trunfos em pesadelos politicos. Mas isso e' perceptivel, se tomarmos em linha de conta que o que esta' em "stake" e' assegurar o poder politico a todo o custo! E todo o custo e' mesmo isso: mediocridade, irracionalidade, falta de visao, etc. Africa nestes seus 40 anos pos-independencia, continua refem os "mismanagements" perpretados por regimes e dirigentes militaristas que a unica coisa que trazem a mesa, volvidas estas 4 decadas, e' que eles trouxeram a independencia! Mas, e dai?
Este continente merece melhor! E' altura de liderancas "intelectuais", comprometidas a trabalhar pelo povo!
E, se a filosofia militar e' uma corrente de pensamento falida e o "bom senso" e' para imperar, os factos actuais nao poderiam ser mais elucidativos, com as actuais demissoes de assessores seniores, nesse partido que clama que e' o "pai da democracia"!

X!mb!t@nE disse...

Jonathan, discordo do titulo: o eleitorado é sortudo pois está a ver aquilo que se passava por debaixo do tapete e nada percebia.

Os nossos politicos estão a revelar-se e então não precisaremos de campanhas eleitorais para os escolher porque nos oferecem camisetes e bonés ou porque vêm com um rol de promessas.

A nossa consciencia tem que estar atenta a estes manipuladores que querem o poder a todo o custo sem olhar para quem vão servir: nós o Zé Povinho.

Veja-se o caso do Daviz. Acredito que ele não é santo e nem perfeito, como qualquer um de nós, mas fez um trabalho que agradou a alguns e poucos, mas agradou e deu esperanças a outros com os quais os seus dois braços nao puderam alcançar.

Essas pecuinhas partidarias trazem ao de cima o que realmente são os partidos politicos e as suas lideranças no nosso país.

Concorrendo como independente, mesmo que não ganhe, Daviz está a trazer uma nova postura para o panorama politico nacional em que os independentes (individuais e não aprtidos) foram ofuscados de tal forma que hoje nem se veem.

Carissimo, somos um eleitorado sortudo e azar o deles!

Jonathan McCharty disse...

Bom Ximbitane,

A palavra "azarado" aparece aqui estampada exactamente por causa do nosso habitual conformismo. No texto referi inclusive que, esta nao era altura para usarmos essa palavra, mas para trabalharmos e cada um dar o seu maximo para mudar o que considera nao estar correcto na nossa governacao.

E', mais do que nunca, altura para acordarmos!
Tenha uma optima semana, desejo extendido aos demais leitores do Desenvolver Mz!!

Elísio Macamo disse...

caro jonathan, permita-me estragar um pouco a festa com uma observação que destoa da tónica geral. deixou-me muito preocupado a seguinte frase da tua autoria: "Esta é altura para trabalharmos afincadamente para eleger esse carismático líder que encarna o espírito da liderança que pretendemos ver enraizada por este país todo". o problema é mesmo o líder? o problema é mesmo de guebuza e dhlakama serem maus, e simango e comiche serem bons líderes? eu não acho. considero mais preocupante a expectativa de que alguém nos safe...

Jonathan McCharty disse...

Prezado Amigo Elisio,

E' um previlegio te-lo aqui, depois do seu "hiatus", imagino "forcado"! De maneira alguma, "estragas a festa"! Pelo dialogo franco e aberto, nao so' debatemos, mas refinamos as nossas proprias conviccoes. Nada aqui e' exposto, com caracter "definitivo"! Exponho apenas neste blog, as minhas conviccoes. Apenas isso! Quanto a questao que levantas, eu diria que, se Africa, volvidas estas 4 ou 5 decadas pos-independencia, continua a ser um continente atrasado e a enfrentar dificuldades enormes para as suas necessidades basicas, um dos seus "graves" problemas esta' directamente ligado a "qualidade" da sua governacao e seus governantes. Referi nesta postagem, alguns proverbios (que nem sequer sao mocambicanos ou africanos). Acho que "proverbios" nao passam da "sabedoria do povo" e foram sendo construidos e amadurecidos pela observacao pratica e acredito, podemos aprender muito deles. O que tenho estado a referir nas minhas ultimas postagens, e' que a questao do Municipio da Beira ou o movimento que esta' sendo gerado a olhos vistos em torno da candidatura do Daviz Simango (e acredito, ocorreria com o Comiche se ele enveredasse pelo mesmo caminho), nao e' uma questao politico-partidaria; da Frelimo ou da Renamo! E' uma questao de "CIDADANIA"! Uma cidadania responsavel e que comeca a revelar que sabe o que quer, e que tipo de governacao se enquadra na "direccao" que esta nacao deve tomar! Nos, um bocado instruidos, devemos estar a altura de perceber esse fenomeno e captar os sinais que ele nos lanca. Julgo que ha' uma mensagem forte por volta disso! By the way, sou de opiniao que Africa continua "refem" de regimes militaristas que lutaram pela independencia e, uma nova classe politica dissociada desse passado "caracteristico" comeca a dar claros sinais de estar a emergir! As convulsoes pliticas que este continente esta' a viver um pouco por toda a parte, pode ser um sinal claro dessa "transicao", mas que agora nao a vejamos claramente!
Respeitamos o nosso passado, e os jovens que sacrificaram as suas vidas para libertar a patria, mas a nossa luta de libertacao actua e' outra, e exige um outro tipo de lideranca! (Just some thoughts)

Elísio Macamo disse...

que tal, jonathan, se a má qualidade da nossa liderança em áfrica fosse o resultado do facto de sermos um continente de miséria e má qualidade de vida? sei onde queres chegar com essa referência, mas receio que as coisas não sejam assim tão lineares. a questão da cidadania é importante e ainda bem que a levantas. mas o que te leva a supor que os dois indivíduos que elegeste como líderes carismáticos são os que de facto vão contribuir para reforçar a nossa cidadania? não será a aversão pelo que temos agora que estrutura o nosso fascínio pelos feitos dos que foram preteridos pelos seus partidos? não te esqueças que existe igual número (ou mais) de moçambicanos que acham que guebuza e dhlakama são os líderes carismáticos que precisamos. e dizem isso com referência à cidadania...

Jonathan McCharty disse...

Bom, Elisio, nem se pode sequer por em questao que "Africa seja um continente da miseria", porque, definitivamente, nao o e'! Nao se podem fazer analises lineares, mas se olharmos para a "sorte" a que andam votados os povos africanos e os seus lideres, ha' uma evidencia clara da "divergencia" existente! Nao sei quem inventou que "Africa era pobre", mas o facto observado a olhos vistos e' que os nossos dirigentes sao dos homens mais ricos do mundo. Alguem explica como esse paradoxo e' possivel? Em vez de continuarmos a ter governantes apenas interessados em controlar os sectores da economia para beneficio pessoal, em detrimento do desenvolvimento nacional e, nos ca' deste lado a acharmos que "bons politicos" sejam aqueles que devem continuar a acomodar interesses particulares de membros dos seus partidos no exercicio da sua governacao (facto quase sempre associado a ilegalidades, clientelismo e abuso de poder), acho que e' altura de dar lugar aqueles lideres que tem a coragem de remar contra a mare' da nossa habitual (in)"cultura" politica e introduzirem principios eticos e de transparencia na sua governacao. Ninguem esta' acima da lei e as redes de parasitas comecaram a sentir a sua posicao "previlegiada" a ser ameacada por esses lideres (cometidos pela transparencia e etica governatinas), maximizando os seus esforcos pelo beneficio da maioria (atencao: em momento algum defendi que Comiche e Daviz fossem perfeitos). Essa e' a essencia de um Estado verdadeiramente de direito e Africa precisa disso incrustrado na sua politica e sociedade. Que cada um obtenha o fruto pelo esforco que empreende no desempenho das suas activdades e nao porque ocupa uma alta posicao no partido ou porque tem boas coneccoes no circulos politicos e de poder. So' para te dar um exemplo, o senador mais velho do estado de Alaska esta neste momento em tribunal por, dentre outras coisas, ter aceite que a casa de banho da sua casa fosse reabilitada por uma empresa potencialmente beneficiaria das suas "decisoes" no Senado. Pelas tuas palavras, acabo tendo o senso de que defendes um tratamento "previlegiado" para as elites politicas e seus associados; um Estado em que uns governam e emanam leis (mesmo que as nao cumpram) e ordens, e outros estao ai (nascidos nesse solo) apenas para as cumprir e respeitar, preferencialmente, de "bico calado"! O que Mocambique esta' a viver neste momnto e' uma manifestacao vigorosa de repudio a esse "modus operandi" na nossa politica e um despertar abrupto de uma "cidadania participativa"! Sao essas as ilacoes que tiro deste fenomeno, mas os campos de analise nao se esgotam por ai! So' pelo debate os podemos explorar e os ir percebendo melhor!

Elísio Macamo disse...

caro jonathan, a relação entre riqueza de políticos em áfrica e pobreza do continente é a mesma que explica porque uns africanos (ou moçambicanos) que não são políticos são muito mais ricos do que outros africanos (e moçambicanos). as diferenças entre nós são muito maiores do que as diferenças na europa, por exemplo, embora essa relação esteja também a mudar. não creio que seja por aí que vamos poder explicar o empobrecimento do continente em razão da sua fraca liderança. as coisas não são lineares. mas fazes bem, repito, em insistir na cidadania. essa insistência devia te levar a reflectir sobre o tipo de controlo tens ou terias sobre líderes que consideras carismáticos. essa ausência de controlo é que torna os menos carismáticos (aos teus olhos) líderes maus. seria, para mim, interessante que reflectíssimos sobre as razões sociais que estão por detrás da boa actuação de comiche e simango e, sobretudo, que condições seriam necessárias para que essa actuação se mantivesse.

Jonathan McCharty disse...

Caro Elisio,

Entao podemos considerar com a maior normalidade que a "politica africana" seja uma ciencia (ou ramo profissional) para produzir "ricos"? Eu acho que NAO, e que dentre os varios cancros existentes, esse e' um dos principais a ser combatido! Ha' hoje em dia, muita gente interessada em enveredar pela politica, mas a sua motivacao tem sido mesmo essa: "enriquecimento facil" e sobretudo, sem nada fazer! Medidas estruturais tem que ser implementadas para desencorajar essa pratica! Todo o mundo ca' em Mocambique deveria ser rico, mas que nao o sejamos pelo roubo, narco-trafico, etc.
Outro aspecto que julgo ser fulcral e' a questao da "legitimidade" governativa! Quanto lideres africanos, estao convictos que estao no poder porque o povo assim determinou? Quantos? Com as CNE politizadas do jeito que estou, acho que este continente deveria se sentir envergonhado que apenas um unico pais (o Benin, se nao tou enganado) seja acreditado como tendo historial incontestavel de eleicoes transparentes! Por causa disso, ha' muita suspeicao e desconfianca entre os lideres africanos e o seu eleitorado! A consequencia directa e' que o detentores de poder, passam a concentrar acima de 80% da sua actividade governativa em encontrar formas de "deter" o poder, porque eles nao acreditam que por "trabalho" apenas poderao mudar as suas ideias. O que se esta' a viver em Mocambique (Beira e Maputo), e' resultado de politicos que usaram o poder para resolver problemas praticos da populacao! E esse populacao percebe e valoriza essa abordagem dada a actividade governativa desses lideres! Se cada lider africano, tivesse a consciencia tranquila de que o seu eleitorado o elegeu, ele prestaria muita atencao aos anseios dessa populacao! Essa, em primeira analise, sera' a garantia de retribuicao da expectativa que e' depositada nesses lideres!

Elísio Macamo disse...

caro jonathan, estás muito zangado! estou simplesmente a convidar-te a fazeres maior justiça ao que dizes preocupar-te, nomeadamente a cidadania. em áfrica não faltam maus exemplos de tudo quanto queremos criticar. mas o verdadeiro desafio é de perceber porque as excepções são excepções e como garantir que elas continuem bem. porque o benin é excepção? porque comiche e simango são excepção? o que gostaríamos que fosse está claro para todos nós. a questão é: como chegar lá? acreditando em novos messias? abraços

Jonathan McCharty disse...

Caro Amigo Elisio,
Em primeiro lugar quero me desculpar, se de alguma forma, deixei transparecer algum "nervosismo" por dentre as minhas linhas anteriores! A verdade e' que o meu estado de espirito, ao debater ou responder a algum comentario, nem sequer de longe, se pode aproximar ao anterior referido "nervosismo". No caso do meu ultimo comentario, estava com relativa pressa e isso pode denotar-se por alguns erros ortograficos ali patentes!
Indo responder as questoes que levantas, eu diria que, nos herdamos os nossos governos e a maneira de fazer politica, mormente de regimes militares ou militaristas. A governacao em Africa, nestas 5 decadas, tem sido a extrapolacao de "bases militares", num contexto mais alargado! A implicacao directa e' que temos o "poder" exageradamente concentrado nas pessoas dos "dirigentes maximos"! Portanto, se algo deve ocorrer numa determinada direccao, nao haja duvidas que, isso dependera' principalmente da "decisao" ou "vontade" dessa pessoa que detem o poder. Se e' para haver "mudancas", esse lider tem que estar interessado em ve-las ocorrer! (eu por exemplo, nao acho que a prisao do Manhenje&Companhia, seja iniciativa do juiz Paulino. O galo-mor, assim quer que aconteca). De facto, nos acabamos vendo a governacao nesse prisma, como sendo a "normal"! Outro facto que referi e estamos a notar nos casos do "Comiche" e "Daviz", e' que varias esferas se formam a volta dos que detem "poder", muitas das vezes, nao para trabalhar, mas para colher beneficios! Para "nos", o lider politico que age nessa plataforma e' que faz "real politiks", quando sabemos que muitos planos acabam nao sendo realizados porque recursos (materiais, humanos, financeiros, etc) acabam sendo drenados/desviados para satisfazer essas networks de, eu chamaria, parasitas! As elites (dizem ultimamente que se chamam "bases") dos nossos partidos, pelos vistos, querem que as coisas continuem do jeito que estao. O eleitorado (principalmente o da Beira), num exercicio sem precedentes de cidadania "adulta", esta' a reagir contra essa cultura que tem corroido o nosso ambiente politico e atrasando consideravelmente o desenvolvimento deste continente.
Africa e particularmente Mocambique, precisam de mais "Messias", como bem ironizas, se realmente nos quisermos avancar. Mas uma licao, que julgo, muitos politicos mocambicanos ainda nao captaram com o desenrolar dos ultimos acontecimentos, e' que o eleitorado "percebe" e "valoriza" o esforco envidado pelos seus lideres, com vista a resolver os seus (eleitorado) problemas praticos. A consequencia directa e' que, em vez da habitual forma de fazer politica, baseada em satisfazer as redes "clientelares", afinal, pode-se fazer "carreira politica", arrastando enormes "massas", se de facto trabalharmos em prol do seu beneficio. A politica Africana, precisa de progredir para esse nivel, em que a eleicao de alguem, seja unicamente dependente dos resultados praticos da sua governacao, em resolver e responder aos anseios da maioria. Nao existe melhor juiz, senao o proprio povo. Isso e' que permitira' o amadurecimento da nossa democracia e fortificacao dos nossos deveres de cidadania. Essa participacao proactiva e nao esse fosso ate' aqui obserado, entre lideres e o seu eleitorado. E' preciso que o lider sinta que o poder que detem, e' na realidade legitimado por aqueles a quem e' suposto servir. Caso contrario, continuaremos a ter governantes, cujo objectivo unico e' acumular riqueza ilicita e distribuir favores aos seus vassalos. Mas temos que estar interessados em ver essas mudancas, e precisamos de lideres politicos que comecem a introduzir esses "valores" na maneira como e' abordada a politica no seio dos nossos principais partidos. Abraco e tenha um optimo fim de semana. (E sorry indeed pela extensao do comentario)

Elísio Macamo disse...

obrigado. vamos continuar a discutir. iniciei uma reflexão sobre estas questões no meu blogue. abraços.

Jonathan McCharty disse...

Ok. Vamos a isso!

Anônimo disse...

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